Quando íamos tirar o retrato

Durante décadas os estúdios de fotografia funcionaram em espaços com grandes janelas e claraboias, geralmente no último andar dos edifícios, para que os fotógrafos pudessem captar melhor a luz natural. Só quando surgiram os flashes – O de magnésio é de 1910 -, tornou-se possível captar imagens em ambientes mais escuros ou em dias de mau tempo.

Muitos de nós recordam certamente de se terem deslocado a um desses Estúdios num determinado dia de aniversário ou mesmo da comunhão, para tirar o «Retrato» como recordação da data, já que além da qualidade obtida ser geralmente boa, as máquinas fotográficas portáteis eram muito escassas ao contrário dos dias de hoje.

Há um facto que os nossos olhos não esqueceram. Os fotógrafos de então ajeitavam os vestidos das meninas cuidadosamente, compunham a cena com objectos como tapetes, vasos com flores e até com pequenos cenários onde estavam pintados cortinados de palacete e janelas viradas para jardins imaginários.

Em Loulé, num passado não muito distante existiram estúdios fotográficos dos quais muitos se lembrarão. A “ Foto Arte” de Brito Santos, “ Estúdio Guerreirinha” e “ Estúdio Carvalho “ .

A evolução na fotografia foi enorme nas duas últimas décadas. A foto digital a que qualquer pessoa hoje tem acesso através de milhentas marcas e modelos à venda em qualquer loja da especialidade é uma realidade nunca imaginada há uns anos atrás. E com a ajuda de um computador então, desde que se tenha paciência e sensibilidade para esta arte, conseguem-se obter trabalhos fotográficos de grande qualidade.

De vez enquando é bom dar uma olhadela aos nossos «retratos» de quando éramos crianças. Alguns não deixam de ser ainda obras de arte, apesar da distância que os separa dos tempos da fotografia digital.

 

Foto : “Estúdio Idalino “ – 1962

 

Professoras: Quando amar era proibido…

Embora hoje pareça ridículo o facto de uma professora primária ter sido impedida de se casar ou de um marido poder matar a mulher em flagrante adultério, no tempo do Estado Novo, as coisas aconteciam mesmo assim. Vejamos :

 

………. “As mestras (professoras) tinham a sua vida sentimental vigiada pelas famílias dos alunos, pelo pároco da terra, pelo regedor da freguesia, pelo ministério e pela lei, que as proibia até de usar maquilhagem.

Preferencialmente deveriam ficar solteiras, casadas com o magistério primário e encarar o ensino como missão, a escola primária como convento. Mas, se apaixonadas, enveredassem pelo matrimónio, estavam proibidas de se casarem com homem que não tivesse meios financeiros superiores ao seu ordenado de mestra -escola.

O casamento de uma professora tinha de ser autorizado pelo Governo e os noivos, os homens, eram obrigados a apresentar dois atestados: um de bom comportamento moral e civico e outro em como o o futuro marido da professora auferia um ordenado superior ao da mulher ou possuía meios suficientes para a sustentar. Caso contrário o casório era proibido.

Esta norma só foi revogada depois do 25 de Abr., pela Constituição da República de 1976 e pelo decreto lei 474 de 16 de Junho do mesmo ano.

O mesmo decreto pôs fim também ao direito do marido de violar a correspondência da mulher, que foi lei em Portugal durante 90 anos consecutivos. O artº 372º do mesmo código permitia ao marido matar a mulher em flagrante adultério ( e a filha em flagrante corrupção), sofrendo apenas um desterro de seis meses para fora da comarca. Esta atenuante extraordinária só era extensiva à mulher se a amante do marido fosse por ele «teúda» e manteúda» na casa conjugal. “

 

Fonte: “ Proibido “ autor: António costa Santos

Foto: Escola Primária do Bairro – Loulé 1954

Poema para a minha primeira escola

Passaram já muitos anos

Sobre o primeiro dia de escola,

Mas mesmo assim ainda guardo

A minha primeira sacola.

 

Era de pano bem rude

Sem bolsos nem algibeira,

um lousa e um simples lápis

e nada na pobre carteira.

 

 

Lembro a Cartilha Maternal

Livro sagrado de então,

Onde aprender era uma vitória

Nesse tempo de ilusão.

 

As cinco vogais primeiras

letras mágicas do alfabeto,

noites sonhando com elas

e por fim um grande afecto.

 

Poder ler num livro aberto

Dos poucos que haviam em casa

Era um desejo de tirar o sono

Um voo só com uma asa

 

E agora que tudo passou

Recordo com precisão

As professoras pacientes

E a minha primeira lição.

 

Já partiu cá deste mundo

Quem as letras me inspirou

Aqui fica um obrigado

A quem tanto me ensinou.

 

 

 

Poesia de M.José poetisa de fim de semana

 

Loulé, SET. 2012

Foto: Janela da escola particular “ As Mucancas “ em Loulé, (hoje já desaparecida) na qual várias gerações depois de 1930 ali aprenderam a ler e a escrever.

JARDIM DOS AMUADOS

A 16 de Junho de 1948 foi tomada a deliberação de classificar o Jardim do Largo do Batalhão Sapadores do Caminho de Ferro na nossa cidade, com o nome de Jardim dos Amuados. Seguindo a tradição, a origem deste nome advém da existência de bancos com as costas voltadas uns para os outros.

Este espaço de lazer, edificado no local do antigo cemitério, foi construído nas duas últimas décadas do século XIX, conforme refere a seguinte acta de vereação:

“Deliberaram também mandar fazer um muro de um metro de altura à frente do terreno que fora ocupado pelo cemitério velho, em frente da Igreja Matriz, e colocar neste uma grade de ferro e portão, a fim de fechar aquele espaço destinado para jardim e evitar por este modo os danos que possam ali causar os mal intencionados (….).

O espaço foi florestado posteriormente, tendo a Câmara Municipal, a 29 de Janeiro e 1890, decidido arborizar parte do Largo da Matriz ocupada pelo antigo cemitério, destinado para esse fim numa porção de árvores pertencentes à Câmara e existentes num viveiro da Horta d’El Rei.

 

 

Fonte:: Agenda da CML Dicionário Toponímico – Cidade de Loulé – Jorge Filipe Maria da Palma).

Fotos: Postal ilustrado da década de sessenta e fotografia de Louletania \ Setembro de 2012.