A uma distância de quase cem anos…….

CIMG2653 Entreada de Loul

A rua na sua configuração não parece ter mudado muito nestes quase cem anos. Mas reparando em pequenos pormenores, ela já não é a mesma, nem poderia ser. Gente que já partiu e portanto nela já não mora, janelas e portas que foram sendo substituídas ao longo destas dezenas de anos…e até os meninos de agora já não páram para olhar o fotógrafo…é que eles têm nas suas algibeiras uma versão ultramoderna e em pequeno formato, da máquina com que o fotógrafo os fixou naquele dia longínquo para esta foto de cores esbatidas e queimadas pelo tempo. (Velho postal de Loulé e foto actual da mesma rua)

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Poema de Fernanda de Castro, in “Asa no Espaço “-1955

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Deixem a casa velha! Que os pedreiros
não lhe tirem as rugas nem as gelhas.
Que não limpem de urtigas os canteiros,
que lhe deixem ficar as velhas telhas.

Deixem a casa velha! Que a não sujem
com óleos e com tintas os pintores.
Que lhe deixem as nódoas de ferrugem,
os velhos musgos, as cansadas flores.

Que não fiquem debaixo do cimento
mais de cem anos de alegria e dor.
Não lhe pintem a chuva, o sol, o vento,
que a cor do tempo é assim: vaga e incolor.

Que tudo fique assim, parado e absorto,
no tempo sem limites, sempre igual.
Ah, não, por Deus! Como se faz a um morto,
não a sepultem sob terra e cal!

Não fechem as janelas mal fechadas,
ouçam da brisa o tímido lamento,
deixem que a vida e a morte, de mãos dadas,
vão com seu passo reflectido e lento.

Não endireitem as paredes tortas
nem desatem, da aranha, os finos laços.
Abram ao vento as desmanchadas portas,
ouçam do tempo os invisíveis passos.

Deixem que durma, quieta, ao sol do Outono,
velada pela flor, o vento, a asa.
Será talvez o derradeiro sono…
Que importa? Morra em paz a velha casa.

O Louletano que morreu no TITANIC

Titanic quadro

Recordação da Exposição do Titanic em Lisboa

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Cópia de bilhete da viagem do Titanic

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Última foto do Titanic em viagem.

Eram 12:15 do dia 10 de abril de 1912 quando o maior e mais luxuoso navio transatlântico levantava âncora para a sua primeira viagem. Southampton, Inglaterra, fervilhava de emoção entre os passageiros que iam inaugurar o Titanic, os familiares e amigos que os viam partir ou os simples curiosos encantados com a fama já conquistada pelo navio. Haveria de ser coisa de pouca dura. Apenas quatro dias depois, o Titanic estaria afundado no Oceano Atlântico, juntamente com milhares de pessoas. Dos quatro portugueses que seguiam a bordo, um era algarvio e três madeirenses. Nenhum sobreviveu ao maior desastre marítimo em tempo de paz.

 

José Joaquim de Brito começou a grande viagem que foi a sua vida às 06:00 do dia 16 de abril de 1880 em São Clemente, Loulé, segundo o livro da paróquia. A data da tragédia dá-se na véspera de cumprir 41 anos. Em 1912, José de Brito, casado, era um homem de 1,62m, olhos acinzentados, cabelos castanhos, rosto comprido, nariz e boca regulares. Foi esta a descrição que que ficou assente no passaporte número 325 atribuído pelo Arquivo Municipal de Faro, e divulgado pela revista ‘Sábado’.

 

Munido deste passaporte, o algarvio haveria de embarcar em Southampton. O destino final era São Paulo, Brasil, onde pretendia reunir-se com os pais, que lá viviam e onde o próprio tinha vivido. Mas em vez de comprar uma passagem direta entre Inglaterra e o Rio de Janeiro, uma carreira regular à época, o algarvio decidiu fazer um desvio com passagem em Nova Iorque. José de Brito comprou um bilhete de 2ª classe, o que significa que gozava de um razoável nível de vida. O site Encyclopedia Titanica, que reúne informação sobre os mais de 1300 passageiros do navio, revela que o algarvio tinha o bilhete nº 244360, que custou à época 13 libras, que equivaleriam hoje a 1212 euros. A última morada indicada era Londres e o contacto era Fred Duarte, residente em 34 Mulgrave Street, Liverpool. Terá sido este a escrever ao Jornal de Notícias uma carta, publicada na primeira página a 27 de abril, a dar conta da morte de “um estimadíssimo rapaz”, português, de nome José de Brito, que seguia de Londres para Nova Iorque, donde iria depois para S. Paulo juntar-se com a família”.

