AS MEDALHAS POR FEITOS DESFEITOS

Quem viveu os tempos da Guerra Colonial recorda-se certamente do «teatro» montado na Praça do Comércio pelo regime de António Oliveira Salazar no feriado de 10 de Junho o tal a que chamavam “Dia da Raça”. Perfilados perante multidões silenciosas militares, governantes e medalhados aguardavam a hora das condecorações. Pais, viúvas, filhos tentavam controlar a emoção na altura em que altas figuras do regime lhes punham ao peito as célebres medalhas com que tentavam pagar a morte dos jovens militares das Guerras nas Colónias. E assim foi, até à chegada do dia que nos libertou do indigno regime em que vivemos mais de quarenta anos.

Hoje as medalhas são outras e …..bem diferentes por sinal.

 

“……Para quem fez a guerra colonial e não perdeu a sensibilidade, é com um misto de revolta e de vergonha que vê os nomes de Camões e de Portugal associados à palhaçada que a ditadura montava para legitimar a guerra ignóbil em que destruiu uma geração..

Já saí da guerra colonial há mais de quarenta anos e dos 1 465 dias que passei na tropa, nunca saíram de mim os 26 meses de Moçambique, o Moura que o rio Zambeze levou e o Dias cujo corpo esmagado ainda sinto nos braços e me fez sangrar por dentro. – Sorumbático”

Fonte : Ponte Europa – Fotos Net

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FUNERAIS DE ANTIGAMENTE

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Antigamente as urnas funerárias eram transportadas em carros fúnebres, puxados por cavalos ou mulas (finais do século XIX e princípios do século XX). Até os cavalos e mulas se vestiam de negro como se pode ver na foto.

De lembrar que era usual a contratação das “carpideiras” ou seja, mulheres que eram contratadas para chorar (e de que maneira ) nos funerais.

Aqui na nossa cidade há sessenta anos atrás, haviam umas carretas funerárias para transportar as urnas e que eram puxadas geralmente por dois homens.

Os velórios faziam-se na generalidade na casa dos falecidos.

Entretanto muita coisa mudou. As Agências funerárias de hoje têm à disposição dos clientes

vários tipos de cerimónia fúnebre consoante o poder económico e o desejo de cada um.

** Fonte : http://restosdecoleccao.blogspot.pt/

A BURKA UMA PRISÃO POR DEMOLIR

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A burka, traje islâmico que cobre o rosto e corpo da mulher, tem a sua origem num culto à divindade Astarte, deusa do amor, da fertilidade e da sexualidade, na antiga Mesopotâmia.
Em homenagem à deusa do amor físico, todas as mulheres, sem exceção, tinham de se prostituir uma vez por ano, nos bosques sagrados em redor do templo da deusa.
Para cumprirem o preceito divino sem serem reconhecidas, as mulheres de alta sociedade acostumaram-se a usar um longo véu em protecção da sua identidade.
Com base nessa origem histórica, Mustapha Kemal Atatürk, fundador da moderna Turquia (1923 – 1938), no quadro das profundas e revolucionárias reformas políticas, económica e culturais, que introduziu no país, desejoso de acabar de uma por todas com a burka, serviu-se de uma brilhante astúcia para calar a boca dos fundamentalistas da época.
Pôs definitivamente um fim à burka na Turquia com uma simples lei que determinava o seguinte:
«Com efeito imediato, todas as mulheres turcas têm o direito de se vestir como quiserem, no entanto todas as prostitutas devem usar a burka».
No dia seguinte, ninguém mais viu a burka na Turquia.
Essa lei ainda se mantém em vigor.

A Mocidade Portuguesa…..acabou por morrer na Guerra Colonial

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A velha e tão falada ao longo dos tempos, “ Mocidade Portuguesa” foi criada durante o Estado Novo de Salazar, em 11 de Abril de 1936. Alguns anos depois foi criada também uma outra secção da M.P mas que dizia respeito às raparigas de então.

O objectivo principal da Mocidade Salazarista era incutir nos jovens, valores nacionalistas e patrióticos do tal Estado Novo.

Os alunos que faltassem às actividades da Mocidade poderiam chumbar o ano por faltas.

A M.P. tinha um regulamento, fardamento próprio, possuía um hino, uma hierarquia de comando e promovia diversas actividades nas escolas, entre as quais a edição de Revistas, nomeadamente de quadradinhos mas era o desporto escolar a actividade mais apreciada pelos jovens.

Hino da Mocidade Portuguesa masculina :

 

Lá vamos, cantando e rindo, / levados, levados, sim, / pela voz do som tremendo / das tubas, clamor sem fim. / Lá vamos, que o sonho é lindo, / torres e torres erguendo, / rasgões, clareiras abrindo, / alvas de luz imortal, / roxas névoas despedaçam, / doiram o céu de Portugal. / Querer, querer, e lá vamos, / tronco em flor estende os ramos / à mocidade que passa.

 

Alguém que descreve o desfile pelas ruas da sua cidade, fardado de menino da Mocidade:

 

….O meu orgulhoso e inaugural desfile fardado não teve grande sucesso. Pior, foi um verdadeiro fiasco. A malta graúda assomava às portas das tabernas, desatava a rir-se, chamava-me piolho verde e, pior, escarnecia-me nas costas com olha mais um que é da bufa. Naquela terra com fardas, não entendi porque é que a minha farda merecia aquele tratamento, bem longe dos desejados suspiros de admiração e inveja. Bom, o certo é que rapidamente conclui que não ganhava nada com o negócio de me fardar na miragem de conseguir olhares com palmas. Encurtei o trajecto. E respirei de alívio ao desfardar-me. E disse para comigo: fardas nunca mais!. Longe estava de suspeitar que a farda me havia de vestir outra vez, mais um tanto de vida passado, sem poder despegá-la da pele. Verde, outra vez verde, era a farda. E pelo pior uso que se pode fazer de uma farda, o da guerra. No cú pior das cús das guerras do meu tempo de usar farda, o da Guiné.

 
Biografia de 
João Tunes.

Fotos : Blog Restos de Colecção.