Menina…

Menina mázinha

Que mostra a linguinha

Em dia tão lindo,

Vestida de branco

Perde o encanto

No olhar do Santo

Que atrás dela vai,

Menina mázinha

Feche a boquinha

Não seja tontinha

Olhe a meninada feliz

Quase por um triz

Em seus pés tropeça,

Menina mázinha

Não seja feiinha

Feche a boquinha

E pense no Céu,

Na Salvé Rainha,

Nos anjos, nos santos

Nas velas, nos mantos,

Na sua mãezinha !

. . . . . . . .

Loulé,Out 2012 –

Maria do Sol

Foto: Autor desconhecido

 

 

 

 

Os carros de lixo e as corridas de operários

Recordando aqui acontecimentos e imagens do passado, desta vez escolhemos a limpeza das ruas das cidades e festividades onde os operários mostravam as suas proezas.

Na realidade, nos últimos cem anos foram grandes as mudanças em Portugal e em muitos outros países do mundo.

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Antes do século XX, os transportes ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa eram realizados por veículos de tracção animal, os «Hipomóveis». Estes veículos dedicavam-se ao serviço de limpeza, transporte de materiais para obras, rega de ruas e jardins e ainda ao transporte de pipas de água para abastecimento de alguns locais da Cidade de Lisboa (Marvila, Campo Grande, Luz, etc.).

Foto :Carro de tracção animal para recolha de lixos, no início do século XX no Cais do Sodré

A “Corrida dos Ofícios” , foi uma corrida (e mostra de habilidades), das profissões mais tradicionais de Lisboa. Esta prova realizou-se durante alguns anos nas Festas da Cidade de Lisboa, nos anos 50 do século XX.

Foto : Esta corrida que a foto retrata teve lugar em 21 de Junho de 1953. Tinham início no Largo Frei Heitor Pinto, no Bairro de Alvalade, e prolongavam-se pela Avenida da Igreja abaixo.

Fonte : “ Restos de Colecção “

 

Compra-me um alguidar !

Hoje ofereceram-me um pequeno alguidar de barro já com alguns anitos e que pessoa amiga guardava na sua antiga cozinha campestre.. Certamente mesmo os mais novos já ouviram falar desse utensílio tão usado nas cozinhas desde tempos imemoriais até aos dias de hoje . Mas é certo que desde que o plástico entrou na vida de todos nós, qualquer objecto doméstico ou não, é hoje fabricado naturalmente nesse tal material que não se destrói facilmente. Afinal mais uma revolução revolução dos tempos modernos.

No Blog “ Marafações de uma Louletana” encontrei uma descrição dessa tal peça a que chamamos alguidar e que com a devida vénia passo a descrever :

“ Alguidar é uma palavra de origem árabe de “ al-gidâr “ e este utensílio foi mais um legado que os mouros nos deixaram. O alguidar de barro vermelho era uma peça essencial no ambiente doméstico dos meus pais e avós, sendo inúmeras as suas utilidades: era nele que se amassava e se deixava a massa a levedar para fazer o pão e era para este alguidar que se cortavam as carnes do porco durante a desmancha. Era no alguidar que se deixava o chamado “ migado “, isto é, carne de porco com calda de pimentão que servia para encher a tripa do porco e fazer chouriças , servindo também o alguidar para lavar a loiça, etc..

Quando por descuido o alguidar se partia, não era deitado fora. Chamava-se o “conserta alguidares “ e este através de uma técnica muito própria, colocava-lhe uns «gatos», isto é, uma espécie de grandes agrafos que uniam as partes partidas do alguidar e o tornavam a vedar dando-lhe mais uns anitos de vida.

Haviam alguidares dos mais variados tamanhos, dependendo das tarefas a que se destinavam sendo certo que alguns ostentavam um determinado tipo de decoração.

Nos dias de hoje o plástico leva a dianteira, mas no entanto, por essa serra algarvia são muitos os que ainda não dispensam o alguidar de barro. “

Neste Outubro de muitas Feiras um pouco por todo o Algarve porque não comprar um alguidar de barro bem algarvio para oferecer a alguém que lhe seja querido ?

 

NOTA: Na imagem é bem visível um alguidar de barro com os tais « gatos» atrás referidos.

Agradecimentos à autora do blog “ Marafações de uma Louletana”

No tempo em que íamos à G U E R R A !

Histórias da Guerra Colonial – 1 EMBARQUE

 

…) O tempo não estava muito diferente do dia de hoje, só que naquela manhã um bando de gaivotas sobrevoava o Niassa, talvez em direcção a uma das lixeiras da cidade de Lisboa, depois de desesperadas terem esperado em vão algum alimento de uma das traineiras que acabara a faina e fundeara no Tejo. As tropas já haviam desfilado defronte da tribuna apinhada de oficiais generais, ladeados por “serviçais ocasionais da caridadezinha” do MNF, e estavam agora a ser “empurradas” para o fundo dos porões daquele velho cargueiro, que há muito já deveria ter sido desmantelado num qualquer estaleiro de sucata. Eram cerca de 11,00 horas do dia 24 de Janeiro de 1971, e o Cais de Alcântara assistia ao embarque do Batalhão de Caçadores 3834 composto pela Companhia de Comando e Serviços, da Companhia de Caçadores 3309 (de que eu fazia parte) e das Companhias de Caçadores 3310 e 3311, todas elas com destino ao reforço das tropas estacionadas em Moçambique, dando continuação à ocupação colonial daquele território banhado pelo Índico.

No cais o descontentamento dos familiares era generalizado, ouvindo-se por entre laivos de patriotismo alguns desabafos quase que em surdina, que expressavam outros protestos, mas também uma forte angústia por verem partir mais um familiar, cujos braços deixariam de empurrar o arado e espalhar as sementes na terra, ou de atear o fumeiro até que o cheiro das chouriças trespassasse os telhados de ardósia. Pelas 12,00 horas e após cinco apitos estridentes, o Niassa largara do cais ao som dos gritos e do acenar dos lenços que se transformavam numa onda de ausência colectiva. Amontoados no fundo dos porões, onde outrora se apinharam fartas mercadorias e se respirava um ar de tons ocres que tornava a respiração sufocante, alguns soldados meio pálidos eram presa fácil do enjoo, com o Niassa a deixar-se embalar pelas ondas do Atlântico já muito para lá da Torre do Bugio, enquanto os oficiais e sargentos se “espreguiçavam” nos seus camarotes e se banqueteavam servidos por empregados de mesa nos salões do navio, numa desigualdade tão perversa que aguçava a revolta dos mais inconformados.

Faz hoje 37 anos que iniciámos aquela “odisseia trágico-marítima”, dando início a “uma breve pausa num tempo das nossas vidas” de onde alguns de nós não regressaram, arrancados à força de uma vida já gasta de cansaço, “sem jeito nem prosa”.

Aqui fica um abraço solidário de quem sobreviveu (…)

 

Carlos Vardasca

24 de Janeiro de 2008

( Fonte : In Blog “Do Tejo ao Rovuma “ – Fotos: Blogs: “Memória visual 2 “e “Galo de Barcelos ao Pode” pac manpap)