“ Na Pensão Luar do Cadoiço “ em Ferragudo

Associação Cultural e Desportiva de Ferragudo

Dia 1 de Dezembro pelas 17H00 a Associação Cultural e Desportiva de Ferragudo recebe

pela 4ª vez o Teatro Análise de Loulé que desta feita irá apresentar a sua última produção “ Na Pensão Luar do Cadoiço”.

Esta dinâmica Associação, para lá das muitas actividades que desenvolve ao longo do ano, não esquece nunca o Teatro, sendo certo que o Grupo TAL de Loulé está sempre dentro das suas preferências o que registamos com agrado.

Eis a sinopse da comédia de humor absurdo que será apresentada em Ferragudo:

“ Num velho convento algures, oito simpáticas freirinhas lutam contra os males da velhice somando-se a estes a deserção da mais antiga freira que ali vivia e que passados cem anos do seu ingresso naquela casa de recolhimento e devoção, chega à conclusão de que nunca teve vocação para a clausura conventual. Na hora da saída um médico amigo faz-lhe um exame rápido descobrindo nela algo que jamais vira ou lera nos milhares livros onde estudou. Os seus ouvidos e olhos possuem faculdades nunca vistas. Trata-se na realidade de um ser humano diferente de todos os outros.

Recolhida a uma pensão por dificuldades em enfrentar o exterior, Angélica depara-se com uma proprietária em crise existencial e alguns clientes problemáticos que lhe vão causar dissabores por não entenderem a sua diferença do comum dos mortais.

Em palco desfilarão velhas vozes desaparecidas há muito, como Edith Piaf, Amália, Marilyn Monroe, tudo graças aos poderes misteriosos de D. Angélica.

Não faltará quem a pretenda liquidar ou quem a ache um ser sobrenatural.

Será que o público obterá a resposta ou terá que ficar eternamente na dúvida sobre de quem se trata esta personagem nascida sabe Deus onde, e criada num convento desde o dia da implementação da República em Portugal.” ( António Clareza)

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Fotos de Tátá Regala : Vista parcial da A.C.D. Ferragudo \ Cena da Peça “ Luar do Cadoiço”

Onde a terra acaba e o mar começa….

Após percorrer uma das maiores pontes de madeira da Europa, por sobre a Ria Formosa, ficamos frente a frente com o mar. Ali… onde a terra acaba e o mar começa e onde o vento nos trauteia cantigas de velhos marinheiros, apetece-nos ficar……..olhando e conversando com o velho M A R…….

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Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia

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Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar me dizia.
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Chorámos, rimos, cantámos.
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Falou-me do seu destino,
Do seu fado…
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Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.
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O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz mal!
Deserto de águas sem fim.
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Ó sepultura da minha raça
Quando me guardas a mim?…
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Ele afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado…
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Ao longe o Sol na agonia
De roxo as águas tingia.
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«Voz do mar, misteriosa;
Voz do amor e da verdade!
– Ó voz moribunda e doce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte…»
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E os poetas a cantar
São ecos da voz do mar!

António Botto, in ‘Canções’ \\\\ – Foto de Palma : Tarde de Outono na Ria Formosa- Nov. 2010

Há poucas horas em Sevilha……

Há umas horas atrás em Sevilha, nessa cidade cujo encanto é permanente e que nunca nos cansa visitar , sentia-se no ar aromas do Oriente, entre risos de crianças e música de uma beleza indefinível. Na famosa Rua Sierpes dois músicos apenas, enchiam o ar com os seus instrumentos, dessas notas musicais que nos fazem suspender o andamento para ficar escutando……

E como dizia o escritor brasileiro Ruben Alves……” Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos de volta um passado. Lembramo-nos de lugares, objetos, rostos, gestos, sentimentos… Aquele hino Deus vos guarde pelo seu poder provocará sempre, Jether, a memória do barco seguindo o navio. Lembrar-se do passado é triste-alegre… Alegre porque houve beleza de que nos lembramos. Triste porque a beleza é apenas lembrança… Não mais existe. Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca aconteceu. É uma saudade indefinível, sentimento puro, sem conteúdo. Não nos lembramos de nada. Apenas sentimos. Sentimos a presença de uma ausência… Fernando Pessoa se refere a uma saudade vazia? Saudade é sempre “saudade de”. Mas essa saudade é saudade pura, sem ser saudade de coisa alguma. Será possível ter saudades de algo que não foi vivido?. ´”

– Foto: Maria do Céu –

APENAS UM POEMA……..

….. De vez enquando trazemos aqui à página da “Louletania” alguns dos mais belos poemas de Florbela Espanca.

…..Admirada por milhões de amantes da poesia, Florbela continua a conquistar mais e mais admiradores, sobretudo nos países em que se fala o português, apesar dos anos que já passaram sobre o seu desaparecimento terreno.

E aqui deixamos de novo mais um dos seus imortais poemas……….

Imagem: Blog Verluci de Verluci Almeida

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A vida
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É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento…
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é lançar flores ao vento!
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Todos somos no mundo , “Pedro Sem”
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!
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A mais nobre ilusão morre… desfaz-se…
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida…
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Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, ó meu Amor, se é isto a vida!