Letra J do nosso abecedário – Jardim dos Amuados

Jardim Amuados 1970

O JARDIM DOS AMUADOS

Todos os louletanos, mas em especial os de algumas gerações atrás, sempre conheceram o jardim cuja imagem hoje apresentamos num postal ilustrado de 1970 , como o “ Jardim dos Amuados”. Situado frente à Igreja Matriz e num local com vista para a parte baixa da cidade, sempre foi muito procurado pelos amantes da Natureza e talvez por muitos «amuados» que ali se refugiavam certamente, depois de alguma discussão mais acesa com as namoradas. Daí, talvez o nome porque é conhecido ainda hoje.

Também naquele local e antes de ser jardim, possívelmente na última década de1800, existiu ali um cemitério conhecido pelo Cemitério Antigo de Loulé e que ocupava parte do adro da Igreja Matriz.

Nos tempos da minha adolescência e ainda sem os edifícios que foram construídos nos anos oitenta e noventa, a vista que se desfrutava do jardim era espectacular, já que se podia observar o antigo casario, uma horta luxuriante propriedade de um conhecido louletano, o Snr. Inês, e ainda pelo rendilhado de muitas chaminés típicamente algarvias.

Uns anos mais tarde quando apareceram os primeiros rádios de transistores de pilhas, para ali nos deslocávamos em noites de lua clara e em plena década de sessenta, para ouvir com mais nitidez e longe de alguns olhares punitivos, a “ Rádio Portugal Livre” transmitida de Argel e cujo locutor era o Manuel Alegre. Alguns de nós recebemos neste lugar, as primeiras lições sobre a politica daquele tempo quer em Portugal quer no resto do mundo.

Este ainda é um dos bonitos e típicos jardins da Louletania. No entanto duvido que ainda hajam amuados que ali se refugiem para carpir as suas mágoas. É que os tempos continuam mudando como cantava e canta o conhecido homem de baladas de protesto, o conhecido Bob Dylan.

Texto: Palma: Foto: Postal ilustrado de 1970.

Letra I do nosso abecedário – Igreja de S.Francisco

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Manel da baracinha tocando os sinos de S. Francisco em 1969

Manel da baracinha tocando os sinos de S. Francisco em 1969

A IGREJA DA MINHA INFÂNCIA

A maior parte de nós que fomos baptizados e frequentámos durante anos a catequese católica, fizemo-lo na igreja da nossa freguesia. E neste caso e como podemos ver pela foto,

pelo menos os louletanos, identificam à primeira vista a Igreja de S. Francisco.

Templo que data de 1518 mas que na altura era uma pequena ermida comparada com a Igreja de S. Francisco de hoje. Segundo Ataíde de Oliveira, ….”antes de 1518 por ocasião de uma grande peste, muitas paróquias tomaram a resolução de fundar fora do povoado, mas à entrada do mesmo , ermidas dedicadas a S. Sebastião – Advogado contra a peste “. Mais tarde em 1890 é declarado pela Ordem Terceira de S. Francisco que o templo seja a sede de uma nova freguesia. Portanto é de há muito que se venera tanto o S. Sebastião como o S. Francisco nesta velha igreja louletana.

Aqui, muitos de nós para lá da catequese que nos ensinaram, enriquecemos o nosso intelecto graças a um padre italiano muito dinâmico na época, de nome Luís Celato e que «revolucionou» a Paróquia dinamizando um grupo desportivo, uma pequena biblioteca, sessões de cinema e teatro entre outras actividades. Mas falaremos dele num outro dia já que merece uma página pela importância que teve na vida de muitos louletanos de S. Sebastião.

(a) Foto da igreja obtida na tarde de ontem.

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A segunda fotografia que aqui apresentamos foi por mim obtida no ano de 1969 no campanário da igreja e mostra uma das figuras louletanas mais populares na época. Chamava-se Manuel Tereza mas era conhecido pelo Manel da Baracinha, já que andava pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite fazendo a clássica baracinha . Com ela cosiam-se as esteiras, as alcofas e toda a mão de obra de palma de manufactura grosseira, hoje em extinção. Mas o Manel não era só conhecido pela “ baracinha”. Era um verdadeiro artista no tocar dos sinos do Campanário já que era

ele o encarregado de tocar tanto para baptizados, casamentos, funerais , missas e outras cerimónias que ao longo do ano decorriam na igreja. Para todas estas ocasiões o toque dos sinos era diferente. Mas para um verdadeiro mestre como era o nosso Manel, não haviam segredos ou hesitações.

