COBERTORES DE PAPA UMA RELIQUIA PORTUGUESA A DESAPARECER

COBERTORES DE PAPA

Perto da Guarda, uma região cuja produção têxtil foi impulsionada pelo Marquês de Pombal, a aldeia de Maçainhas já viveu da fabricação destes cobertores outrora muito populares. Fundada em 1966, a Fábrica de Cobertores de José Pires Freire era até há DIAS a última no país a produzi-los. Sazonalmente, no Verão, a lã churra, grossa e comprida de ovelhas locais, é fiada e tecida num velho tear inteiramente manual. Vai ao pisão para lavar e feltrar, depois à máquina de cardar, que lhe puxa o pelo, sendo por fim esticadas para secarem ao sol. Só assim se obtém o verdadeiro cobertor de papa, consistente e muito quente, seja de cor lisa ou padrão colorido, com o seu característico pêlo comprido.

O cobertor de papa é um cobertor artesanal, 100% pura lã, que era desenvolvido e fabricado em Maçaínhas, no concelho da Guarda. Um produto totalmente português. Infelizmente, mais um pouco da nossa tradição fabril que se esvai!

 

(Vida Portuguesa)

 

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O último fabricante de cobertores de papa do país (José Freire, de Maçainhas-Guarda) deixou de produzir aqueles peculiares agasalhos. Os cobertores eram tecidos num tear inteiramente manual, usando lã churra (de ovelhas locais). O cobertor ia ao pisão (lavar e feltrar), mais tarde submetia-se a uma máquina de cardar  e era nessa altura que o pêlo era puxado.
Portanto, deixámos de ter cobertores de papa tradicionais, tecidos manualmente. José Freire acabou com a produção (fechou as portas da fábrica no passado dia 21 de Dezembro), tendo ainda alguns exemplares para vender. Numa terra, como a Guarda, onde se produzim tão poucos objectos artesanais é uma perda muito grande… que acabem os verdadeiros cobertores de papa, quentes, pesados e de pêlo eriçado. O cobertor de papa de Maçainhas (à semelhança de, por exemplo, os objectos de verga de Gonçalo)  fazia parte do nosso património e do nosso imaginário. E tinha muito a ver com a nossa identidade (com a vida dos pastores e dos camponeses destas terras frias).

 

(Café Mondego )

 

 

Fontes: Blogs Vida Portuguesa \ Xuxu didi et plus encore \ Café Mondego

Secas e pedidos de ajuda aos Céus

Neste inverno bem chuvoso por que estamos passando, lembramos aqui uma época de grande seca nestas terras de Loulé, ocorrida no ano de 1896. Vale a pena ler as duas pequenas notícias do jornal

O Louletano” da época. Recorde-se que tal como naquele tempo, também há alguns anos atrás, quando de uma grande estiagem no Algarve, se faziam peregrinações à noite ao santuário de Nª Sª da Piedade, padroeira dos louletanos, suplicando aos céus que a chuva caísse nas terras ressequidas

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Sobre a grande seca de 1896 escrevia-se no Louletano desse tempo:

«A grande estiagem tem prejudicado imensamente os campos que se encontram num lastimoso estado.

Os lavradores já não têm esperanças de ao menos salvar a semente que lançaram à terra.

Durante a semana têm vindo na noite diferentes grupos de homens e mulheres cantando pelas ruas e pedindo água; dirigem-se depois para a igreja de S. Sebastião, onde se acha a imagem da Senhora da Piedade e ali fazem novas súplicas para que Deus mande água para os campos.

Na mesma igreja têm-se feito preces ad petendum pluvia.»


Jornal O Louletano, 19 de Abril de 1896

«Na Segunda feira de tarde saiu da igreja de S. Sebastião d’esta vila uma procissão de penitência para implorar ao Altíssimo a graça de algumas chuvas para os campos cujas sementeiras eram consideradas quasi perdidas.

Abria com a irmandade da misericórdia, seguindo-se-lhe as do Santíssimo e Almas das duas freguesias , a da Nossa Senhora da Conceição, a do Senhor dos Passos e a da Ordem Terceira de S. Francisco conduzindo as imagens de Stº Elias , Nossa Senhora da Piedade e Senhor dos Aflitos.

Nunca vimos procissão tão concorrida; é calculado em mais de 8000 o número de pessoas que se incorporaram e acompanharam a referida procissão.

Desde que saiu até que recolheu conservaram-se cerrados os estabelecimentos.»

Fonte : Engº Luís Guerreiro a quem agradecemos a amabilidade.

