1º de Dezembro, Pessoa e a Mensagem

FP por Bernardo Soares

75 anos depois….

Completam-se hoje 75 anos que “ A Mensagem “ de Fernando Pessoa foi publicada em livro ( 1.12.1934).

Trata-se como muitos de vós sabeis, de um poema constituído por 44 poemas independentes

que foram inseridos numa espécie de esqueleto que deu coerência ao conjunto.

E neste 1º de Dezembro faz todo o sentido falarmos um pouco sobre a Mensagem de Pessoa pela pena de João Manuel Mimoso. Aqui fica um pequeno excerto de um seu trabalho que pode ser lido na totalidade numa das suas páginas na Net…………

Este será o Quinto Império, uma época de união e paz universais sem limite final no tempo. Se Portugal está predestinado, então terá que produzir um grande poeta (a que Pessoa chamava super-Camões referindo-se, presumivelmente, a si próprio) e um grande lider que inspirem e conduzam todo o Mundo à união cultural que marcará o advento do Quinto Império. Esse lider é convenientemente chamado de “O Desejado”, “O Encoberto” ou “D.Sebastião”, uma designação que Pessoa valorizava por pensar ser mais fácil passar a ideia de um mito já estabelecido do que criar um inteiramente novo. Na prática é uma esperança semelhante à do Grand Roi da mitologia francesa, que seria o Carlos Magno do futuro. A insistência de Fernando Pessoa na figura de D.Sebastião não significa realmente que esperasse ver o espírito do rei morto reencarnar para conduzir o País à glória. Até porque a história nos ensina (e Pessoa sabê-lo-ia melhor do que eu) que D.Sebastião tinha muito pouco que o recomendasse. Só me ocorre uma coisa: soube morrer bem! Quando o nome do rei morto em Alcácer Quibir ocorre nos poemas, ou se trata de uma passagem histórica e, portanto, literal, ou então deve subentender-se que Pessoa se refere Àquele que há-de guiar Portugal e o Mundo ao Quinto Império. . Pode-se ver na visão de Mensagem uma estranha beleza, bem como uma inegável grandiosidade. Mas não pode ser ocultado que essa visão é também decadente já que, ao dizer que o futuro nos está traçado em grandeza, desincentiva o esforço que poderia levar a essa meta. Não se trata do tradicional efeito de uma “self-fulfilling prophecy” (que pode realmente ter ocorrido no caso das Trovas do Bandarra em relação à Restauração) mas de um convite à inacção porque nos bastaria esperar pelos Tempos e ter fé no Destino! Mas este meu ensaio é sobre beleza e não sobre decadência…………

( Foto:  Quadro de F.Pessoa de autoria de  Bernardo Soares)

10 comentários a “1º de Dezembro, Pessoa e a Mensagem

  1. Pessoa eterno … Mensagem actual … “As nações todas são mysterios.
    Cada uma é todo o mundo a sós. ”
    Amo este retrato de Pessoa.

    Bom feriado e um abraço extensivo …

  2. Jorge: Por acaso descobri há dois ou três meses atrás esse vídeo da Betânia interpretando como poucos o poema do Menino Jesus do Pessoa. É magistral. Um dia destes colocarei aqui. Obrigado pela sugestão e um bom feriado. Abraço – Palma

  3. Liliana: Neste feriado cinzento mas sem chuva sabe bem ler o grande Pessoa e porque não ouvir a Betania declamar como o Jorge indica, o Poema do Menino Jesus. Acho espantoso que seja um brasileiro a dizer desta forma tão sentida aquele poema do nosso Fernando. Bom feriado e bom almoço. Abraço – Palma

  4. E Renhanhannhau… Palma acabou a exposição e quem viu viu, e quem não viu, a verá jamais,rsrs. Foi pena não ter mandado o quadro… in homenagem a Fernando Pessoa… “Quantas noivas ficaram por casar, para que fosses nosso ó mar”… fica para a próxima se houver próxima… na semana que aí estive, perguntei a muitos amigos se já tinham ido visitar a exp… resposta… não tinham conhecimento… seria por falta de sinalética?… se calhar foi… por vezes não basta a notícia onde ninguém lê, ou num jornal que ninguém compra, é preciso mais qualquer coisa, eu não deixei de cumprir com o prometido, e quem viu viu, quem não viu que vá à net, sempre vêem qualquer coisinha através dos blogs da Louletania, e do seBastião, aos quais aqui deixo os meus agradecimentos. Inté. L.F.

  5. Luís Furtado eu também sou dos que defendem, que pelo menos quando é um artista da terra e bastante conhecido no burgo, deve ser feita mais alguma publicidade de outro tipo que não a agenda e uma ou outra notícia para os jornais. Mas isto sou eu a falar que não estou por dentro destas organizações para as quais é preciso ter alguma prática e estaleca. \\ Ficará para uma próxima . Se Deus quiser e os homens também…. fará certamente outra.
    Realmente poderia ter vindo o quadro do Pessoa. O Aleixo foi um sucesso já que toda a gente com quem falei todos o referiram como um belo retrato.\\ É preciso também ver que Loulé não é uma terra que admire os seus artistas de um modo mais especial como acontece noutras terras. Enfim…. terras e gentes diferentes e outras coisas que tais…. Uma boa noite e acho que apesar de tudo valeu a pena ter vindo expôr à sua Louletania. Por aqui demos e continuaremos a dar o devido destaque. Abraço – Palma

  6. Palma e Luís; partindo de uma imagem do “Livro de Honra” vou escrever um texto no “sebastiao” em jeito de avaliação desta bela exposição.
    Matéria não me falta mas terei que ponderar bem as expressões que usarei e escolher as pinças adequadas para não causar infecções numa boa iniciativa cultural e tertuliana.

  7. Almeida: Concordo em absoluto com esse teu desejo de publicação. Mãos à obra . Cá estamos esperando para depois podermos opinar . Abraço – Palma

  8. Diz o Luis Novaes Tito na sua Regra do Jogo: “Não deixou de ter uma certa graça termos tido o Rei Juan Carlos a dormir em Portugal na noite de 30 de Novembro para 1 de Dezembro de 2009, data em que, para além da data, fica assinalada a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Se Miguel de Vasconcelos sonhasse o que 369 anos depois se iria passar, talvez não tivesse morrido. Se Dom Sebastião tivesse voltado a tempo, em vez de nos deixar nesta angústia de o supor retornar sempre que há nevoeiro, nem que reencarnado com botas, muito sofrimento se teria poupado.

    Foi tudo em vão. Nem os mortos ressuscitaram nem as fronteiras, apesar de Olivença, se deixaram de estender aos Urales. “

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