Obtidas na mesma janela…. 74 anos separam estas duas fotos

Loulé 2013 Loulé 1939

 

Tratam-se de duas fotografias obtidas de uma das janelas da Câmara Municipal de Loulé nas quais se podem ver parte da Praça da República e ao fundo a Avenida José da Costa Mealha.

Separam-nas 74 anos. A Fotografia é na verdade uma das grandes invenções da História da Humanidade.

 

O ENCANTO NOSSO DE CADA DIA!

Ainda bem que o tempo passa! Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira eterna?
A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência. Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado. Ele pousava na sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia. Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado. Quando ele chegou, ela capturou-o e deixou-o preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto.
O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar.
Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia, porque ele era livre. O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida. O encanto alivia a existência…Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!
Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto… Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então matamo-lo de tristeza.
Amar talvez seja isso: Ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também.
Precisamos descobrir, que há um encanto nosso de cada dia que só poderá ser descoberto, à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.
Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.
Há uma beleza escondida nas passagens… Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos…
E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.
Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando… Uma redenção está sendo nutrida nessa hora…
Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Presta atenção. São miúdos, mas constantes. Olhe para a janela da sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só para si. Ele só é encantado porque você não o possui.
E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o pássaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela.

Padre Fábio de Melo \ Pensador – UOL

 

Fotos: Gentileza de Luis Guerreiro e Fotógrafo Mira.  

Foi há 56 anos que o Vulcão dos Capelinhos se mostrou ao mundo !

Vulcão dos Capelinhos, Religiosidade no medo (1957)

Procissão realizada pelas gentes locais pedindo à Virgem de Fátima o fim das erupções vulcânicas.

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Comemora-se a 27 de Setembro de 2013 o 56º aniversário do aparecimento do Vulcão dos Capelinhos, localizado no extremo poente da ilha do Faial, nos Açores.

Até à vulgarização das mais diversificadas observações do globo terrestre por satélites mais ou menos sofisticados, nomeadamente após a década de 80, a actividade vulcânica submarina era estudada com enormes constrangimentos. O Vulcão dos Capelinhos, por motivos que só a Mãe Natureza conhece, rompeu a crusta insular na mesma fractura de antecessores geneticamente idênticos (caso do vulcão do Costado da Nau), na extremidade ocidental da ilha do Faial.

Passados tantos anos, Capelinhos ainda se pode considerar único no mundo das Ciências Vulcanológicas nomeadamente por ter sido fotografado, observado, estudado e interpretado desde o respectivo início (cerca da 7h da manhã do dia 27.Set.1957) até ao “adormecimento”, em calma tarde de 24 de Outubro de 1958. Tais condições resultaram da proximidade à ilha do Faial, a um peculiar eng. residente local chamado Frederico Machado (Director dos Serviços Distritais de Obras Públicas) e da equipa que ele constitui quer ao longo do período de actividade quer nos anos dos processos erosivos. Tais trabalhos foram naturalmente autorizados pelo Governador Civil Dr. Freitas Pimentel, médico de profissão, sensível às manifestações da Natureza e preocupado com a segurança dos habitantes que, por posição, lhe estavam confiados. 

 

Na madrugada do dia 27, com a terra balançando continuadamente, os “vigias da baleia” do Costado da Nau, a escassos metros acima do Farol dos Capelinhos, notaram o oceano revolto a meia milha da costa, para os lados de oeste. Assustados, desceram ao farol, alertaram os faroleiros e os seus companheiros de baleação, no porto do Comprido. Não era baleia, nem cachalote nem outro bicho qualquer – o mar entrava em ebulição e havia cheiros fétidos!!

Chamaram-se as autoridades e lanchas e botes baleeiros zarparam para o porto do Castelo Branco. As famílias fizeram trouxas e foram juntar-se aos baleeiros.

Às 7 horas o oceano já “fumegava” abundantemente e às 8 horas surgiram as primeiras cinzas, como jactos de criptoméria. Assim começou a fase submarina do Vulcão dos Capelinhos. Horas mais tarde apareceram outras 3 chaminés, num total de 4. Ao fim do dia havia uma coluna de vapor com mais de 4 Km de altura, visível de todas as ilhas centrais.

 

No dia 24 de Outubro de 1958, sem aviso prévio, ocorreram as derradeiras explosões strombolianas, de bagacinas avermelhadas. No dia 25 iniciou-se o processo de desgasificação, de arrefecimento e de erosão que perdura até aos tempos actuais.

Fonte:
Victor Hugo Forjaz
Vulcanólogo da Universidade dos Açores e do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores

Fonte:

http://www.meteopt.com/forum/sismologia-vulcanismo/erupcao-vulcao-dos-capelinhos-faial-acores-50-anos-1370.html

Por vezes lembramo-nos de AGADIR

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Agadir nos dias de hoje

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Terramoto de Agadir

No fim do período medieval, Agadir é uma aldeia de pouca notoriedade; o seu nome, Agadir el-arba, é atestado pela primeira vez em 1504.

Mas os portugueses rondavam o norte de África naquela altura e acabaram por edificar em 1505 uma fortaleza ao pé do monte, em frente ao mar, a Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué de Agoa Narba, onde se situou mais tarde o bairro hoje desaparecido de Founti, (chamado assim a partir da palavra portuguesa fonte porque aí encontraram uma).

Mas o que nos traz aqui hoje, é recordar esse dia fatídico de 29 de Fevereiro de 1960 em que um terramoto de grau 5,7 arrasou a cidade de Agadir, que vendo bem é quase vizinha do Algarve pois fica do outro lado do mar.

Segundo o Blog http://blogues.publico.pt/reporterasolta/o-terramoto-de-agadir/ “ A intensidade do abalo foi apenas de 5,7 na escala de Richter, mas por a cidade se situar precisamente sobre a falha geológica e o epicentro do sismo, e por a maioria dos seus edifícios serem velhos e frágeis, a destruição foi quase total. Na Kasbah e nos bairros centrais e Yachech e Founti não ficou nada de pé. Mais de 15.000 pessoas morreram e muitas ficaram feridas e desalojadas. Foi o mais mortífero terramoto da história de Marrocos.

Testemunhos da altura falam em pânico nas ruas, pilhas de cadáveres, pais que viram morrer os seus filhos, salvamentos miraculosos, actos de heroísmo, mas também lutas e pilhagens. Em Portugal, onde a televisão tinha acabado de nascer, Augusto Cabrita foi o enviado especial e filmou os acontecimentos, nos dias seguintes ao terramoto. Para a Rádio foi Artur Agostinho que fez a cobertura.

“” Foram breves segundos que pareceram séculos””, disse ele ao microfone da Emissora Nacional. Uma ínfima fracção de tempo a parecer uma eternidade. E no fim, quase nada restava de pé. A cidade, moderna e airosa, ficara reduzida a um montão informe de ruínas “

Fotos : NET