Rumo ao 5 de Outubro

Postais Primeira Republica_Antonio Ventura_capa livro

Neste dia 31 de Janeiro iniciam-se as comemorações do centenário da implantação da República em Portugal.

Louletania Republicana, não quis deixar passar a data sem fazer uma breve referência a estas comemorações.

Em Loulé terra de ilustres Republicanos, também por aqui muitas movimentações aconteceram nesse ido ano de 1910.

Do Jornal “ O Povo Algarvio ” na sua última edição antes da implantação da República narrava assim um comício republicano em terras de Loulé:

“…Na tarde se segunda feira, como fora anunciado realizou-se o comicio de propaganda eleitoral republicana, perante uma audiência superior a mil e quinhentas pessoas, que se aglomeravam em frente da tribuna popular, que se elevava em recinto apropriado no Bairro Ascensão e no qual se erguia soberbamente, abandeira bicolor – vermelha e verde – que a uma rija brisa adejava alegremente como que chamando a si todo um povo sequioso do seu bem estar económico e civil, para a proclamação do nobre ideal que nos abrira´novos e rasgados horizontes, de luz, de paz e de moralidade dessa sublime e gigantesca figura da República, a cuja sombra se abrigam os homens de bem e medram grandemente as nações que têm a felicidade de serem iluminadas por ela………

Eram 4 horas daquela tarde quando vindos da risonha povoação de S. Braz de Alportel, se apearam em frente do Centro Republicano Azevedo e Silva, os propagandistas acompanhados de alguns amigos, que caminharam por entre muito Povo…….

(Jornal O Povo Algavio ) – Fonte: Loulé no século XX de Isilda Martins – Edição da Câmara de Loulé por deliberação camarária de 23 de Setembro de 1998 ).

Imagem : Capa de um recente livro intitulado “ Postais da 1 ª República “

No dia dos meus anos…..

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No dia dos meus anos……

Quando já passaram por nós muitas Primaveras, embora nos pareça sempre que foi quase tudo ontem na parte da tarde, acabam sempre por vir à memória os aniversários da infância, altura que eu acho a mais feliz para se apagar as velas de um bolo, mesmo daqueles mais pequeninos e sem o colorido dos plastificados super heróis de hoje, que nos olham sorrindo como se fossem convidados da festa.

Há pouco, procurando algumas fotografias da minha infância, descobri esta que aqui publico, tirada num antigo Estúdio de Loulé no dia de um desses aniversários.

E entre as pessoas que mais gosto de recordar nesta data, está sempre presente a minha Mãe a quem dedico este poema esperando que um dia nos encontremos de novo “Para Sempre.”.

Palma

Loulé, 29 de Janeiro de 2010

PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães se vão embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

Dançando à chuva com Gene Kelly

Num dia invernoso como o que se faz sentir hoje, apetece ir por aí com o guarda-chuva saltitando por entre as pequenas poças de água deste chuvoso Janeiro, imitando (desastradamente…. claro) o grande Gene Kelly no filme “ Serenata à Chuva”.

O pequeno clip que hoje apresentamos mostra-nos a arte de Kelly no filme que referimos. Ele dançou, coreografou e cantou de uma forma tão simplesmente extraordinária que jamais qualquer cinéfilo o esquecerá.

Gene Kelly aprendeu a dançar ainda pequeno, estimulado pela mãe que o matriculou num curso de dança junto com seus quatro irmãos. Durante a crise económica dos anos vinte, Kelly exerceu diversas actividades, entre as quais bailarino de teatro de variedades. Só 18 anos mais tarde, começou uma carreira na Broadway, em Nova York, ganhando projecção com o papel principal no musical “Pal Joey”, em 1940.
No ano seguinte, Kelly mudou-se para Hollywood. O seu primeiro sucesso foi o filme “Idílio em Dó-Ré-Mi”, de 1942. Combinando passos de dança com movimentos de câmera, o trabalho de Gene Kelly tornou-se clássico em filmes como “Marujos do Amor” (1945) e “Um Dia em Nova York”, de 1949. O filme “Sinfonia de Paris”, de 1951, arrebatou seis Óscars e deu a Gene Kelly um Óscar especial pela sua “versatilidade como actor, cantor, director e dançarino, e especialmente pela sua brilhante contribuição para a arte da coreografia no cinema”.
Em 1952 foi lançado ” Dançando à Chuva”, em que Gene Kelly contracenou com Donald O’Connor e Debbie Reynolds. As seqüências antológicas do filme, marcadas pelo estilo vital e atlético de Kelly, ficaram gravadas na história do cinema.
Depois do sucesso de “Dançando à chuva”, Gene Kelly passou dezoito meses na Europa, onde concebeu o filme “Convite à Dança”, que dirigiu e coreografou e em 1960 foi agraciado com a Legião de Honra do Governo Francês. De volta aos Estados Unidos, Gene Kelly realizou uma sucessão de filmes bem sucedidos. Actuou como director e estendeu a sua participação a programas de televisão.
Nos anos oitenta, entretanto, a carreira cinematográfica de Gene Kelly entrou em declínio. De qualquer modo, cinco anos mais tarde, recebeu ainda um prémio por toda a sua obra, da Academia Americana do Filme . Aos oitenta e três anos Kelly não resistiu a um derrame e partiu para a eternidade onde certamente continuará a encantar milhões de admiradores, quem sabe , saltitando nas nuvens.

Palma – Fonte: UOL – Educação

No tempo em que os homens usavam chapéu

A velha fotografia que hoje trazemos a esta página, foi tirada na década de quarenta do século passado, no Largo do Chafariz, à porta do estabelecimento de dois chapeleiros louletanos que na altura iniciavam essa actividade. Eram eles Casto Palma Santos e António Palminha dos Santos. Com o seu desaparecimento há alguns anos atrás, desapareceu também da nossa terra a arte de chapelaria de feltro. É certo que até ao início da década de setenta era comum os homens usarem

chapéu. Basta olhar qualquer fotografia de décadas atrás para o constactarmos .

As Fábricas de Chapelaria Portuguesa situadas na zona norte do país eram bastante conceituadas exportando para muitos países do mundo os seus chapéus.

E apesar dos tempos terem mudado e o chapéu ter caído em desuso, o que é certo é que nos dias de hoje ainda marcamos presença no mundo da chapelaria, como é o caso da empresa “Fepsa – Feltros Portugueses S.A.” que é líder mundial no fabrico de feltros de alta qualidade. Desde 1969 altura em que quatro industriais de chapelaria se associaram e se dedicaram exclusivamente à especialização no fabrico de feltro que a referida fábrica continua liderando esta indústria.

Figuras da política, da música e do cinema do Mundo actual , usam chapéus com feltro produzidos em S. João da Madeira. Entre outros podemos citar Vladimir Putin, Roberto de Niro, Georges Bush, Nicolas Cage e elementos dos Black Eyed Peas.

Fotos: Arquivo – Louletania.

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