O VOO DA CEGONHA

O VOO DA CEGONHA

UM AMIGO NUM PASSEIO DE FIM DE SEMANA POR TERRAS ALGARVIAS DE SILVES, CAPTOU COM A SUA MÁQUINA FOTOGRÁFICA O VOO DE UMA DESSAS AVES QUE SE PASSEIAM NOS CÉUS DO NOSSO ALGARVE….Á SEMELHANÇA DE OUTROS LUGARES

A CEGONHA PLANANDO ALTO NAS SUAS PODEROSAS ASAS, COM PESCOÇO ESTICADO E SUAS LONGAS PERNAS ESTENDIDAS RETAS PARA TRÁS, APRESENTA UM ESPECTÁCULO IMPONENTE. AS DUAS MULHERES OBSERVADAS NA VISÃO DE ZACARIAS ( Za 5-6 -11 ) CARREGANDO A MEDIDA DE UMA EFA, CONTENDO UMA MULHER CHAMADA “INIQUIDADE”, SÂO DESCRITAS COMO TENDO “ASAS SEMELHANTES ÀS DA CEGONHA “

In: “Biblioteca da Torre de Vigia”

Fotos: JOSÉ COSTA

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Letra : O VOO DAS CEGONHAS

Vivia a esperar um dia tão raro

Foi longo e o mais curto passou

Vivia a sonhar um leito tão gelo

Fervia por vê-lo

Voltar ao lugar onde o tempo parou

As casas iguais, o pôr do sol mudou

As pessoas não estão, ninguém o conhece

Nem ao quinto assobio o cão aparece

Uma lenda nasceu e o povo a cantou

Sobre a mulher sem peso que a luz esvaziou

Ela subiu aos céus, onde o voo das cegonhas

Se cruza com a voz de Deus

Vivia a temer, esse longo inverno

Mas esse inverno passou

E triste ficou quando se viu velho

O inverno cem anos durou

Voltar ao lugar onde o tempo parou

As casas iguais, o pôr do sol mudou

As pessoas não estão, ninguém o conhece

Nem ao quinto assobio o cão aparece

Uma lenda nasceu e o povo a cantou

Sobre a mulher sem peso que a luz esvaziou

Ela subiu aos céus, onde o voo das cegonhas

Se cruza com a voz de Deus

(a) Armando Teixeira

O VELHO CICLO DAS FLORES DE AMENDOEIRA

Todos os anos entre Janeiro e Fevereiro, as amendoeiras dos montes e caminhos do Algarve florescem como por encanto. E na verdade é sempre um encanto contemplar este espectáculo que ao longo de séculos tanto tem cativado os olhares quer dos algarvios quer de gentes de outras paragens. Mais uma vez a natureza não fugiu à regra e proporcionou espectáculos de alva brancura como se a neve nos visitasse como acontece pela europa do norte.

Há sempre uma ou outra que floresce mais tarde . Por isso aqui ou acolá ainda é possível observar belas flores de amendoeira que o vento se encarrega de espalhar aos quatro ventos. Até para o ano.

Ficamos com um poema de Ary dos Santos sobre este tema, que pela sua pena nos deixa também deslumbrados.

A.C.

Fotos de José Costa.

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Tempo da Lenda das Amendoeiras

(…)

A Princesa

Ai portas do meu silêncio.

Ai vidros da minha voz.

Ai cristais da minha ausência

da terra dos meus avós

desatavam-se em soluços

os seus cabelos desfeitos.

(…)

O Rei

Dizei-me magos oragos

anões duendes profetas

adivinhos e jograis

sagas videntes poetas

como hei-de secar o pranto

daqueles olhos de rio

como hei-de calar os ais

daquela boca de estio

como hei-de quebrar o encanto

que numa tarde de pedra

talhada pela tristeza

selou com dedos de chumbo

o sorriso da princesa

que suspira pela neve

da ponta do fim do mundo.»

in SANTOS, Ary dos. – Tempo da Lenda das Amendoeiras. Lisboa, 1964.