SERENATAS DE COIMBRA

Sabe-se, que pelo menos, desde o século XVI, era hábito os estudantes de Coimbra cantarem e tocarem, noite dentro, pelas ruas da cidade. Prova factual é a missiva que o rei D. João III envia ao então reitor da Universidade, a 20 de Junho de 1539, dando conta da necessidade em se pôr fim à algazarra e às cantorias que os estudantes faziam até altas horas da noite, já que eram muitas as queixas dos habitantes da velha urbe. Se seria um Canto Serenil (única e exclusivamente de cortejamento por uma mulher), não o podemos, seguramente, afirmar; mas que era um canto de rua, disso não restam dúvidas.
Sabe-se, também, que no ambiente académico do século XVIII, os estudantes cantavam miles trovas, e que, na Coimbra daquele tempo, era hábito cantarem-se canções de amor e cantigas populares, reflexo de um salutar intercâmbio entre o duplo filão desta Canção que, e muito bem, chegou aos nossos dias.

 

Jorge Cravo

********************************************************************************

 

PASSARINHO DA RIBEIRA
…………………………………………
Passarinho da ribeira
Se não és meu inimigo
Empresta-me as tuas asas
Deixa-me ir voar contigo
…………………………………………
Ao longe cortando espaço
Vai um bando de andorinhas
Que te levam um abraço
E muitas saudades minhas

FADO SEPÚLVEDA

Dizem que amar é viver
Mas mesmo morte que fosse
Que me importava morrer
Pois se o amar é tão doce
………………………………………..
Se os meus olhos te incomodam
Quando estão à tua frente
Eu prefiro arrancá-los
Para te amar cegamente

FADO DE SANTA CLARA

Eu ouvi de Santa Clara
Gemidos de alguém que chora
Era a Rainha pedindo
Por mim a Nossa Senhora
………………………………………….
Aos pés de Nossa Senhora
Rezando pedi-lhe um dia
Que não rezasse chorando
Que os anjos entristeciam
…………………………………………..

 

Letras de fados de Coimbra in “O canto e a música de Coimbra”

Fotografia: Cartaz de autoria do pintor José Maria Oliveira por ocasião de uma Serenata de Coimbra realizada no Monumento a Duarte Pacheco – Loulé – Década de 80

Não fora o Mar ………

Não Fora o Mar! Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.

Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.

Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.

\\\\\\\\ Fernanda de Castro, in “Trinta e Nove Poemas”

( Escritora nascida em Lisboa em 8.12.1900 e falecida em 19.12.1994 )

Foto: Pintura a óleo de Charnine )

Cem anos de Turismo em Portugal

No princípio do século XX, o reconhecimento da importância do lazer levou a que quase todos os países da Europa criassem instituições governamentais com o fim de se promover e organizar o Turismo.
No que toca a Portugal, a implantação do regime republicano introduziu transformações políticas, sociais e administrativas. Na Sociedade Propaganda de Portugal, o seu fundador, Leonildo de Mendonça e Costa, foi substituído na presidência por Sebastião Magalhães de Lima, iniciando-se um novo ciclo. A realização do IV Congresso Internacional de Turismo traria dividendos para o regime republicano, sobretudo na imagem externa de Portugal, sendo uma prova da aceitação do regime por parte de outros países europeus.

 

Neste ano de 2011 também em Quarteira, está a decorrer uma exposição sobre como decorreram estes cem anos naquela estância balnear do nosso concelho.

A exposição que teve a supervisão do Engº Luís Guerreiro está decorrer naquela localidade até ao próximo dia 1 de Julho.

Quanto à foto que apresentamos trata-se de um dos autocarros que há cerca de cinquenta anos fazia o transporte de gente de Loulé que esperavam anciosamente pelos domingos para se banharem nas quentes águas da praia de Quarteira, a mais procurada do nosso concelho.

 

Fonte: Jornal Oeste Online – Imagem: foto gentilmente cedida por Luís Guerreiro – Camioneta que se encontra no Museu da E.V.A. em Portimão ). –

Verde verde foi Loulé…….

Foi-nos enviada por mão amiga, um pequenino poema de uma louletana que se diz sem pretensões a grandes voos na poesia já que a simplicidade dos seus poemas apenas é mostrada aos amigos e familiares. De qualquer modo como são muitos os louletanos que desejam ver mais verde em lugares de Loulé que foram em dias de calmaria o refúgio de muita gente, aqui fica o pequenino poema de Maria.

 

 

Verde verde foi Loulé,

Em tempos que já lá vão

Hoje as sombras são tão poucas,

Cabem na palma da mão.

 

Em S. Francisco jardim,

Onde brinquei em criança

É hoje quase um deserto

Há espera de outra mudança

 

E na Praça da República

Nossa sala de visitas,

Foram-se as árvores frondosas

Ficou lugar de eremitas.

 

E para terminar por agora

Quero pedir sem rebeldia

Deixem Loulé ser mais verde

Todos agradecerão um dia !

 

Maria Louletana poetisa de fim de semana, mas sem pretensões no mundo da poesia.

Loulé Junho de 2011 – (olhando desolada o velho jardim de S. Francisco )