Foto : Imagem da Mãe Soberana de Loulé – Ano 1898 ( Arq. Louletania )

(Procissão: Fototeca da CML )

 

Contos da Guerra Colonial – O Carteiro e os aerogramas

Foi um percurso muito duro, repleto de histórias às quais os mais novos não têm acesso e quando têm, dificilmente compreendem e nem sequer acreditam.
O país estava embrenhado na Guerra Colonial e os mancebos eram recrutados por todo o lado, independentemente das suas capacidades psíquicas ou físicas.
. O Correio da Guerra
As relações sociais num aglomerado populacional predominantemente rural não eram, como ainda não o são, obviamente, iguais aquelas dos condomínios convencionais nas grandes cidades, nos quais mesmo que os prédios só possuam um elevador a servir dois ou três pisos, os condóminos quando se encontram a viajar nele apertados, pele contra pele, não se cumprimentam, ignorando-se entre si enquanto aquele caixote sobe ou desce, uns esforçando-se por olharem para o tecto, outros baloiçando as chaves do carro enquanto vão mirando a barguilha, outros, os “agarradinhos do celular”, enviando ou procurando mensagens e outros, até, aproveitando despudoradamente para se coçarem. Na maior parte das vezes nem sequer manifestando uma cortesia, mesmo que hipócrita, de segurarem a porta quando o vizinho ou a vizinha vão a entrar ou a sair… Curiosamente podem encontrar-se algumas destas pessoas na missa dominical cumprimentando-se efusivamente, “saudando-se na paz do Senhor”, com muita fé (…)
O CARTEIRO, por demais carregado com tanta notícia de riso e choro, surgia cada vez mais perto em virtude das suas passadas sempre muito largas, enfrentando finalmente o primeiro aglomerado ruidoso e inquieto : os seus destinatários que diariamente ali, sensivelmente no mesmo horário, aguardavam notícias dos seus netos, filhos, maridos, pais, namorados ou simplesmente vizinhos e amigos. Aqueles aerogramas, cartas ou postais haviam sido escritos há pelo menos dois dias e as notícias que relatavam poderiam, entretanto, de alguma maneira, haver sido drasticamente alteradas. Mas não ! Quem se atreveria a pensar assim ? O ritual da abertura da correspondência era sempre o mesmo : rasgava-se apressadamente o aerograma ou a carta como se do seu interior se esperasse ver saltar milagrosamente, de braços bem abertos, o ente querido.

 

Fonte : “ Contos da Guerra Colonial “ blogspot.com

1ª Foto – Carteiro que ao longo da sua vida profissional e

durante a Guerra, distribuiu milhares de cartas e aerogramas;

2ª Foto :Militar \ex- Furriel Miliciano Manuel Sousa escrevendo uma carta para os seus familiares numa localidade de Moçambique chamada Muidumbe e que segundo ele, era « terra de guerra, da fome e dos ratos »

– in Blog dos Combatentes da Guerra do Ultramar. –

Turismo – Algarve – o abandono dos campos em busca de melhores dias.

Anos 50:

A maioria da população portuguesa trabalhava na agricultura e nas pescas pois a industria ainda era pouco importante e os que trabalhavam nos serviços eram uma minoria.

O nosso país era atrasado e pobre.Mais de metade da população vivia e trabalhava no campo, aldeias e pequenas vilas:

  • Produziam pouco com meios antiquados;
  • Usavam poucas máquinas;
  • Não tinham regadios;
  • Utilizavam carros de bois;
  • Os tractores eram raros;
  • Ceifava-se o cereal á mão;
  • Cavava-se a terra com a enchada.

Anos 60…….uma mina para o tal país pobre e muito atrasado :

O Turismo foi uma das grandes revoluções em Portugal. Nos anos 60 os estrangeiros do Norte da Europa descobriram Portugal, o sol, o mar, e as praias.

Em 10 ou 20 anos foram dezenas de milhões de turistas que vieram a Portugal, fizeram-se Hotéis, Restaurantes, Aldeias e Urbanizações.

O Algarve Turístico começou então, milhares de agricultores deixaram o campo para se dedicarem ao turismo.

O turismo interno desenvolveu-se também nesta altura: Os poucos Portugueses que faziam férias fora de casa começaram a procurar as praias do sul. Em poucos anos o Algarve transformou-se no destino turistico das massas.

  • Aqui deixamos dois belos cartazes idealizados para cativar visitantes para a nossa província algarvia, um dos princípios da década de e outro já de uma época em que o Algarve já andava nas bocas do Mundo.
  • (Fonte: – Sites Restos de Colecção e Emprego retrato social \ Portugal )