Um Monstro louletano

O MONSTRO

O Folheto que aqui publicamos é deveras interessante, já que descreve a existência de  um monstro que nasceu a 10 de Maio de 1765, em Monporlé  e morreu seis dias depois. Era um bezerro desfigurado, com dois focinhos, duas bocas e três olhos que despertou grande curiosidade nas gentes de Loulé ao ponto de diariamente as visitas à quinta do lavrador Domingos Martins serem em número significativo. Contaram-se muitas fantasias acerca do ocorrido, descrições que não correspondiam à realidade, levando o cidadão F.J.D.S.R. a escrever uma carta a um amigo onde contava detalhadamente o que presenciou e dizia que foi ele que fez, depois do monstro morrer, «a anathomia em tudo». Este senhor acompanhou a vida do monstro ao longo da sua curta existência e foi ao longo dos dias tecendo considerações sobre as anomalias verificadas, razões do sucedido, outros casos conhecidos e consultas realizadas e até  «a opinião do Senhor Doutor Anselmo Joseph de Souza Callado, Médico desta Villa».

Fotos: Documento de época; imagem de monstro de BD dos tempos de hoje.

Fonte: Luís Guerreiro a quem agradeço a amabilidade.

UM BUSTO DE CARNE E OSSO

UMA ALENTEJANA, ILDA PULGA, EMPRESTOU AS FEIÇÕES E AS FORMAS

À REPÚBLICA PORTUGUESA

 

Pouco depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, foi entrevistada na televisão, um mulher de 82 anos que, se não possuía um discurso muito fluente, dava ainda mostras de grande vivacidade e guardava na expressão e nas posturas uns fortes lampejos de beleza física quase magnética. Chamava-se Ilda Pulga, nascera na vila alentejana de Arraiolos, vivia desde os 18 anos na capital quase sempre trabalhando como costureira – e era a República em carne e osso.

Imitando o exemplo francês, os republicanos portugueses, logo após o triunfo de 5 de Outubro de 1910, desejaram possuir um símbolo nacional com forma feminina, semelhante à Liberdade pintada por Delacroix. Encarregaram então dessa tarefa o escultor Simões de Almeida, que escolheu a jovem e bela Ilda, para modelo. Todas as tardes, a rapariga radiante e atrevida, ía posar para o atelié do artista.

Perdeu-se-lhe em seguida o rasto. A própria República seria em 1926, sepultada pela Ditadura Militar e, em 1933, pelo Estado Novo. Salazar baniu os bustos das repartições públicas

onde tinham estado presentes durante uns poucos de anos como símbolo equivalente à bandeira verde – rubra e ao hino nacional A Portuguesa.

Ilda Pulga morreria em 1993, com 101 anos, sem deixar descendentes, esquecida de todos, num tempo em que a República Portuguesa restaurara já as suas liberdades quase duas décadas antes, mas não desenterrara das arcas da memória este belo símbolo material de cerâmica pintada.

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Fonte: “365 dias com histórias da História de Portugal” de Luis Almeida Martins.

Foto do busto da República: “Blg Formigarras “.

Foto de Ilda Pulga na oficina de trabalho de costureira em Lisboa – Blg. Cinco Tons

 

 

 

 

Loulé \ cidade vista por um artista gráfico

A vila de Loulé é das sedes de concelho do Algarve, com maior crescimento populacional,quase duplicando entre 1732 (4 449 habitantes ) e 1837 (8 393 habitantes). No segundo quartel do século XIX, a instabilidade política resultante das invasões napoleónicas, da fuga da corte para o Brasil, das lutas liberais, da guerrilha do Remexido e do surto de cólera de 1833, determinará nova estagnação da economia e do crescimento da vila. Todavia em 1850, Loulé é vista por Bonnet como a “ vila do Algarve mais agradável para residir e a mais populosa”

 

In “ Guia da Reabilitação e Construção – Edição CML

As imagens que apresentamos são de autoria de Luís Santos – Gráfica Comercial – Loulé – Ano 2000

Ataíde Oliveira e os contos que encantaram gerações passadas

Francisco Xavier d’Ataíde Oliveira, Bacharel formado em Teologia, pequeno de físico, gordo, ventrudo, de charuto na boca e chapéu de côco, cara redonda e cores vermelhas, de bengala, foi um coca-bichinhos em esmiuçar, a ouvir velhos e a mexer em papeis, e de todo esse esforço deu-se a escrever as tradições e costumes do povo do concelho de Loulé (e de todo o Algarve).

Obra valiosa !Não deixou morrer a tradição e deu às moças gentes o fino paladar dos Contos Tradicionais do Algarve, Mouras Encantadas e outros, pelo que a gente miuda muito se entretinha a ler ou a ouvir ler tão vasto arsenal de contos que passavam de mais de meio milhar, distribuídos por dois volumosos livros.

Eram eles sempre o melhor «aperitivo» da petizada antes de se deitar. As avós, sector de basta experiência, muito entretinham os netinhos com as coisas dos seus tempos. Algumas delas eram verdadeiros livros abertos.

Em Loulé haviam muitas pessoas idosas de muito saber das histórias passadas “

Francisco Xavier de Athaíde de Oliveira nasceu mo Algoz em 1842 e morreu em Loulé em 1915.

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In “ Quadros de Loulé antigo” de Pedro de Freitas.

Foto: Largo de S. Francisco vendo-se ao centro o monumento erigido à memória de Ataíde de Oliveira.

Consultar : (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ata%C3%ADde_Oliveira )