UM MESTRE…… ESTE VLADIMIR KUSH

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O mundo de Vladimir Kush é simplesmente maravilhoso:
mito, metáfora e poesia combinadas e reunidas em tela. Kush nasceu em Moscovo. O pai, Oleg, um matemático com tendências artísticas, apercebeu-se do talento do filho e encorajou-o desde o início. Ao mesmo tempo, e à medida que o rapaz crescia, dava-lhe a ler Júlio Verne, Jack London e Hermman Melville entre outros para proporcionar ao filho uma forma da mente viajar para além dos subúrbios cinzentos onde viviam.
Hoje Kush é considerado um grande pintor. Aqui ficam três das suas telas. E nada melhor para acompanhar esta tão bela pitura, do que uma poesia da nossa grande Florbela Espanca.
Fonte: Texto e Fotos -Net

Exaltação

Viver!… Beber o vento e o sol!… Erguer
Ao Céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!…
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!…
A glória!… A fama!… O orgulho de criar!…

Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!…

Trago na boca o coração dos cravos!
Boémios, vagabundos, e poetas:
Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!…

 

ÀS MULHERES POUCA IMPORTÂNCIA LHES DAVAM…………

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Mulher inquirida pela PIDE.

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Trás-os-Montes – Foto de Georges Dussand

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Família pobre da Beira nos anos cinquenta.

 

Em Portugal, o Estado Novo esforçou-se por conservar a mulher no seu posto tradicional, como mãe, dona de casa e em quase tudo submissa ao marido. A Constituição de 1933 estabeleceu o princípio da igualdade entre cidadãos perante a Lei, mas com algumas excepções.

A mulher via-se relegada para um plano secundário na família e na sociedade em geral.

A lei portuguesa designava o marido como chefe de família. A mulher não tinha direito de voto, não tinha possibilidade de exercer qualqer cargo politico, e mesmo em termos de família, não tinha os mesmos direitos na educação dos filhos. A lei atribuia à mulher casada o governo da casa, ou seja, cozinhar, manter a casa limpa e cuidar dos filhos.

Outro dos problemas que a mulher enfrentava na altura acontecia nas situações de reconstituição da família. O divórcio era proibido, devido ao acordo estabelecido com a Igreja Católica na Concordata de 1944, pelo que todas as crianças nascidas de uma nova relação, posterior ao primeiro casamento, eram consideradas ilegítimas, havendo então duas alternativas no acto do registo: a mulher ou dava à criança o nome do marido anterior ou assumia o estatuto de “mãe incógnita”. O que não podia era dar o seu nome e o do marido actual.

Ainda mais um exemplo: Além disso, naquela altura estava escrito em decreto-lei que uma professora só podia casar com um homem que tivesse um vencimento superior ao dela. “Uma mulher casada não podia ir para o estrangeiro sem autorização do marido, não podia trabalhar sem autorização do marido. O marido podia chegar a uma empresa ou estabelecimento público e dizer: eu não autorizo a minha esposa a trabalhar. E ela tinha que vir embora, tinha que ser despedida”

 

Fonte : A emancipação da mulher na idade contemporânea.

Fotos: Net

 

O africano que se dizia louletano de coração para sempre

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Como foi amplamente noticiado faleceu Kumba Yalá, ex-presidente da Guiné -Bissau, deposto por um golpe militar após três anos de mandato.

Kumba Yalá viveu a sua juventude em Loulé onde estudou até completar o ensino secundário. Comunicativo, afectuoso, inteligente, não lhe foi difícil conquistar muitos amigos louletanos. Adorava jogar futebol tendo sido jogador do Louletano e de um outro clube em S.Braz de Alportel. Continuando a estudar,licenciou-se em filosofia e Teologia em 1981 e em Ciência Política em Berlim em 1987.

São do actual Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo amigo pessoal de K.Yalá as palavras que transcrevemos, pelo seu falecimento:

 

“ Registamos com consternação o desaparecimento de alguém que teve uma forte presença e relação de amizade com a nossa comunidade, que fez amigos entre nós e que, seguindo o seu caminho, alcançou no ano de 2000, em eleições livres e democráticas a Presidência da República da Guiné-Bissau, cargo em que se manteve até 2003.

Com a sua morte desaparece um homem que, de forma consciente e resoluta e colocando muitas vezes em perigo a própria de vida, se opôs a um regime autocrático e se aproximou do sentimento mais genuíno e puro do povo guineense. E nunca se desviou desse seu propósito apesar de, como sabemos, os seus esforços não terem resultado em pleno no que respeita à consolidação de um regime político que desse a segurança, a estabilidade e um desenvolvimento justo ao seu Pais.

Kumba Ialá fez a sua formação académica em Portugal e manteve uma relação de grande proximidade e amizade com muitos de nós e com muitos dos nossos munícipes.

Talvez também por esse motivo, neste momento em que desaparece do nosso convívio, cumpre-nos fazer este preito e homenagem a um homem que admiramos e que sempre recordaremos como alguém que, pelo seu pensamento e ação, deixa um enorme vazio na República da Guiné-Bissau.

À memória de Kumba Ialá!
05-04-2014 “

 

No livro de honra da Tertúlia da Pastelaria Portas do Céu ficou registado por palavras suas o amor que tinha à nossa terra e às suas gentes referindo até que se considerava um louletano do coração, para sempre.

 

Foto: Net

 

OS INTERROGATÓRIOS NA PIDE

UM PIDE

Desenho de João Abel Manta

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Director Geral da Pide – Silva Pais

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Saída dos presos políticos de Caxias – Abril de 1974

 

Antes da «tortura do sono», que, como o nome indica, consistia em deixar o paciente sem dormir até «confessar», houve a «estátua» que, à insónia forçada, juntava a imobilidade também forçada. Os «cientistas» policiais parecem ter descoberto que a imobilidade produzia um desgaste físico acelerado e que na nova modalidade, podendo mover-se, os presos aguentavam mais enquanto, privado do sono durante mais tempo, o cérebro se cansava e a capacidade mental de resistir também. Afinal tratava-se do velho «tormentum insoniae», o suplício da insónia, tão usado pela Inquisição. Lembro um estudante de Agronomia que esteve 21 dias sem dormir e que sendo deficiente motor (poliomielite) foi obrigado pelos agentes a dançar a Kalinka… Mesmo assim, não terá sido um recorde.

Além das mortes, das famílias destruídas pelas prisões prolongadas, com diversos anos de pena a que se acrescentavam as tais medidas de excepção que as podiam prolongar indefinidamente, era vulgar os presos verem-se despedidos dos empregos. Quando saíam da prisão – fossem operários, professores, médicos ou escriturários, não podiam trabalhar. Nem emigrar, pois não tinham direito a passaporte. A propósito de vexame, as mulheres eram mais vulneráveis – embora vigiadas, torturadas e espancadas por agentes femininos, houve casos de abusos sexuais praticados por inspectores, chefes de brigada ou agentes masculinos. Uma tortura adicional era, se a «estátua» ou a «tortura do sono» coincidiam com o período menstrual, não as deixavam pôr ou mudar pensos, tomar medidas higiénicas, criando uma humilhação extra com os comentários sarcásticos que os agentes, homem ou mulher, faziam sempre que entravam no «gabinete». Fala-se de uma presa, uma estudante, que, já nos anos 60, enlouqueceu.

 

Fonte: Blog Estrolabio- Carlos Loures