Os fotógrafos românticos……

Mercado de Loule - Fotógrafo António Cravilho.

Minutero - Santiago do Chile

Em Portugal aos fotógrafos ambulantes também se dava o nome de «a la minute». No Brasil chamavam-lhes os « lambe-lambe». Eis uma pequena descrição desses velhos retratistas ambulantes

que povoavam as praças, largos ou lugares turisticos das nossas vilas e cidades :

*******************************************************************************

“Nas primeiras décadas do século XX surgiram os fotógrafos ambulantes, chamados lambe-lambe, que trabalhavam nas praças e parques fotografando as famílias, casais de apaixonados, reunião de amigos, etc. Eram quase sempre procurados para perpetuarem ocasiões especiais e familiares. Muitas pessoas também procuravam os lambe-lambe para tirar retratos para documentos do tipo 3X4. Atualmente, este ofício popular e bastante intuitivo está quase desaparecido, superado pelas facilidades tecnológicas, pela pressa em registar o instante sob a forma de imagem e por não ser possível trabalhar com foto colorida, pois a câmara usada por este tipo de fotógrafo é muito simples e não atende à função da exigência de um processo muito mais preciso e complexo. Mas, apesar disso, alguns lambe-lambe ainda resistem e são procurados, atendendo em domicílio, para fotografar noivas, batizados, aniversários e casamentos. A máquina dos lambe-lambe é conhecida entre eles por máquina-caixote, por ser semelhante a um pequeno caixote. São externamente revestidas com couro cru, madeira ou metal. Há ainda a camisa preta, espécie de saco negro pendurado na máquina, com três aberturas: dois orifícios para os braços e um para enfiar a cabeça na hora de bater e revelar as fotografias. A função da camisa é proteger as fotografias de qualquer tipo de claridade.

A máquina é utilizada para tirar fotografias e serve também para mostruário. Suas laterais são cobertas de fotos. Todo fotógrafo lambe-lambe estende próximo à máquina uma cordinha onde coloca as fotos para secar. Num balde de plástico contendo água limpa, ele lava as fotos quando retiradas do fixador e revelador. Uma tesoura é essencial para separar as fotografias e acertar o tamanho a gosto do freguês. Há ainda um paletó e uma gravata para serem emprestados aos jovens que não dispõem dessas peças.

Existem algumas versões que explicam a origem do termo lambe-lambe. O historiador Boris Kossoy, em O Fotógrafo Ambulante – a história da fotografia nas praças de São Paulo explica algumas delas. Segundo alguns, lambia-se a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão. Outros diziam que se lambia a chapa para fixá-la. Porém a origem mais viável parece estar ligada ao processo da ferrotipia: depois de feita a revelação, o fotógrafo lambia a chapa de ferro, coberta por uma camada de asfalto, fazendo com que a imagem se destacasse do fundo preto pela ação do cloreto de sódio presente na saliva. “

…………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Fonte – Edukbr.com.br

Fotos : Fotógrafo ambulante « Um minutero» como lhe chamam em Santiago do Chile

Fotógrafo ambulante de Loulé chamado António Cravilho.

 

 

A Feira da Ladra ainda é o que era !

Há quase 20 anos que não ia à Feira da Ladra. Fui num dos últimos sábados. Continua a ser um local cheio de novidades apesar das coisas velhas que se vendem, sejam elas antiguidades, velharias ou apenas trastes.

Os sapatos usados e já sem forma, os discos que alguém ouviu, as cartas endereçadas com uma letra bonita, as chaves sem fechadura, as fechaduras sem chaves, as bonecas sem pernas ou sem olhos, os olhos sem bonecas.

Admiro quem se levanta cedo para ficar num bom lugar e estende um cobertor onde espalha os objectos mais estranhos, para quem não imagina de onde vieram, e depois volta a recolher quase tudo, vendida que foi apenas uma ou outra peça.  

Da minha única experiência como feirante, já lá vão tantos anos, recordo apenas o frio que passei, sobretudo nas primeiras horas daquele dia de Inverno, e a assunção de que o comércio não era, de facto, o meu forte. Mas não foi frustração que senti, antes um alívio por trazer de volta o que afinal não queria vender.

