Camaleões…esses derradeiros monstros pré-históricos algarvios

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Na Mata de Monte Gordo e em pequenos núcleos isolados que se espalham principalmente pelo sotavento algarvio sobrevivem as derradeiras populações portuguesas de camaleão-comum. O biólogo Jorge Nunes desvenda os mistérios deste curioso réptil com aspecto de monstro pré-histórico que partilha o seu fragmentado habitat com os muitos veraneantes que elegem o Algarve como destino para fruição dos prazeres balneares.

Durante as férias balneares, que para muitos começam logo nas mini-férias da Páscoa, os turistas tomam de assalto o litoral algarvio. Invadem as praias à cata do bronze e dos refrescantes banhos de mar, abrigam-se na sombra de perigosas arribas e falésias pondo em risco a sua própria segurança, acamam-se nas dunas, que tomam como suas e das quais fazem estacionamentos e acampamentos clandestinos, e, na ânsia da fruição dos prazeres do estio, esquecem-se de olhar à sua volta e de apreciar a Natureza que os rodeia. Com tanta insensibilidade ambiental, não é de admirar que a biodiversidade esteja a perder-se de forma acelerada e irreversível, especialmente em terras algarvias.

 

Se não é fácil ser-se turista num Algarve sobrelotado de gente, imagine-se o que sentirão os bichos que lá habitam! Deve ser com desmedido temor que encaram a estranha multidão fervilhante que regressa sazonalmente para lhes tirar o sossego, lhes devassar o espaço vital e lhes alterar os hábitos quotidianos ou, pura e simplesmente, lhes destruir os habitats, pondo em perigo a sua sobrevivência. Esta família de répteis (Chamaeleonidae) é originária da África Oriental e pensa-se que terá surgido há cerca de 60 milhões de anos.

A sua origem em terras lusas continua a ser motivo de controvérsia, embora os dados disponíveis apontem para que tenha sido introduzido nos pinhais entre Monte Gordo e Vila Real de Santo António, por volta de 1920. Estudos recentes, baseados na análise de ARN mitocondrial, parecem indicar que os camaleões algarvios foram introduzidos a partir de populações da costa atlântica de Marrocos, provavelmente de Essaouira, dado que existe uma enorme proximidade genética entre ambas as populações, que estão separadas apenas por cerca de 650 quilómetros de oceano.

Fotos: José Costa obteve estas fotos num pequena colónia nas imediações de Paderne – Algarve.

Fonte: http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=58:camaleoes-algarvios&catid=6:artigos&Itemid=80

Em Tavira e no Brasil comia-se na gaveta ?

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Tavira pela objectiva de Fernando Ricardo.

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Algures… comendo na gaveta

 

 

Desde criança que sempre ouvi dizer que  “os de Tavira comem na gaveta “. Na verdade não entendia bem  o que significava tal expressão. E das muitas vezes que me tenho deslocado a Tavira nunca  perguntei a qualquer tavirense  o significado  da frase que toda a vida nos habituámos a ouvir.

Hoje por acaso, encontrei num Jornal on line “O Estadão”, algo de muito interessante sobre este assunto. E mais fiquei a saber que no Brasil em alguns lugares do seu extenso território também era prática corrente «comer na gaveta ». Ora vejam só  a explicação dada  no referido jornal sobre este assunto que muitos ouviram falar mas nada sabem do assunto e outros nem chegaram a ouvir alguma vez.

 

““ Houve tempo em que os habitantes da cidade de Mariana, em Minas Gerais, Cuiabá, no Mato Grosso, e Araras, Campinas e Itu, em São Paulo, eram chamados de gaveteiros – era essa a qualificação popular. Em Portugal, tinham a mesma fama os moradores de Tavira, bonita cidade localizada a 30 quilômetros de Faro, na região do Algarve. Entretanto, no site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, assessorado pelo Ministério da Educação de Portugal, garante-se que jamais retratou a realidade. “Na verdade, Tavira (…) tem uma população muito hospitaleira, dando-se até o contrário do que a citada afirmação deixa no ar”, depôs o internauta Carlos Marinheiro. “Sempre que um forasteiro entra num lar tavirense na hora de almoço, arrisca-se a uma zanga se recusar a comida que, de imediato, oferecem-lhe.”

Os moradores da cidade acham que ganharam fama de gaveteiros porque, no passado, o comércio local não fechava na hora do almoço. Sem possibilidade de comerem em casa, os donos e os empregados dos estabelecimentos se alimentavam no trabalho. Quando chegava um cliente, enfiavam o prato na gaveta. No momento em que ia embora, reiniciavam o almoço. Por precaução, alguns mantinham o prato sempre escondido. Comiam abrindo e fechando a gaveta. Eduardo Frieiro, no livro Feijão, Angu e Couve (Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1982), explica de outra forma a reputação de Mariana. Afirma que seu povo, tendo poucos recursos, não escondia o prato por sovinice, mas por vergonha do que ele continha. “”

 

Fotos: Maria Ceu Calcinha e Fernando Ricardo

 

 

 

 

Ainda hoje gosto de ver passar os comboios……

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Comboio antigo com muita fumarada…..

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Combio de brincar que apenas estava ao alcance de algumas bolsas…

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Comboios da era modera. Supersónicos.

