Viva a electricidade ! Abaixo os candeeiros a petróleo !

Completam-se no próximo dia 6 de Março, 95 anos sobre a inauguração da iluminação pública na então vila de Loulé.

Era presidente da Câmara Municipal nessa data, o poeta altense Cândido Guerreiro.

Diziam várias pessoas que conheci há uns anos atrás, de que foi com os olhos arregalados de espanto que os louletanos viram chegar à sua terra a luz eléctrica. A primeira localidade do Algarve a recebê-la já tinha sido anos antes a capital, Faro.

A data desta inauguração em Loulé, coincidiu com a época carnavalesca desse ano e daí, provavelmente, o interessante e humorístico anúncio publicado na imprensa local, conforme se poder ver na foto que publicamos.

 

Fonte : Engº Luís Guerreiro

 

É tempo de despir as fantasias…….

Mais uma quarta-feira de cinzas. Acabou a folia, despiram-se as fantasias e a um canto

um Arlequim está chorando pelo amor da sua Colombina….

Até para o ano !

 

 

 

Quanto riso! Oh! quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão.
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão.

Foi bom te ver outra vez,
Está fazendo um ano,
Foi no carnaval que passou.
Eu sou aquele Pierrot
Que te abraçou e te beijou meu amor.
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade.
Vou beijar-te agora,
Não me leve a mal:
Hoje é carnaval.

(Zé Keti-Pereira Mattos, 1966)

Loulé e a sua antiga Marcha de Carnaval

Na década de cinquenta, o Maestro Frederico Valério foi convidado pela CML a escrever

uma marcha dedicada ao nosso Carnaval, que já era famoso em todo o país na altura . E assim aconteceu. Valério que foi um dos maiores compositores da música ligeira portuguesa, convidou Jerónimo Bragança para escrever a letra e a Rainha da Rádio de então, Maria de Lurdes Resende, para a interpretar.

Julgo que a edição encomendada foi muito reduzida e os exemplares existentes nos dias de hoje serão muito poucos.

Para os que ainda se recordam, mas também para os que nem sequer ouviram falar de tal facto, aqui deixamos a letra da famosa marcha do Carnaval de Loulé podendo-se ver na foto o Maestro Frederico Valério ao centro.

 

Font: Por gentileza de Luís Guerreiro.

ETERNO CONTO

Pus-me a contar à Vida o triste conto

da minha vida, e , perguntei chorando

porque motivo me andará roubando

as miragens azuis a que me aponto;

 

e porque fez de mim um velho tonto,

tendo eu vinte anos, que gastei sonhando

por caminhos sem fim, andando…andando

sem nunca ter chegado a qualquer ponto !

 

– E respondeu-me: – eu não te roubei nada !

Vós é que trilhais mal a própria estrada.

– Há sempre luz e sol onde eu desponto !

 

Mas – vê lá tu -, desde que o Mundo existe,

a todos tenho ouvido um conto triste

e que afinal, é sempre o mesmo conto.

 

Loulé, Julho de 1941 – Fernando Laginha – Poeta Louletano

 

Pintura: Samy Charnine