A CURTA VIDA DA SEVERA

É considerada a «mãe» do fado, mas não fazemos qualquer ideia da forma como ela cantava.

Chamava-se Maria Severa Onofriana e nasceu em 1820, na rua do Capelão no Bairro lisboeta da Mouraria. A sua vida foi breve pois , morreria tuberculosa 26 anos depois, na mesma rua, sem suspeitar que em volta do seu nome haveria de nascer um mito: o do aparecimento do fado como canção de verdadeiro impacto urbano.

Severa, filha de uma taberneira alcunhada de Barbuda e de um tal Severo de ofício incerto, cedo se tornou prostituta. Era bonita e, entre dois clientes tocava guitarra e cantava o fado com alma,na tasca da mãe, que em breve começou a encher-se de gente atraída pelos dotes da jovem.

Reza a tradição que entre os que íam ouvir Severa,começou a figurar com assiduidade o Conde de Vimioso, que se terá deixado prender pelos seus encantos, levando-a com frequência à tourada,então, no Campo de Santana. Pela data, este só pode ter sido José Bernardino de Portugal, 12º portador do título criado em 1515 por D. Manuel I. Um militar e par do Reino que, diga-se de passagem, ainda haveria de ser primeiro ministro de Portugal…mas apenas por escassas 24 horas, entre 4 e 5 de Novembro de 1836, quatro anos antes da sua morte com sessenta anos incompletos.

A fama desta mulher de contornos difusos, mas inegavelmente mitica, deve-se à novela A Severa, de Júlio Dantas, adaptada ao teatro em 1901, e ao filme homónimo de Leitão de Barros, o primeiro sonoro português, rodado em 1931.

Fora do domínio da lenda, Amália Rodrigues (1920-1999), com a sua grande projecção nacional e internacional, viria a ser incostestavelmente a grande figura do Fado.

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****** Fonte: 365 histórias da História de Portugal de autoria de Luís Almeida Martins

Fotos: Net

Vem aí a época balnear – 1

Agora que estamos a poucos dias do início da época balnear na nossa província, trazemos hoje uma fotografia de um dos autocarros que faziam o transporte dos veraneantes do interior para as praias costeiras, nomeadamente para a praia mais próxima da sede do concelho de Loulé, a Praia de Quarteira.

Na realidade, nas décadas de cinquenta e sessenta, foi a altura em que a procura por essas zonas se tornou mais expressiva. Eram diminutas as famílias que possuíam veículo automóvel próprio e assim, no caso da população louletana, a Empresa de Viaçao Algarve – EVA, era a que transportava diáriamente grande número de passageiros que pretendiam gozar de um merecido descanso à beira mar. Quarteira passou a ser durante o Verão a nossa Saint Tropez tanto para os mais abastados como para os mais humildes.

Quem não se recorda das imensas filas, principalmente aos domingos e logo a partir das sete da manhã para conseguir um bom lugar na camioneta ( EVA ) ? Sacos com as merendas, toldos, boias, baldinhos e um sem número de coisas que as pessoas achavam necessárias para que o dia fosse em pleno, enchiam até a cima as tais camionetas que em certas alturas do percurso pareciam rebentar pelas costuras tal o peso que acarretavam até à famosa estância quarteirense.

Na realidade só as gerações que viveram essa época lembram com precisão o que aqui relato. As outra , as de hoje, certamente julgarão tratar-se de qualquer historieta de ficção.

Foto: Gentilmente cedida por Luis Guerreiro.

DUAS VISÕES DIFERENTES SOBRE FÁTIMA

Passam hoje 95 anos sobre as aparições da Cova da Iria – Fátima. Como é natural neste Mundo, existem os que acreditam piamente e os que dizem ter sido um montagem da Igreja.

Desta vez aqui deixamos duas visões diferentes sobre tais acontecimentos que continuam a fazer correr muita tinta por esse mundo fora.

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Para os céticos gostaria de lembrar ou esclarecer que as aparições estão intimamente ligadas aos acontecimentos planetários, não são fenômenos isolados, coisas de beatos, ou de fanáticos, ou de visionários loucos, como muitos poderiam pensar, mas eventos relacionados com momentos importantes da história da humanidade.
Só para lembrar algumas mais recentes: segundo Fulton Sheen, que foi bispo auxiliar de Nova York há algumas décadas, (conforme citação do padre Valério Alberton, SJ no seu A Virgem Maria nas Aparições de Medjugorje-Edições Loyola, 1986, São Paulo), há uma ligação entre as aparições de Lourdes, na França em 1858 e a de Fátima, em 1917 em Portugal. Fulton Sheen considera mesmo o ano de 1858 como sendo aquele que inicia o mundo moderno, como antítese do mundo cristão.
Isso porque neste ano John Stuart Mill escreve seu Ensaio Sobre a Liberdade, no qual identificava o abuso e a ausência das responsabilidades sociais, gerando o capitalismo, pai do comunismo, que Nossa Senhora vai lembrar em 1917. Ainda em 1858, ele continua, Darwin publica o seu: Origem das Espécies, em que “desviando a atenção do homem do seu eterno destino, o faz olhar só para um passado animal”.
E neste mesmo ano conforme anota Sheen, Richard Wagner escreve as suas obras em que fazia reviver o mito da superioridade da raça teutônica que originou o nazismo e a maior hecatombe da história da humanidade: a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). E finalmente em 1858, Karl Marx, ideólogo do comunismo juntamente com Friedrich Engels escreve a sua Introdução à Crítica da Economia Política, que considera a economia como fonte da vida e da cultura.
Segundo Fulton Sheen, desses quatro homens nascem as idéias que vão dominar o mundo durante quase um século: a idéia que o homem não é de origem divina, mas animal, a sua liberdade é abuso e ausência de autoridade e de lei, que privado do espírito, ele é parte integrante da matéria do cosmos e que portanto não tem necessidade de religião. E não só essas duas, têm ligações com os acontecimentos mais importantes das sociedades humanas, mas muitas outras, conforme se verá na seqüência deste trabalho: a Virgem aparece em momentos graves da história da humanidade ou na história de crianças, jovens simples ou não, para padres, papas, reis, mas sempre com uma coisa em comum – pedindo a conversão daquela comunidade, cidade, país, enfim transformando a vida daquelas pessoas radicalmente, no sentido de conversão para Deus.

