MERCADO DE LOULÉ UMA OBRA CENTENÁRIA QUE NOS ORGULHA

Loulé  - Mercado.

Postal antigo do Mercado

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Passagem da Mãe Soberana junto ao Mercado

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Mercado nos dias de hoje

 

Foi em 27 de Junho de 1908 que um dos mais admirados edifícios de Loulé foi inaugurado. Completará assim dentro de alguns meses 107 anos de existência. Da autoria do Arquitecto Alfredo Costa Campos, de Lisboa, o nosso belo mercado municipal de linhas árabes, sofreu algumas alterações desde o documento inicial de 1903. Mas essas mesmas alterações não desvirtuaram de modo nenhum o projecto imaginado por aquele arquitecto que hoje, com a devida justiça este blog recorda chamando a atenção uma vez mais para a qualidade e lindeza do edifício

Há quem diga que se trata de um dos três mercados mais bonitos do país. Acreditamos. Não é vulgar passar por uma localidade e ficarmos de certo modo encantados com o seu mercado. Sempre aconteceu com quem tem visitado Loulé ao longo de todos estes anos. Com as obras de recuperação de 2005/2007 mais embelezado ficou o nosso Mercado. E como muito bem diz o Engº Luis Guerreiro da CML, o mercado reabriu para as mesmas funções para que foi concebido inicialmente, mas numa perspectiva de modernidade, higiene e segurança compatíveis com as exigências dos tempos actuais não descurando a sua componente turística dada a sua localização e as suas características que o tornam no principal ex-libris da cidade de Loulé.
Fotos: Fototeca da CML;A.C. ; Net.-

AS LAVADEIRAS E OS SEUS FAVORES ……DURANTE A GUERRA COLONIAL

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Postal deNatal enviado pelos soldados para o Continente.

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Militar posando com a sua lavadeira.

130 -Local de lavagem de roupa

Militares apreciando a lavagem das suas fardas.

140 -Muito naturalmente as mulheres andavam assim vestidas

Posando com jovens raparigas da aldeia.

Esta é uma das histórias que dariam milhares de livros e filmes, contadas por muitos ex militares que andaram por Angola, Moçambique e Guiné durante a Guerra Colonial.

Hoje debruçamo-nos sobre as lavadeiras e os favores sexuais prestados a milhares de combatentes nestas frentes de guerra.

Aqui transcrevemos do Blog de Tony Borie a sua história sobre as tais lavadeiras africanas.

“”Há mil histórias das ditas “Lavadeiras”, quase todo o militar dizia: – A minha lavadeira, é melhor do que a tua!

O Cifra depois da fraca experiência, com a sua lavadeira, que afinal era guerrilheira, andou um tempo sem lavadeira, andava sujo, e por vezes usava a roupa do Setúbal, ou mesmo do Curvas, alto e refilão.

Não podia continuar assim, pois não se sentia confortável, e em conversa com o Setubal, este diz-lhe:

– Porque não usas a minha lavadeira?. Creio que ela já desconfiou, que lhe entrego roupa a mais, todas as semanas!.

E isso era verdade, pois por vezes, o Setúbal levava alguns calções e camisas do Cifra, para ela lavar, e ela era esperta, pois entre elas falavam, e sabiam quantas peças de roupa, era normal um militar usar por semana. Diziam por lá, que ela era de etnia “Papel”, e como tal muito desconfiada, nasceu na Ilha de Bissau, e tinha vindo para Mansoa, há quatorze “chuvas”, que deviam de ser anos!.

O que o Criador lhe deu a mais fisicamente, roubou-lhe um pouco na inteligência, e se se lembrasse de dizer que o Vinte e Oito da companhia velha, era o Trinta e Seis do pelotão de morteiros, tinha que ser mesmo, e lá havia um conflito, pois estes dois militares eram completamente diferentes na fisionomia do seu corpo.

Mas continuando com a história, passou a ser também a sua lavadeira, e como tal, ficou sujeito a todas as anomalias da troca de roupa, quando ao sábado a vinha entregar, quando havia alguma confusão, ela logo respondia:

– Mi, lavá roupa para manga de pessoais!.

E também era verdade, mas não era motivo, para entregar ao Cifra, três meias soltas, uns calções, onde cabiam dois Cifras, já sem forro nos bolsos, e sem botões na frente,  umas calças de camuflado, que o Cifra nunca usou, pois o Cifra não usava camuflado, toda a sua farda de camuflado, foi usada pelo Setúbal e pelo Curvas, alto e refilão, e que ela dizia a pés juntos que eram dele,  ao pôr uma mão no bolso dessas calças, encontrava o isqueiro do Curvas, alto e refilão, que já procurava o isqueiro há uma semana, pois “pedia lume”, a toda a gente e dizia:

– Se encontro o filho da puta que me roubou o meu isqueiro, eu mato-o!. Cabrão!.

Mas havia um dia, em que ela, quase nunca se enganava, e até colocava a tal flor de cheiro sobre a roupa, esse dia era ao final do mês, e antes de entregar a roupa, estendia a mão e  dizia:

– Dá patacão, é fim de mês!.

Às vezes, pagavam com notas do Banco Nacional Ultramarino, e ela nunca dava o referido troco, e dizia:

– Mi, “patacão ká tem”, está bem assim!.

O Curvas, alto e refilão, dizia:

– Filha da puta, para ela, o mês só tem três semanas!. Qualquer dia mato-a!. “”

Tony Borie, 2013. ( Blog Pieces of my life)

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\ \ \ \ Fotos extraídas do Blog colectivo de Luís Graça e camaradas da Guiné e Net.

 

ALDRABAS que vieram do passado……

foto-joao-xavier-aldraba-em-olhao foto-joao-xavier-aldraba-da-porta-da-fortaleza-de-sagres Aldrabas   ALFAMA

Falar do património identitário de um povo é falar dos seus usos e costumes, dos seus edifícios e objectos, da natureza em que se enquadra, etc. Nesse sentido hoje decidi escrever algumas linhas sobre um objecto, a aldraba, que se encontrava presente nas portas dos nossos antepassados.

Criada com uma função diária (servia para quem chegava à porta de uma habitação anunciar a sua visita), a aldraba tinha ainda outro fim: servia de ferrolho, isto é, é necessário girar a aldraba que fazendo mover uma tranqueta serve para abrir ou fechar a porta

No tempo em que os árabes ocuparam o Algarve, algumas portas podiam ter três aldrabas que simbolizavam que no interior da casa haviam um homem, uma mulher e uma criança. Cada aldraba, segundo o sexo e a idade, tinha um tamanho e som diferenciados. 

A aldraba, diferente da “manita que é um batente, representava o contorno da mão de Fatma, a filha do Profeta Maomé, e nesse sentido, possuir tal objecto na porta de entrada da casa era uma forma de defender os seus habitantes dos maus olhados e atrair a sorte.

Hoje as aldrabas foram sendo substituídas por batentes, campainhas e puxadores. Algumas portas modernas possuem imitações quase perfeitas destes objectos que aqui adquirem uma função meramente decorativa.

Fonte: Agradecimentos ao Blog “ Marafações de uma louletana “

Fotos : Net