 

Antes de embarcar no Titanic, José de Brito era já um viajante. Não se sabe como mas do Algarve viajou até São Paulo, onde trabalhou numa loja. Seguiu mais tarde para Itália e depois para Inglaterra, onde arranjou trabalho na agência bancária Pinto Leite & Nephews, que tinha escritórios abertos em Liverpool, Manchester e Londres. Foi nesta última agência que este dois anos, onde “alcançou gerais simpatias”, segundo relato do sr. B da Silva Salazar, que escreveu ao Diário de Notícias.

 

O bilhete para a segunda classe, significava que José de Brito iria viajar com algum conforto. O seu quarto teria secretária, sofá, armário e roupa de cama trocada todos os dias. Mordomias inferiores à 1ª classe do Titanic, mas semelhantes às encontradas nos melhores cómodos de outros navios da época. Aberto ao público, tinha ainda uma sala de fumar, biblioteca, sala de jantar e convés de passeio coberto. O que não tinha era passagem para as outras classes: 1ª e 3ª, onde viajavam os três madeirenses, mortos também no maior desastre marítimo em tempo de paz.

 

O nome de José de Brito e dos restantes 1316 passageiros, e dos quase 900 tripulantes, em que incluía o capitão Edward Smith, poderiam ter ficado na história como os primeiros a completar a viagem inaugural do Titanic. Mas na noite de 14 de abril de 1912 tudo se precipitou. Eram 23:40 quando o indestrutível navio chocou com um icebergue. Edward Smith ignorara os avisos do SS Californian, um barco que passava na zona, para a existência de grandes blocos de gelo.

 

Numa noite escura, sem nuvens na Lua e águas calmas, o Titanic, nome que deriva da palavra ‘titã’, os primeiros passageiros a acordados para a tragédia eram os da 3ª classe. O navio havia embatido no icebergue e grandes massas de água e gelo começaram a penetrar no indestrutível navio. Pouco depois da 01:00 do dia 15 de abril, o Titanic submergia nas águas atlânticas.

 

Não se sabe o que aconteceu aos portugueses. Se os corpos ficaram presos no navio por não haver passagem entre as diferentes classes, em particular para a 1ª onde estavam os botes salva-vidas, que como se veio a provar eram insuficientes para evacuar todos os passageiros, ou se afogaram nas águas gélidas do Oceano Atlântico. Os corpos nunca foram recuperados e, se foram, era impossível identificá-los, como se pode ler na página Encyclopedia Titanica.

********* Fonte : “In Algarve” Site de referência -Face Book –

Fotos: Google e Louletania

OS AMOLA – TESOURAS Profissão em extinção

Amolador antigo CIMG2414 CIMG2416

Há alguns anos que se diz estarem em extinção.

Quando os poucos que restam, passam às ruas das nossas cidades, vilas ou aldeias,tocando as suas flautas e extraíndo delas aquela conhecida melodia estridente e inconfundível, ainda há quem venha à janela ou à porta da casa para vê-los passar, ou mesmo para lhes pedir que afiem a faca ou a tesoura que com o passar do tempo ficaram em mau estado para serem utilizadas.

Os amola-tesouras fazem-se acompanhar de uma bicicleta e de uma roda feita de pedra de esmoril. Ainda existe em muitos de nós um certo fascínio que vem certamente dos tempos da infância, ao vermos soltar-se da pedra de esmoril em contacto com o metal, pequenas faíscas que fazem lembrar as cartilhas de fogo de artifício que se compravam antigamente pelos santos populares.

Certamente não resistirá por muito tempo esta velha profissão, já que hoje uma faca ou uma tesoura se adquirem com bastante facilidade e a preços módicos. Será cada vez menos provável que alguém espere um amola tesouras\facas para lhes afiarem as mesmas pois quando estas já não cumprem a sua função são deitadas fora e compram-se outras.

Por enquanto este que fotografei no dia de ontem, continua a fazer a sua ronda pelas ruas da cidade, fazendo-se anunciar ao som da sua velha flauta de som inconfundível.

A.C.

Fotos : 2 – Louletania; 1- obtida na Net.

Viva a Mãe Soberana de Loulé !

Madre 2 Mãe soberana 4 quadra à M Soberana

Quatro séculos depois, os louletanos continuam anualmente, no domingo de Páscoa e quinze dias depois, a homenagear a sua padroeira Nª Sª da Piedade com o mesmo entusiasmo e a mesma fé de sempre.

Aqui deixamos  duas fotos da festa deste ano e bem assim ” Uma Linda Quadra” escrita pelo poeta popular António Aleixo há algumas décadas atrás, glosada à Senhora da Piedade de Loulé.

Fotos: José Costa