Barbearias e Brilhantina

Alguns leitores deste blog olhando a fotografia deste frasco possívelmente não identificarão a sua utilização.

Mas quem, há umas dezenas de anos atrás frequentava as barbearias de então, reconhecerá nele o famoso frasco da brilhantina, um espécie de óleo com que se penteva o cabelo e que dava ao mesmo um aspecto molhado e brilhante. Nesse tempo era hábito os clientes deslocarem-se ao barbeiro para fazerem a barba, duas ou três vezes por semana, aproveitando a ocasião para dar uma penteadela no cabelo e « passar» a navalha para limpar o pescoço já que nos empregos era notado e mesmo exigido nalguns deles, um permanente tratamento de limpeza do cabelo e barba não podendo deixá-los crescer para lá de um certo limite.

Quanto à cadeira de barbeiro da foto, deixou de se usar há muito. Estas cadeiras eram totalmente em madeira e tinham um enconsto de cabeça onde se colocava um rolo de papel que se ía mudando consoante os clientes íam sendo «despachados». Já nos anos sessenta vieram as cadeiras cromadas e estofadas que aos poucos foram substituindo um pouco por todo o lado, as velhas cadeiras de madeira como a que se pode ver na foto publicada.

 

 

 

Fonte: Fotos do Blog Joaquim Pintos Pinto’s Cabeleireiros a quem agradecemos.

CIRCO a maior alegria do Mundo !

Das coisas que mais alegria me davam durante a minha infância era assistir a um espectáculo de circo. E de longe a longe passavam por aqui algumas companhias que arrebatavam o público mais novo mas também o outro. E apesar dos bilhetes serem a preços condizentes com a época, muita gente esperava pelas noites em que dama e cavalheiro pagavam um só bilhete.

A jornalista Lina Vedes na sua crónica “O tempo de outro tempo” no jornal “A Avezinha” também descreve com entusiasmo as suas idas ao circo quando criança.

“ O Circo era a principal atracção da Feira de Stª Iria. Nunca falhava ao espectáculo circense já que fazia anos, e era essa a minha prenda, renovada anualmente.

Naquele local mágico experimentava todos os sentimentos.

Começava pela ânsia da espera pelo início do espectáculo, deixando-me impregnar de expectativa com o brilho das luzes, o som apelativo dos músicos e o barulho das pessoas, que entravam procurando lugar.

Vivia intensamente a alegria transmitida pelos palhaços, o medo dos trapezistas caírem, o espanto com as habilidades dos malabaristas, as dúvidas que me deixavam os ilusionistas, a aflição de ver os contorcionistas a dobrarem e desdobrarem o corpo, como se desprovido de ossos…

Era um tempo de espectáculo de artistas, que proporcionavam, dentro de mim, um espectáculo sentimental, com diferentes graus de intensidade….

Saía feliz ! Cado ano mais velha, cada ano valorizando e descobrindo novos encantos, no Circo e na nossa Feira de Stª Iria. “

 

Fotos: Filme rodado por Manuel Guimarães em 1951 com o título “ Saltimbancos”.

OS FERREIROS EM EXTINÇÃO……

Em Loulé e noutras terras algarvias houve em tempos gente de cujas mãos saíam obras de arte trabalhadas em ferro. Os ferreiros trabalhavam o ferro com mestria ancestral mas porque os tempos estão em constante mudança também eles foram fustigados por esses ventos.

Muito poucos serão os que ainda vão mantendo actividade. As grandes superfícies encarregaram-se de levar a casa do freguês as grades que ele precisa para embelezar a sua casa mas em aluminio sem graça nem beleza.

Do Blog “Xuxudidi” transcrevo um pequenino texto em que a autora vibra com a chegada a sua casa de um trabalho perfeito de ferreiro, dos tais que trabalhavam o ferro com arte.

“” Posso afirmar que desde o primeiro contacto até à sua instalação, o projecto de ter grades no sobrado durou um ano. No dia 1 de Maio, o ferreiro veio montar uma das duas grades, já que a segunda não coube à primeira!
O projecto com as grades era recuperar os materiais da região. Baseada na ideia das camas de ferro, usando estructuras, formas próprias daqui.
Pelo desinteresse e falta de procura, há profissões que vão morrendo. E a do ferreiro não morre, mas está moribunda. “”

 

Fonte : gentileza de http://xuxudidi.wordpress.com/2012/05/04/um-ano-depois/#more-3843

 

FOTOGRAFIAS DE GUERRA

Durante a guerra colonial muitas foram as mulheres, namoradas e até amigas que se correspondiam com os soldados que se encontravam longe, saudosos da pátria e da família. Esta fotografia é uma das muitas enviadas a esses soldados. A originalidade está na montagem feita, onde se vê a jovem, pensativa e um pouco acima  o alvo de todos esses pensamentos.

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Fonte : Blog: Memória com História

Dora Jacinto

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Quadras enviadas de Angola por um Soldado para a sua Madrinha de Guerra – Ano de 1970 –

Aqui vai mais um aerograma

Deste lugar triste da mata

Para a Madrinha mais querida

Algumas quadras sem data

Quando eu era ainda menino

Estudando a nossa História

Jamais pensei que algum dia

Viria à Guerra sem Glória

Como eu gostava que o tempo

Voasse na minha vida

Para voltar para a minha casa

E abraçar gente querida

Mas quem dirige no mundo as guerras

Em gabinetes requintados

Nunca saberá pelo que passam

Os manobrados soldados

Já é tarde, vou dormir

Que o dia não tarda aí..

Quem sabe se é este o dia

O dia do nosso fim.

(a) Quadras – Arquivo – Louletania