Ana Lúcia de Vasconcelos in “Sal da Terra Luz do Mundo “

 

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A mentira só brilha enquanto a verdade não chega e um dia todos irão perceber que a aparição de Fátima nunca esteve, segundo a Bíblia, nos desígnios do Deus Altíssimo.

 

Fez noventa anos que Nossa Senhora terá aparecido pela última vez a Lúcia Francisco e Jacinta. Na Cova da Iria, existe uma nova igreja. Custou 70 milhões de euros pagos pelos peregrinos. Há quem diga que a Igreja conseguiu o que queria: pôr o povo a rezar num imenso espaço coberto.

Em Outubro estiveram presentes cerca de 70 mil pessoas para testemunhar o milagre que Lúcia pedira à “Senhora”. O suposto milagre deu-se, mas só para alguns: o Sol terá “dançado” para uns, para outros “girou sobre si mesmo e pareceu precipitar-se sobre a Terra” e houve quem não tivesse visto nada de anormal. O relato de quem disse ter visto alguma coisa chegou a fazer a capa do jornal “O Século”, mas não existem registos astronómicos do fenómeno. Lúcia terá dito também que a guerra terminara naquele instante. Não aconteceu. Mas o culto de Nossa Senhora de Fátima tinha nascido.

 

Mário de Oliveira não tem muitas dúvidas: “Ou as crianças tiveram uma visão projectada pelo cérebro fruto de todas as histórias que ouviam ou, e para mim esta é a hipótese mais plausível, as crianças foram instrumentalizadas pelo clero. Porque o que o outro lado diz (a suposta Nossa Senhora) é o que o clero quer que se diga e que se faça: que se reze o terço que se vá à missa”.

Mário de Oliveira “ataca” ainda o “milagre do Sol” e diz que o jornalista do jornal “O Século” levou consigo um repórter fotográfico que não conseguiu captar nada do que algumas pessoas dizem ter visto. “Soube-se depois que esse mesmo jornalista era o mesmo que surgia no jornal como enviado especial e escrevia as noticias sem nunca ter saído de Lisboa. Anos depois, ele até virou ateu…”, argumenta o padre.

Mário de Oliveira frisa que acredita na mãe de Jesus, a Virgem Maria, e que nem o facto de já ter sido chamado de “louco” por colegas seus o afasta da Igreja Católica. E que espera ainda pelo tempo em que Fátima seja desmascarada.

In “Jornal Extra – Portugal no Mundo “

 

UMA LOULETANA…… SENHORA DOS MARES !

Em 1957, já o pai ia para o mar com um equipamento de mergulho comprado em Marselha, Margarida Farrajota tinha 8 anos e direito a acompanhá-lo, de máscara, barbatanas e tubo. Três anos depois, usava uma garrafa de ar comprimido de oito litros para conseguir aguentar mais tempo debaixo de água.

Quando veio para Lisboa licenciar-se em Economia, tirou, naturalmente, o curso de mergulho, no Centro Português de Actividades Subaquáticas, do qual se tornaria presidente, e desde logo integrou expedições ao longo da costa portuguesa e nas ex-colónias. Foi no fundão de Troia que participou nas missões pioneiras de arqueologia subaquática em Portugal,iniciadas pelo Centro. De lá são algumas das relíquias que mais a marcaram. « Era uma emoção encontrar uma peça com dois mil anos, inteira» recorda. Daí foi também retirada a maior colecção de ânforas do País e o mais espantoso conjunto de artefactos romanos pertencentes ao complexo industrial de Troia. E, no entanto, as condições de trabalho não eram as melhores.« Aterrávamos no lodo, completamente às escuras, e pelo tacto íamos vendo o que havia à nossa volta. Se fosse duro, era caco romano, com certeza! »

Aos 63 anos Margarida Farrajota continua a mergulhar. Diz que o fundo mais bonito que conhece está no Sudão, quase na fronteira com a Eritreia. « O paraíso subaquático é ali. Entramos na água e esquecemos que a terra existe »

…….. E acredita que ainda tem muito para explorar: « Gostava de mergulhar na Antártida,debaixo do gelo».

 

Fonte : Parte do artigo de autoria de Nádia Franquinho in Revista Visão.