O africano que se dizia louletano de coração para sempre

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Como foi amplamente noticiado faleceu Kumba Yalá, ex-presidente da Guiné -Bissau, deposto por um golpe militar após três anos de mandato.

Kumba Yalá viveu a sua juventude em Loulé onde estudou até completar o ensino secundário. Comunicativo, afectuoso, inteligente, não lhe foi difícil conquistar muitos amigos louletanos. Adorava jogar futebol tendo sido jogador do Louletano e de um outro clube em S.Braz de Alportel. Continuando a estudar,licenciou-se em filosofia e Teologia em 1981 e em Ciência Política em Berlim em 1987.

São do actual Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo amigo pessoal de K.Yalá as palavras que transcrevemos, pelo seu falecimento:

 

“ Registamos com consternação o desaparecimento de alguém que teve uma forte presença e relação de amizade com a nossa comunidade, que fez amigos entre nós e que, seguindo o seu caminho, alcançou no ano de 2000, em eleições livres e democráticas a Presidência da República da Guiné-Bissau, cargo em que se manteve até 2003.

Com a sua morte desaparece um homem que, de forma consciente e resoluta e colocando muitas vezes em perigo a própria de vida, se opôs a um regime autocrático e se aproximou do sentimento mais genuíno e puro do povo guineense. E nunca se desviou desse seu propósito apesar de, como sabemos, os seus esforços não terem resultado em pleno no que respeita à consolidação de um regime político que desse a segurança, a estabilidade e um desenvolvimento justo ao seu Pais.

Kumba Ialá fez a sua formação académica em Portugal e manteve uma relação de grande proximidade e amizade com muitos de nós e com muitos dos nossos munícipes.

Talvez também por esse motivo, neste momento em que desaparece do nosso convívio, cumpre-nos fazer este preito e homenagem a um homem que admiramos e que sempre recordaremos como alguém que, pelo seu pensamento e ação, deixa um enorme vazio na República da Guiné-Bissau.

À memória de Kumba Ialá!
05-04-2014 “

 

No livro de honra da Tertúlia da Pastelaria Portas do Céu ficou registado por palavras suas o amor que tinha à nossa terra e às suas gentes referindo até que se considerava um louletano do coração, para sempre.

 

Foto: Net

 

OS INTERROGATÓRIOS NA PIDE

UM PIDE

Desenho de João Abel Manta

PIDE-silva-pais

Director Geral da Pide – Silva Pais

Saida presos politicos Caxias Carlos Alberto

Saída dos presos políticos de Caxias – Abril de 1974

 

Antes da «tortura do sono», que, como o nome indica, consistia em deixar o paciente sem dormir até «confessar», houve a «estátua» que, à insónia forçada, juntava a imobilidade também forçada. Os «cientistas» policiais parecem ter descoberto que a imobilidade produzia um desgaste físico acelerado e que na nova modalidade, podendo mover-se, os presos aguentavam mais enquanto, privado do sono durante mais tempo, o cérebro se cansava e a capacidade mental de resistir também. Afinal tratava-se do velho «tormentum insoniae», o suplício da insónia, tão usado pela Inquisição. Lembro um estudante de Agronomia que esteve 21 dias sem dormir e que sendo deficiente motor (poliomielite) foi obrigado pelos agentes a dançar a Kalinka… Mesmo assim, não terá sido um recorde.

Além das mortes, das famílias destruídas pelas prisões prolongadas, com diversos anos de pena a que se acrescentavam as tais medidas de excepção que as podiam prolongar indefinidamente, era vulgar os presos verem-se despedidos dos empregos. Quando saíam da prisão – fossem operários, professores, médicos ou escriturários, não podiam trabalhar. Nem emigrar, pois não tinham direito a passaporte. A propósito de vexame, as mulheres eram mais vulneráveis – embora vigiadas, torturadas e espancadas por agentes femininos, houve casos de abusos sexuais praticados por inspectores, chefes de brigada ou agentes masculinos. Uma tortura adicional era, se a «estátua» ou a «tortura do sono» coincidiam com o período menstrual, não as deixavam pôr ou mudar pensos, tomar medidas higiénicas, criando uma humilhação extra com os comentários sarcásticos que os agentes, homem ou mulher, faziam sempre que entravam no «gabinete». Fala-se de uma presa, uma estudante, que, já nos anos 60, enlouqueceu.