Quem não se recorda da 1ª vez que viu passar à distância ou mesmo chegar a uma das muitas estações de caminho de ferro existentes por esse país fora, aquela máquina que traz atrás de si muitas carruagens e a que chamam comboio ?

Lembro-me de que me agarrei com alguma violência ao casaco da minha mãe à medida que aquele monstro de ferro espumando fumo e apitando no escuro da noite se aproximava da estação onde aguardávamos familiares que vinham de longe. Um misto de medo mas também de encanto apoderou-se de mim naquela altura. Nunca mais esqueci o momento. E ainda hoje não é sem algum «respeito» que vejo aproximar-se da estação onde habitualmente embarco, o comboio…que entretanto muito mudou desde aqueles tempos de criança.

Vejamos o que nos diz F. Caravalho em breves linhas, sobre o princípio e na actualidae esta máquina que não pára de evoluir:

Foi a invenção da máquina a vapor e a sua aplicação á indústria que levou os governos europeus, por volta de 1835, a criar novos meios de transporte para escoar com rapidez os produtos saídos das fábricas. Desapareciam as carroças e nascia o caminho-de-ferro, que toma esse nome porque os veículos se deslocavam em carris de ferro. Em Portugal, depois de muitos projectos e constituição de várias empresas fracassadas, foi inaugurada a primeira linha de caminho de ferro entre Lisboa e o Carregado, numa extensão de 37 km. A primeira viagem realizou-se no dia 28 de Outubro de 1856 levando a bordo o rei D. Pedro V, sendo a composição rebocada por duas máquinas.

Os últimos avanços deste magnífico meio de transporte, são os comboios de levitação magnética.
Um comboio de levitação magnética ou maglev é um veículo semelhante a um trem que transita numa linha elevada sobre o chão e é propulsionado pelas forças atractivas e repulsivas do magnetismo. Devido à falta de contacto entre o veículo e a linha, a única fricção que existe, é entre o aparelho e o ar. Por consequência, os trens de levitação magnética conseguem atingir velocidades enormes, com relativo baixo consumo de energia e pouco ruído, (existem projectos para linhas de maglev que chegariam aos 650 km/h). “

In http://pt.slideshare.net/fercarvalho40/comboios-de-ontem-comboios-de-hoje ; Fotos :Net

 

 

Álcacer Quibir… já passaram 436 anos !

O pequeno D. Sebastião foi educado por jesuitas que lhe transmitiram a ideia de que o seu poder provinha de Deus, e não das Cortes. Os tutores meteram-lhe também na cabeça a ideia de que o abandono de algumas praçasdo norte de África, no tempo de D. João III, tinha sido um erro, quando pelo contrário fora uma medida acertada visto que as despesas com as guarnições eram superiores aos lucros provenientes da sua posse.

Em 1574, quando tinha 20 anos D. Sebastião embarcou em segredo para Tânger e Ceuta, duas praças fortes marroquinas ocupadas mais de cem anos antes pelos portugueses. Ali fez correrias pelos campos vizinhos e apercebeu-se de que conquistar aquilo era mais dificil do que imaginara. Mas nem por isso mudou de ideias e regressado a Portugal, não desistiu da ideia de anexar Marrocos inteiro.

Ora apareceu por essa altura em Lisboa um tal Mulei Mohammed, sultão de Fez, que fora destronado pelo tio, Ab-al-Malik, e que pretendo reaver o poder, vinha pedir ajuda ao rei de Portugal. D.Sebastião organizou logo um exército para ir em ajuda do ex-sultão de Fez. Dessa tropa de 18 000 homens, embarcada a 24 de Julho de 1578, fazia parte quase toda a aristocracia (a classe dirigente), com o próprio rei à cabeça. Abd al Malik, a quem os nossos chamavam “ Mulei Maluco”, tinha feito alinhar a sua tropa junto da pequena povoação de Al Quasr al- Kibir (Alcácer Quibir); eram uns 120 000 guerreiros, pelo que o desfecho da batalha que ali se travou no dia 4 de Agosto desse ano (passam agora 436 anos) foi o único possível: a vitória por KO de”Mulei Maluco”, que mesmo assim morreu no combate.

Na refrega morreram também 9 000 combatentes portugueses e os restantes foram capturados. Estes fidalgos aprisionados pelos marroquinos foram depois regressando à medida que conseguiam que alguém lhes fizesse chegar as somas exigidas pelo seu resgate. Mas o mais grave foi o desparecimento do próprio rei sem deixar sucessor. “

 

(Luís Almeida Martins – in “Visão” )

 

-Fotos Net – Ilustração Alcácer-Quibir battle (Al Quasr al-kibr). Illustration for a High school History book. Published by Areal.

2ª PinturA: Pintura que descreve o momento em que a cavalaria portuguesa é cercada e envolvida pelas forças muçulmanas (Autor desconhecido )

Tó  e Isabel Pereira - El Rei D. seb.

Foto da representação ” El Rei D. Sebastião ” de autoria de Isabel Pereira pelo Teatro Laboratório de Faro, na década de oitenta. Na imagem: Isabel Pereira e Tó Clareza.

ilustração Alcacer Quibir.p125vol4