Na fotografia, com algumas deficiências de revelação, pode ver-se a atenção e o entusiasmo despendido pelo Manel no toque de sinos naquele momento.

(Texto e fotos: Palma )

Letra H do nosso abecedário – Horas da Torre

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HORAS CERTAS NA TORRE DO RELÓGIO

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A presente fotografia mostra-nos a fábrica de relógios L.D: Odobey situada em Morez cidade donde veio o relógio da nossa torre.

Quando era criança recordo-me de que a maior parte dos adultos se «guiavam» pelas horas do chamado relógio da Praça ou seja, do relógio existente na Torre ao lado da Câmara Municipal.

Nessa altura talvez porque o trânsito não era muito, havia um maior silêncio na vila e daí certamente o facto de se ouvirem as badaladas da Torre do Relógio em qualquer rua onde nos encontrássemos.

Na Monografia do concelho de Loulé de Ataíde de Oliveira e em relação a este tema encontrei…” … por volta de 1803 …1804, o Juiz de Fora, que era Presidente da Câmara, mandou levantar sobre o arco da praça uma torre para o relógio. O sino pequeno é de 1805 e o grande de 18o6 “.

Em conversa com um amigo há uns anos atrás contava-me ele que este nosso relogio

teria sido comprado a uma fábrica francesa situada na vila de Morez. Nesta vila chegaram a existir 17 empresas de relojoaria do tipo Morez e entre 1860 e 1880 foi quando aconteceu o auge das vendas para todo o mundo. Cerca de 80.000 unidades por ano. Uma forte concorrência e uma mudança nos gostos dos compradores conduziram a uma redução drástica a partir da 1ª Guerra Mundial.

Por acaso, há cerca de vinte anos o Grupo de Teatro Laboratório de Faro de que eu fazia parte, visitámos e representámos nessa pequena e bela cidade francesa ,desconhecendo nessa altura que o velho relógio da Torre da Praça que continuamos a escutar, foi fabricado algures naquela bela localidade do Jura francês.

(Palma: texto e fotog.)

Letra G do nosso abecedário – Gata Branquinha

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OLÁ ! SOU A BRANQUINHA !

Olá amigos! Sou a Branquinha e apesar desta minha alta pose para o Blog cá da casa, não tenho pretensões de chegar a vedeta. Do que eu gosto mesmo é de umas boas sonecas, uma comidinha saborosa e de receber mimos apesar de não lhes corresponder por vezes com a mesma

doçura com que mos oferecem.

Embora já não me recorde, dizem por aqui , que alguém me deixou junto dos contentores do lixo. Talvez porque não nutrisse grande simpatia por gatos ou então porque não tivesse um cantinho lá em casa para me oferecer, ou pelo menos… alugar rsss.

Às vezes levam-me para tomar banho, coisa que eu acho horrorosa, pois parece que não perceberam ainda, que nós gatos, lavamo-nos todos os dias. De qualquer modo jamais saíria daqui deste meu cantinho. No muro do quintal ou mesmo nesta janela , levo horas a observar a rua e sobretudo os outros gatos que não tiveram a sorte de obter um refúgio como o meu. Sinto imensa pena deles mas nada lhes posso fazer senão acenar-lhes com a cauda ou lançar-lhes um olhar de compaixão por os ver abandonados pelas ruas esperando que alguma alma caridosa lhes venha dar os restos de uma qualquer refeição.

E agora está na hora de mais uma soneca. Passem muito bem. Duas lambidelas para cada um de vocês e até qualquer dia.

Branquinha

( Foto : Palma )

“ Os gatos amam mais as pessoas do que elas permitiriam. Mas eles têm a sabedoria suficiente para manter isso em segredo.”

Mary Wilkins