As Batalhas de Flores de Loulé aí estão de novo……….

Estamos sensivelmente a um mês dos festejos carnavalescos de 2011. E como é natural ,

já estão em funcionamento as máquinas organizadoras dos muitos e variados Carnavais de Portugal.

O tom abrasileirado que tomou conta da maioria deles traz cada vez mais aos desfiles, algumas razoáveis mas também pobres imitações das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Em Loulé, desde 1906 que estes festejos deixaram de ser agressivos e de piada duvidosa para se transformarem em vistosas Batalhas de Flores que se têm mantido até aos dias de hoje.

O nosso conterrâneo e amigo Luís Furtado, homem de muitos carnavais, é o autor mais uma vez do cartaz do Carnaval de Loulé 2011 e de alguns carros que vão desfilar nos dias 6, 7 e 8 de Março na Avenida José da Costa Mealha.

E como a vida corre veloz, já muito pouco tempo nos separa dessas festividades tão apreciadas por muitos folgazões ou simples curiosos que se deslocam ao recinto dos desfiles louletanos.

Palma

Imagem: Cartaz do Carnaval de Loulé 2011 de autoria do pintor/cenógrafo louletano Luís Furtado.

QUANDO EU FOR PEQUENO……..

Quando Eu For Pequeno

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.
……………………………………………..
Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.
………………………………………………..
Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.
………………………………………………………….
Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.
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José Jorge Letria, in “O Livro Branco da Melancolia”

Fotografia: Camponesa da Serra de Monchique – 1955

gentilmente cedida por Luis Guerreiro

E o Algarve vestiu-se de branco…!

Em poucos dias o Algarve ficou de branco vestido. Salpicado um pouco por todo o lado, da tal brancura imaculada como a neve, mas em forma de flor., aí está a paisagem desejada por muitos tal como na antiga “Lenda das Amendoeiras floridas”. Se a tal neve tarda em visitar estas terras do sul, as amendoeiras no seu ciclo anual oferecem-nos esse espectáculo maravilhoso.

E no post de hoje, juntamente com as duas fotos obtidas há algumas horas atrás, deixamos também este poema de Maria da Conceição Elói poetisa popular de Paderne (1898 -1979).

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Ao de leve

De mansinho

Cai a neve

No caminho…

E o luar desce do céu

Como um véu

De uma noiva encantadora,

Que a cismar

O estendesse a voar

Aos pés de Nossa Senhora.

E por toda a Natureza,

Como um murmúrio de reza

Fica nossa alma a sonhar,

Absorta horas inteiras

Na branca luz do luar,

Na flor das amendoeiras.

Umas de cândida alvura

– Que nem a neve mais pura –

E a cor das outras rosada,

Aquela mimosa cor

Com que o celeste Pintor

Tinge o céu de madrugada.

Charnecas são um encanto,

As planícies outro tanto

E assim,

Em cada canto e recanto,

O Algarve é um jardim!

E a lua sobe a sonhar,

Envolta em véu de tristeza,

Que a sua voz – o luar

Tem mistérios de beleza…

Anda um perfume ao de leve,

Vago e breve,

A evolar-se no ar…

No céu azul, luz e cor,

Há pétalas no caminho,

E o vento ensaia baixinho

Uma alegria de amor.

Oh! meu Algarve! Canteiro

Que no Inverno é mais lindo,

Com seu luar de Janeiro

E amendoeiras florindo!

  • Poema: Maria da Conceição Elói
  • Fotos : Palma