Viva a Mãe Soberana de Loulé !

Madre 2 Mãe soberana 4 quadra à M Soberana

Quatro séculos depois, os louletanos continuam anualmente, no domingo de Páscoa e quinze dias depois, a homenagear a sua padroeira Nª Sª da Piedade com o mesmo entusiasmo e a mesma fé de sempre.

Aqui deixamos  duas fotos da festa deste ano e bem assim ” Uma Linda Quadra” escrita pelo poeta popular António Aleixo há algumas décadas atrás, glosada à Senhora da Piedade de Loulé.

Fotos: José Costa

 

A ÚLTIMA AJUNTADEIRA

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Na Rua dos Almadas, em Loulé e que outrora se designava por Rua do Arco do Chafariz, encontramos um pequeno espaço típico e familiar onde D. Maria Encarnação do Nascimento, conhecida por D. Sanita, trabalha como ajuntadeira.

Mal saíu da escola foi logo aprender o ofício, porque a dureza da vida e as circunstâncias dos tempos assim o exigiam. Mas D. Sanita confessa-nos, com a a sua simpatia irradiante: “ O meu sonho era ir para uma creche tratar de crianças, mas a vida não era fácil e eu precisava de ganhar, os tempos eram muito pobres”. Hoje reformada com uma modesta pensão, continua agarrada à arte de coser e ajuntar, soltando um desabafo: “ Hei-de morrer a trabalhar”.

Nascida e criada em Loulé, na Rua do Poço, trabalhou em lojas desde menina e moça, mas há mais de trinta anos que está instalada neste cantinho, próximo da Rua das Lojas, onde alia ao trabalho o gosto pelo convívio, pois muitas clientes habituais param na porta nº 10, não apenas para encomendarem algum serviço, mas também para dois simpáticos dedos de conversa.

Antigamente havia muitos sapateiros e lojas tradicionais e as pessoas deslocavam-se à “vila” para fazer compras e arranjar calçado ou peças de vestuário. Ainda hoje tem algumas clientes fixas que lhe pedem para fazer bainhas ou colocar fechos, fazer pequenos arranjos. Há roupa com um significado especial, com um valor sentimental e afectivo para quem a possui. Calçado já não arranja,apenas vestuário, pois a máquina que ali está parada não funciona por falta de uma peça.

Sobre Loulé e os louletanos considera que os tempos mudaram hábitos e costumes e que antigamente talvez existissem mais laços de afectividade. “ Era outra época. As pessoas ajudavam-se mais, eram mais amigas umas das outras “.

É um prazer falar com D. Sanita pela sua afabilidade, pela sua doçura, ela que é uma figura muito querida e estimada na cidade. E aquele espaço tão aconchegado, que chama a atenção de qualquer visitante que ali passa, é um espaço onde o afecto

e o gosto pelo ofício se misturam com uma visível devoção à Nossa Senhora da Piedade, a Mãe Soberana, padroeira dos louletanos, patenteada nas diversas imagens que decoram as paredes da sua simpática “oficina” e que sobressaem entre as máquinas, as tesouras, as linhas e outros utensílios e peças que também têm a sua história.

Na Rua dos Almadas…em Loulé, a vida tem um ar muito tradicional.

(a) Este texto publicado na Revista Raízes – Loulé identidade e cultura – é de autoria de Luis Monteiro Pereira, jornalista, poeta, funcionário público e que entretanto de forma inesperada nos deixou.