A Pintora Zulmira Alliot partiu……

Foi com pesar que soube do desaparecimento físico de uma cara amiga, pintora de profissão que foi hoje a sepultar em Quarteira, local onde residia há já alguns anos.

Zulmira Alliot de seu nome, iniciou a sua carreira em França onde viveu durante algumas décadas tendo exposto em diversas galerias, regressando mais tarde a Portugal onde fixou residência em Viseu e posteriormente em Vilamoura -Quarteira.

Conheci a simpática Senhora Alliot, há cerca de quinze anos numa sua exposição na Galeria do Convento Espírito Santo em Loulé, e desde então, acompanhei com alguma regularidade o desenrolar das suas obras, belos óleos e aguarelas, grande parte delas adquiridas por muitos admiradores da sua pintura.

Em jeito de pequena homenagem à artista e amiga que partiu, aqui fica a reprodução de uma sua estampa sobre papel Chagall Natural com uma edição limitada a 125 exemplares e intitulada “ Terras d’Algarve “. (Edição de Art Développement ADT \SA. Suisse ). \\ –

 

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Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida…

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago…
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

 

(Florbela Espanca )

 

VAMOS AO BANHITO ?

 

A mais poderosa Rainha espanhola , Isabel a Católica, que uniu os reinos de Castela e Aragão, reformou o Clero e patrocinou a viagem de Colombo à América, foi a mesma mulher que em 53 anos de vida apenas tomou dois banhos de corpo inteiro.
Os cuidados de higiene não eram o forte dos monarcas medievais e modernos. Luís XIV tinha medo da água e só tomava banho por ordem médica. Nos mosteiros do século VI só aos monges mais velhos era permitido banho no Natal e na Páscoa. No século XIII só se lavava a cara e as mãos e no Palácio de Versalhes em 1715, as fezes eram recolhidas dos corredores uma vez por semana. E até o nosso D. João VI de Portugal acreditava que a roupa absorvia a sujidade.
No entanto os Romanos esfregavam-se nos banhos públicos mas o Cristianismo, ao condenar o culto do corpo, provocou um retrocesso na evolução da higiene.
Mas foi no século XIX que se revoluciou a dita, surgindo a retrete, o chuveiro, o sabonete, o desodorizante e o papel higiénico.
Hoje, segundo a escritora Katherine Ashenburg os cuidados de limpeza deram um enorme salto “ Caiu-se no exagero da assepsia”.
E se o clima em muitos países continuar a mudar com secas de anos e anos , será que no futuro vamos fazer como os monges do século VI ? Banhito ? Só pelo Natal e na Santa Páscoa !

– – – – – Fonte: Rev.. Sábado –

BAILES DE ANTIGAMENTE

Naquele tempo, as meninas chegavam ao baile da Sociedade Recreativa sempre acompanhadas pela mãe, uma tia ou mesmo uma vizinha de confiança . Era necessário estar vigilante. Ao mais pequeno sinal de distracção o atacante (rapaz) poderia desferir o golpe na sua presa (rapariga). Mas…. e há sempre um mas… nestas pequeninas histórias, quando a EDP da altura, falhava o fornecimento de energia eléctrica à rua onde se realizava o baile, então a felicidade era total. Sala às escuras, orquestra tocando num titmo cada vez mais lento, sempre mais lento, enquanto atacante e presa se vingavam da proibição do contacto dos corpos que lhes tinha sido imposto no início da faena.
Na escuridão da sala, a mãe, a tia ou a tal vizinha de confiança nada podiam fazer perante o terrível apagão. Um apagão que naquela hora, fazia a felicidade dos pares que dengosamente enlaçados, se entregavam aos prazeres proibidos de uma simples noite de baile.
Como os tempos mudaram meus queridos amigos e amigas .

 

 

 

 

“As Três filhas da Mãe” em Ferragudo

Pelo quinto ano consecutivo, o Teatro Análise de Loulé desloca-se ao Barlavento algarvio mais precisamente à bela terra de Ferragudo, para apresentar uma das suas últimas produções : “ As Três Filhas da Mãe” .

A convite da Associação Cultural e Desportiva de Ferragudo, temos o grato prazer de nos deslocarmos mais uma vez à “Sala de espectáculos Carlos Paredes” para apresentar a nossa comédia depois das muitas apresentações no concelho de Loulé.

Sábado – 19 de Novembro pelas 21H00, esperamos que o público nos dê como é habitual, o prazer da sua comparência.

“ Quanto mais teatro amador existir, mais paixão as pessoas manifestarem por representar, por partilharem com o público aquelas horas de prazer, fará com que seja mais fácil recrutar os futuros actores profissionais.- Virgilio Castelo – Actor“