 

Fonte: Blog Estrolabio- Carlos Loures 

Quando era natural os mortos serem fotografados com os vivos

A falecida aqui está encostada a uma mesa com um suporte que a mantém de pé.

A falecida aqui está encostada a uma mesa com um suporte que a mantém de pé.

A falecida  neste caso é a que se encontra de pé

A falecida neste caso é a que se encontra de pé

Falecido sentado na cadeira a ser fotografado.

Falecido sentado na cadeira a ser fotografado.

Durante o século XIX era comum que as pessoas ao morrer fossem fotografadas. Esta actividade chamava-se Pos. Mortem\ photos.

Por isso pode até parecer mórbido nos dias de hoje, mas naquele tempo, isso era um costume natural. Os álbuns dos mortos eram uma espécie de negação da morte ao mesmo tempo que se tornavam coisas guardadas pela família para lembrar dos entes queridos. Além disso, fotos nesta época eram um grande luxo. A fotografia em si era algo bem caro e funcionava como última homenagem aos falecidos.

Dada a circunstância de fotografar a pessoa ainda fresca, eram criados verdadeiros cenários elaborados com composições muitas vezes complexas de estúdio para fazer os álbuns dos mortos. Em outros casos, depois de instalado o rigor mortis, era necessário inventar situações complicadas para a foto ficar natural. Isso envolvia colocar calços sob cadeiras e inclinar a maquina para que a cena se ajustasse a posição fixa do cadáver.

A grande maioria é de pessoas deitadas na cama, mas existem fotos bem estranhas, onde a posição dos cadáveres ficavam assustadoramente naturais. Essas eram obtidas com suportes de madeira ocultos sob as roupas.

Para essas fotos o importante era fazer parecer que as pessoas estavam dormindo. Com isso, era comum fotos de grupos de mortos e também de pessoas vivas sentados fazendo poses com cadáveres. Grande parte das Fotos de bebés eram coloridas artificialmente para dar um tom de vida ao cadáver infante.

Esses álbuns de fotos volta e meia acabam indo a leilão e ávidos colecionadores de bizarrices compram por grandes quantias estes álbuns para completarem as suas colecções. Muitas dessas fotos estão à venda em mórbidos leilões no e-bay.

Há uma súbita tristeza mórbida em muitas dessas fotos, que parecem saídas directamente dos porta-retratos de casas mal assombradas, como naquele filme “Os outros”, com a Nicole Kidman.

Fonte : Mundo Gump -Blog-

 

 

106 anos depois o Carnaval de Loulé voltou a brilhar !

1ª Batalda deFlores 1906

1º Carnaval de Loulé – 1906

Palhaço Carnaval

Loulé Carnaval 2014. Os palhaços que nunca faltam !

Eusebio Carnaval

Homenagem ao Rei Eusébio.

Carro futebol    Carnaval

Loulé Carnaval 2014 – A guerra do futebol.

 

Os primeiros festejos, organizados, do Carnaval de Loulé decorreram em 1906. Chamaram-lhe então CARNAVAL CIVILIZADO DE LOULÉ.
Estes festejos que foram muito participados pela população constavam de uma Matinée no “Teatro Louletano”(no Centro Histório), Batalha de flores e um Bodo aos pobres. O cortejo de carros alegóricos que se realizou na Rua da Praça, entre o Largo dos Inocentes ( actual Largo Gago Coutinho) até às Bicas Novas (Largo Bernardo Lopes) e em cujos passeios limitados por uma corda se encontravam apinhadas de centenas de pessoas, bem como em todas as varandas e janelas dos prédios, foi um êxito. Segundo uma notícia da época o povo “trocou os verdetes, os pós negros, a gema e outras tantas sujidades que estragavam o vestuário, pelo confetti multicolor, pelas serpentinas e pelos bombos, dando-se assim um agradável passatempo nos três dias que eram consumidos em loucuras, e irreverentes divertimentos que quase sempre acarretavam consequências desagradáveis”. Três bandas de música (“Artistas de Minerva” