Heranças de Mick Jagger

Georgia May Jagger.

Depois de Mick, Elizabeth, Jade ou Bianca… eis que chega Georgia, um condensado de sex appeal.

O Pai ? Um Rolling Stone de peso (Mick), a mãe, uma modelo mítica (Jerry Hall).

Daí que Georgia tenha bons genes e a quem saír : com 17 anos ela junta os cabelos louros da mãe e a boca carnuda do pai. Jerry Hall é o seu modelo. Georgia adora a família. Elizabeth, a irmã mais velha, é a sua melhor amiga.

O que faz ? : Fotografada por Mario Sorrenti para a campanha de publicidade da marca Hudson Jeans, Georgia é a sensualidade personificada.

Namora com Django James, músico e filho de Dave Stewart, ex Rurytmics.

Fonte: Máxima

Enfim….. Jagger quase septuagenário continua a dar nas vistas nas obras que vai deixando neste mundo.

Façam favor de apreciar condignamente a menina Georgia. O Papá não se importa.. certamente.

As efémeras Borboletas

Hoje tive uma visita no meu quintal , das que há muito não aconteciam.

Uma borboleta. De cores tão fantásticas que dificil será algum pintor conseguir

transpôr para a sua tela. Anunciava certamente a Primavera que aí está pungente de cor e aromas.

Lembro-me de amigos meus, com a «mania» das colecções, correrem atrás de frágeis borboletas causando-lhes a morte só porque as suas colecções não podiam ficar para trás.

Alguns desses frágeis e pequenos seres duram às vezes apenas um dia.

Benito di Paula , cantor brasileiro e defensor da Mãe Natureza, tem no seu reportório

uma canção que é um hino em defesa das borboletas.

Deixamos aqui uma bela foto de autoria de João Palmela e a tal canção de Benirto di Paula.

Sant-Exupery diz: “É preciso que eu suporte duas ou três lágrimas se quiser conhecer as borboletas.”

Palma

UM DIA COM HISTÓRIA, QUE FICOU PARA A HISTÓRIA

Aí está a madrugada cantada por Sofia de Melo Breyner e outros grandes poetas da nossa Língua.

Neste ano em que se comemoram 100 anos sobre a implantação da República Portuguesa é naturalmente mais emocionante comemorar o 25 de Abril, essa data que mudou incontestavelmente Portugal . Apesar de todas as crises somos hoje um País diferente para melhor.

Aqui prestamos mais uma vez homenagem a todos os que de qualquer forma contribuiram para a chegada desta madrugada luminosa de liberdade.

Desta vez deixamos duas obras de arte de dois grandes vultos da cultura Portuguesa. Ary dos Santos e Eduardo Gageiro.

Um bom dia VINTE E CINCO para todos !.

Palma

«Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais infeliz

dos povos à beira-terra.

(…)

Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempo do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.

(…)

Foi então que Abril abriu

as portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra

na madrugada serena

um poeta que cantava

o povo é quem mais ordena.

(…)

Foi esta força viril

de antes de quebrar que torcer

que em vinte e cinco de Abril

fez Portugal renascer.

E em Lisboa capital

dos novos mestres de Aviz

o povo de Portugal

deu o poder a quem quis.»

Lisboa, Julho-Agosto de 1975

Antes do vinte e cinco….

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967


Este poema de Manuel Alegre simboliza a esperança pela Liberdade e foi cantado por  Adriano Correia de Oliveira. O cantor era um amigo do poeta e companheiro das lutas estudantis em Coimbra.
Anos antes, o convívio entre os dois possibilitou a criação de um  poema-cantiga que ficou na história da resistência à Ditadura. *Conta-se que numa noite, em plena Praça da República em Coimbra, Manuel Alegre exprimia a sua revolta:
«Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não».
E Adriano Correia de Oliveira disse «mesmo que não fiquem mais versos, esses versos vão durar para sempre». Ficaram. António Portugal compôs a música .  «E depois o poema surgiu naturalmente». Tinha nascido a Trova do vento que passa.
Três dias depois vieram para Lisboa, para uma festa de recepção aos alunos na Faculdade de Medicina. Manuel Alegre fez um discurso emocionado, depois Adriano Correia de Oliveira cantou e quando acabou de cantar:
«foi um delírio, teve de repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino».

*Eduardo M. Raposo, Cantores de Abril – Entrevistas a cantores e outros protagonistas do Canto de Intervenção, Lisboa, Edições Colibri, 2000.