Gungunhana rei e prisioneiro…

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 Em Portugal, todos os jovens aprendem que Gungunhana, soberano de um vasto território no sul de Moçambique (Gaza), numa parte do Zimbabwe e da Suazilândia, senhor de um exército de mais de 6000 homens, foi feito prisioneiro por Mouzinho de Albuquerque com cerca de meia centena de soldados.

 

Em Moçambique, todos os jovens aprendem que Gungunhana é um herói nacional que combateu e tentou expulsar os portugueses. Foi o primeiro líder moçambicano a revoltar-se contra o domínio colonial.

 

As duas versões da história estão corretas. Mas o que a maioria dos portugueses e dos moçambicanos não sabem é que Gungunhana e os seus familiares, prisioneiros nos Açores, foram acolhidos e acarinhados pela população de Angra do Heroísmo (ilha da Terceira), depois de passarem uma grande humilhação em Lisboa.

 

Gungunhana foi preso em Chaimite, Moçambique (28 de dezembro de 1895). Juntamente com familiares (entre os quais sete das suas várias esposas) foi enviado para Lisboa.

 

Na capital portuguesa, os jornalistas que tiveram acesso ao navio que acabara de atracar com Gungunhana e a sua comitiva (13 de março de 1896) relataram as condições degradantes em que se encontravam. Cerca de duas dúzias de pessoas reduzidas a um espaço exíguo com um cheiro nauseabundo.

 

O destino de Gungunhana era a ilha Terceira (Açores). Como em Portugal não é permitida a poligamia, as mulheres que acompanhavam o rei dos vátuas não puderam viajar com ele. As esposas (sete de Gungunhana e três do filho Zixaxa) foram deportadas para Cabo Verde. Assim, Gungunhana chegou a Angra do Heroísmo, capital da ilha Terceira, (27 de julho de 1896) com apenas dois filhos e um tio. Estiveram prisioneiros na Fortaleza de São João Batista.

 

Ao contrário do que se passou em Lisboa, a imprensa açoriana assumiu um comportamento diferente. Aquando da chegada dos prisioneiros, lia-se num jornal local: “Respeitemo-lo pois, e que se lhes amenize, quanto possível for, a tristeza de exílio”.

 

Na prisão, os moçambicanos aprenderam a ler e a escrever e converteram-se ao cristianismo (provavelmente sem alternativa, ou seja, forçados).

 

Aos poucos, foram ganhando a confiança das autoridades militares e também da população. Começaram por obter autorização para passear numa zona montanhosa junto do forte onde estavam presos e, mais tarde, na cidade de Angra do Heroísmo, onde fizeram amizades com os habitantes.

 

O batizado dos quatro (16 de abril de 1899) foi um acontecimento na ilha Terceira e nos Açores em geral. A cerimónia foi celebrada pelo bispo de Angra do Heroísmo e os padrinhos foram pessoas ilustres da cidade.

 

A popularidade de Gungunhana e dos seus familiares era tanta que vinham pessoas de outras ilhas açorianas para os ver. Os terceirenses consideravam-os como filhos adotivos da terra.

 

Um músico açoriano compôs uma opereta em homenagem ao ex-rei moçambicano. O espetáculo chama-se “Gungunhana nos Açores” e foi representado no Teatro Angrense.

 

Gungunhana morreu em 1906. O seu filho mais velho, Godide, faleceu em 1911 e o tio Molungo em 1912. O filho mais novo, Zixaxa, viveu até 1927, tendo desempenhado a profissão de guarda florestal.

 

Zixaxa deixou descendentes, que ainda hoje vivem na ilha Terceira.

 

Os restos mortais de Gungunhana foram transladados para Maputo, em 1985, ano do 10º aniversário da independência de Moçambique.

 

Legendas das fotos:

 

1 – Gungunhana detido com sete das suas esposas

 

2 – Gungunhana na capital do seu reino, em Moçambique (foto de 1895, antes da sua captura)

FONTE: http://lusatrilogia.com/gungunhana-nos-acores/

 

Colecionar cromos era a coisa melhor do mundo !

JM009 FC Porto Os 5 Violinos

Quem é que não se recorda de em criança estar sempre atento anualmente à chegada de mais uma colecção de cromos de jogadores de futebol, quer portugueses ou estrangeiros ?

Lembro-me de contar os tostões para comprar as tais «carteirinhas» que traziam dentro, os cromos do nosso encanto.

Essa paixão de colecionar figuras do futebol ainda se mantem mas sem a punjança de outrora. Hoje as crianças têm com facilidade acesso a jogos de computador onde podem jogar com qualquer equipa mundial como até constituir a sua própria equipa.

Começa a passar de moda aquela coisa que entusiasmava qualquer colecionador e que era o conseguir trocar meia dúzia ou mesmo mais cromos, por um único que lhe faltava para acabar de preencher a adorada caderneta.

