A arte da sapataria em Loulé…

Oficina do pai da M J. pai e mãe da M Joao

O fabrico de sapatos constitui hoje uma força vital na economia portuguesa, assente em centenas de fábricas onde é produzida uma vasta gama de modelos para exportação para todo o mundo e para consumo interno.

Porém há menos de 50 anos, era apenas uma indústria artesanal; cada par de sapatos era laboriosamente cortado e cosido à mão. O ofício de sapateiro era um negócio de família, em que o pai, a mãe e os filhos tinham papeis específicos na linha de produção. As partes de cima eram normalmente confiadas às mulheres, enquanto os homens se ocupavam das partes que exigiam mais força como o coser das solas à mão.

No Algarve, os principais centros de produção eram Loulé, Tavira, Faro e Monchique. Assegura-se que muitos dos segredos dos tintos, manufactura e tradições deste negócio reportam a sapateiros árabes e judeus de há centenas de anos atrás.

Hoje recordamos aqui um casal de artistas louletanos, da arte da sapataria, infelizmente já desaparecidos do mundo dos vivos. Carlos Pinguinha e sua esposa Albertina Pinguinha, dedicaram-se durante épocas a esta arte com tal perfeição que aqui se deslocavam de vários pontos do Algarve e até da Capital, gente exigente que lhes reconhecia o trabalho de verdadeiros artistas.

Em algumas cidades algarvias ainda existem ruas com nomes que comprovam a importância destas localidades como zonas de fabrico de calçado. Em Faro a Rua dos Surradores e Rua das Alcaçarias, em Tavira a Rua do Máforo e a do Rossio do Cano e finalmente Loulé a Calçada dos Sapateiros.

No Algarve restam já muito poucos sapateiros, mas Portugal continua a ser bem conhecido em muitos países do mundo, pelo nível do calçado que exporta e que na sua maioria é fabricado em pequenas e grandes fábricas do norte do país.

******* Fontes : “ Revista Unique “ – Quinta do Lago ; Ilídio Floro e Anabela Martins.

Quase meio século depois…..

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Todos trazemos connosco recordações dos tempos de infância quer ela tenha sido muito ou pouco feliz.

Hoje como muitas vezes o faço, passei à rua onde nasci e naturalmente que me vieram à memória muitas imagens de velhos amigos, vizinhos e familiares.

A velha oficina do ferrador Mestre Chico, onde em longas tarde de Verão me entretinha a ver o trabalho nada fácil de ferrar os animais era um dos lugares de eleição.

Ali havia uma estrutura a que chamavam o Tronco. Nele imobilizavam-se os animais a fim de serem ferrados.

Mulas, cavalos e burros eram geralmente ferrados sem entrarem no tronco. O ferrador, de costas viradas para o animal, levantava-lhe a pasta a ferrar e segurava-a entre as suas pernas. Tirava-lhe a ferradura velha com uma grande turquês. Depois cortava com um formão um pouco de casco. Alisava o casco com uma grosa e aplicava-lhe, a seguir, com grandes marteladas numa bigorna, uma nova ferradura, ajustada ao tamanho da unha do animal. Agora com um martelo espetava os cravos – uns pregos que eram enfiados em buracos da ferradura. Os cravos eram espetados de modo oblíquo relativamente à pata. Depois o ferrador cortava e limava com uma grosa as pontas dos cravos que saíam do casco. “ In Blog Louriças terras e gentes -João. M Maia Alves”

Pelas duas fotografias por mim obtidas, uma em 1969 e a outra no dia de hoje, se pode verificar como tudo muda à nossa volta. A velha oficina do Mestre Francisco Ferrador é hoje um bom restaurante de sabores do longínquo Japão. – A. Palma Clareza

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Sinto falta dos velhos da minha rua, da infância que se foi, das lembranças que ficaram, das pessoas que partiram e que nunca voltarão….. pois assim como a morte o passado não tem retorno. “ Camila Rossie