Morreu mais um artista louletano, Leonel Borrela.

Leonel BOORRELLA canto alentejano Serpa Torre do Relógio 2015

Chamava-se Leonel António Jerónimo Borrela . Nasceu em Loulé há 62 anos mas há cerca de cinquenta foi viver para Beja onde constituiu família. Era de há muito, um grande aguarelista tendo ao longo da vida realizado inúmeras exposições em diversos pontos do país, encontrando-se muitas das suas obras em colecções particulares em diferentes latitudes do mundo.

Exercia as funções de técnico do Museu Regional de Beja tendo sido um estudioso da história e património cultural sobretudo alentejano. As célebres Cartas da freira de Beja Mariana Alcoforado, foram matéria de estudo apaixonado pelo artista Borrela.

“ Seja qual for o processo da criação artística, uma certeza: os artistas são seres especiais enviados para iluminar a existência terrena. “ (Doracino Naves)

Fotos. Página FB do Leonel Borrela.

Leonel Borrela; Aguarela Torre do Relógio de Loulé : Aguarela de Canto alentejano -Serpa.

MÂE SOBERANA DE LOULÉ

MS -1 MS 2 MS 3

MS 4

Uma Festa que se repete há centenas de anos, mais precisamente há 464 anos. Quinze dias depois da Páscoa mais uma vez os louletanos deram continuidade às tradicionais festas em honra da sua padroeira, transportando em ombros como sempre, o pesado andor da Mãe Soberana da Piedade .
Ao esforço gigantesco dos «homens do andor» alia-se a força espiritual de muitos e o entusiasmo festivo de outros, não esquecendo ainda a vibração que causa em todos nós o imortal hino à Senhora da Piedade, de autoria de Manuel Campina, tocado pela Banda Filarmónica Louletana.
É naturalmente, apesar de muitas romarias que existem pelo país, uma festa única. Daí também, a vinda todos os anos ,de milhares de crentes ou simples curiosos, que se deslocam cada vez em maior número, dos mais variados recantos do sul do país e agora também da vizinha Espanha.
Até para o ano e Viva a Mãe Soberana !

António Palma Clareza

Fotos : DaCruzPhoto

A fotografia de 3ª Feira de Carnaval…

Telma e FiFi Tó e Furtado

No tempo em que poucas eram as famílias que possuíam a sua máquina fotográfica, em contraste com os dias de hoje em que qualquer telemóvel pode tirar centenas delas, alguns privilegiados tinham a sorte de num desses dias dos festejos de Carnaval, passar por um qualquer Estúdio na sua vila ou cidade e posar para aquela máquina enorme com um senhor ou uma senhora, escondidos atrás da dita e tapados por um longo pano preto. Ao longo de décadas foram mudando os trajes escolhidos pelos pais para que os meninos posassem para a posteridade no tal dia de Carnaval. As quatro fotos que apresentamos hoje são de quatro gerações diferentes mas todas elas seguindo ainda o padrão habitual e que era o pescador, o músico, a fada e a nazarena.

Os meninos são o Luís Furtado em 1947, o António Clareza em 1951 e as meninas, a Sofia Silva em 1971 e a Telma Madeira em 1980.

Escusado será dizer que hoje na generalidade, são as crianças que escolhem os trajes e que os mesmo recaem nos seus heróis das séries de desenhos animados televisivos ou dos heróis da 7ª arte da actualidade.

A.C.

NO DIA DOS MEUS ANOS

 

OS TRES DA CASA

A casa estava cheia

Havia flores sobre a mesa

e o bolo mesmo que humilde,

reluzia qual árvore de Natal.

Os amigos chegavam

de olhos arregalados para os bonbons,

ou mesmo para o bolo pouco colorido

mas majestoso para todos nós.

Cantava-se desafinadamente os parabéns,

apagavam-se as pequeninas velas de pouca chama

e trocavam-se impressões sobre o próximo aniversariante.

Alguns nunca tinham tido um bolo mesmo singelo como este.

A gatinha da casa aproveitava a distracção dos alegres

convidados e dava mais uma lambidela no que restava do bolo.

Depois, cada um regressava às suas casas…..e eu lá ficava

imaginando como seria o próximo aniversário.

No dia dos meus anos, há muitos anos atrás, eu era feliz com o

pequeno bolo de aniversário o olhar bondoso dos meus pais e

avós bem como dos amigos que desafinadamente me

cantavam os parabéns a você.

A velha casa hoje está vazia e dos seus ocupantes apenas resta a

imagem em fotografias cinzentas dos seus amados rostos de

então.

No dia dos meus anos…há muitos anos, aquela casa estava cheia

e hoje continua cheia mas apenas das minhas recordações.

*************************************************

AJPC

Colaboração no arranjo fotográfico : M João Vitorino