Para muitos de nós era nesse tempo de «pouca fartura » uma coisa do outro mundo possuir uma caderneta completa de «figurinhas» do futebol.

A.J.P.C.

 

 

**** Fotos: Net

JOVENS PADRES DE CALENDÁRIO

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Os tempos estão mudando, cantava Bob Dylan nos anos sessenta. Prova que eles nunca deixaram de mudar e a uma velocidade vertiginosa, é este Calendário Romano que hoje lhes apresentamos.
Não se trata de calendário de jovens meninas ou mesmo de musculosos rapazes. Trata-se nada mais nada menos do que um calendário com as fotografias de doze jovens padres e seminaristas da Igreja Católica. De autoria de Piero Pazi ,cada calendário custa apenas a módica quantia de dez €uros. Mas se quiser também oferecer às suas colegas de catequese ou mesmo às amigas das missas de domingo, saiba que dez destes bombásticos calendários custam apenas setenta e cinco €uros.
Há uns anos atrás ninguém pensaria que fosse possível um dia no Vaticano, venderem-se calendários com jovens padres em poses «metrosexuais», depois de durante centenas de anos tanto se apregoar contra o pecado da vaidade.

—Fotos: Net

UM INFERNO CHAMADO TARRAFAL

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A Prisão do Tarrafal fica situada na Ilha de Santiago – Cabo Verde – e foi criada pelo Governo de Salazar durante o chamado Estado Novo.

Grande parte dos opositores activos do regime eram perseguidos pela Pide e consequentemente eram torturados, alguns até à morte. O Campo de Concentração do Tarrafal começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936, com a chegada dos primeiros prisioneiros. Salazar pretendia, com estes campos de concentração, afastar da metrópole presos problemáticos criando assim o terror nos que pensavam desobedecer-lhe.

”” No silêncio deitado sobre um colchão de palha, um jovem de 17 anos chora às escondidas. Está preso preventivamente a alguns milhares de quilómetros de casa, na ilha de Santiago. Numa dúzia de barracas de lona, o chão de madeira ainda cheira a tinta, 150 homens acabam de estrear a “colónia penal” criada por decreto a 23 de Abril de 1936. O jovem não sabe que vai continuar preso, a aguardar julgamento por actividades políticas subversivas, durante mais nove anos e meio no mais temível campo de concentração português. “Era terrível ver o tempo passar sem saber se algum dia voltaria a ser livre. Entrei com 17 anos, saí com 27”. Hoje, Edmundo Pedro tem 96 anos e nem o tempo nem qualquer um dos seus carcereiros (depois do Tarrafal ainda passou mais sete anos em prisões do Estado Novo), conseguiram tirar-lhe a lucidez. Entrou na prisão quando era aprendiz na oficina de máquinas do Arsenal da Marinha, filho de uma família de activistas políticos. O pai foi enviado com ele para o Tarrafal, a mãe esteve nas Mónicas; João, o irmão mais novo, morreu depois de ter sido espancado pela polícia num comício proibido. “Quando oiço hoje alguns historiadores de televisão falar da lenda do Tarrafal e fingir que não houve fascismo em Portugal… apetece-me ir-lhes à cara”.

Um em cada dez presos não sobreviveu aos primeiros 12 anos no Tarrafal. Os sucessivos directores do “campo da morte lenta”, como ficou conhecido, não escondiam as intenções do regime: 

“Quem vem para o Tarrafal vem para morrer”, “Julgam que vão sair daqui vivos?”, “Hão-de cair como tordos” diziam sem rodeios a quem não os queria ouvir. Bento Gonçalves, líder do PCP, morre no Tarrafal em 1942.

Gabriel Pedro passou ao todo 135 dias na Frigideira. Um dia cortou as veias dos pulsos, mas foi encontrado ainda com vida num charco de sangue. O seu filho Edmundo esteve 70 dias no degredo. Fernando Alcobia saiu da Frigideira uma semana antes do Natal de 1939, dois dias depois estava morto. Mais de um terço dos presos foram encarcerados na Frigideira, por uma razão ou outra. Ou por nenhuma.

O CAMPO DA MORTE LENTA

Criada em Abril de 1936, a colónia penal do Tarrafal desde logo se revelou um dos instrumentos mais cruéis da política do Estado Novo.

O campo de concentração foi inaugurado em Outubro com 150 prisioneiros recebidos com as palavras do director, Manuel Reis: “Quem vem para o Tarrafal vem para morrer!”. Foram estes, em regime de trabalhos forçados que construíram as instalações e a célebre “Frigideira”, lugar emblemático do suplício dos presos. “

Miguel Saymanski

Afinal não foi um sonho, nem uma lenda sequer. O Tarrafal Prisão existiu mesmo e foram muitas as suas vítimas.

Fonte: Estranhomasverdadeiro.com