Naquela altura, os que espalhavam as suas coisas pelo chão pareciam-me todos novos,  jovens que aproveitavam para fazer uns trocos. Agora tive a sensação que há muitos velhos que, talvez por necessidade ou apenas para passarem o tempo ganhando algum dinheiro, ali ficam, tentando falar inglês com alguns turistas que parecem ser os mais interessados em velhas molduras com fotografias ou alfinetes de ama enferrujados.

– Esse modelo não tenho, responde um vendedor a alguém que queria um carregador para um telemóvel. – Mas ali, daquele lado, talvez arranje, diz, apontando. A solidariedade é substituída mais à frente por uma forte discussão entre dois homens, com muitos palavrões e ameaças à mistura.

Num dos cobertores estendidos encontramos, lado a lado, um livro sobre jardinagem e uma algália.

Alguns passos à frente um russo vende peças que, juntas, já foram fardas militares. Lá estão os chapéus, os casacos… Restos duma União Soviética que já só existe nos filmes. E, com olho para o negócio, mesmo que não venda sempre ganha algum dinheiro emprestando a farda a quem se quiser vestir e tirar uma fotografia.

Não comprei nada. Mas, de graça, trouxe o que queria trazer.

Fonte: “Delito de Opinião” de Ana Lima

Fotos : Feira da Ladra -Lisboa – 1966 -autor desconhecido

Feira da Ladra actualmente – Olhares Sapo.pt -autor Miguel Peixoto

O “ BIOCO” DAS MULHERES DE OLHÃO

O Algarve, como sabemos, foi marcado pelas influências dos Mouros e pelo legado de cinco séculos de ocupação Árabe, que se encontra ainda patente na sua arquitectura, bem assim como por determinados usos e costumes que marcaram a sua época, como este que aqui vemos: o do “bioco”, que seria posteriormente levado pela mulher olhanense para Moçâmedes – Angola. 

O “bioco” ou “biuco”, trata-se de uma peça de vestuário em forma de capa que cobria inteiramente a mulher que a usava, sendo a cabeça ocultada pelo próprio cabeção,  ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha. As mulheres embiocadas, dizia-se, pareciam “ursos com cabeça de elefante”

 

Raul Brandão escreve a propósito do biuco no seu livro “Os Pescadores”, em 1922:
” Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.
É um trajo misterioso e atraente. Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce… Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado – e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho. Será uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?… Fitou-nos, sumiu-se, e ainda – perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque…cloque”
Trata-se de uma capa que cobre inteiramente quem a usava. A cabeça era oculta pelo próprio cabeção ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha.

As mulheres embiocadas pareciam “ursos com cabeça de elefante”
Oficialmente a sua extinção ocorreu em 1882 e por ordem de Júlio Lourenço Pinto, então Governador Civil do Algarve, foi proibido nas ruas e templos, embora continuasse a ser usado em Olhão até aos anos 30 do século XX altura em que foram vistos os últimos biocos.

 

Fontes : “Mossamedes do antigamente blogspot “

Trajes de Portugal – Blog

LOULÉ sai à Rua com o seu centenário Carnaval

O Carnaval de Loulé é semdúvida o mais antigo de Portugal. Todos os anos acorrem aqui milhares de forasteiros não só em busca do clima ameno do Algarve mas também destes três dias de folia à louletana.

 

O tema que deu o mote a este Carnaval foi sem dúvida a situação politica do país. Assim, foi escolhido o título “ Entroikados na Grande Palhaçada “ . 17 carros alegóricos fazem parte do desfile juntando-se a estes, gigantones, grupos de cabeçudos, samba, bandas e muitos foliões de todas as idades.

Os dias 9, 10 e 12 de Fevereiro de 2013 são pois, apesar da grave crise que o país atravessa, dias que servirão para desentorpecer as mentes e as pernas .

– Que sejam dias divertidos por entre o cinzento clima politico e social que atravessamos.

 

 

– Fotos de José Costa obtidas hoje no 107º Carnaval à Louletana.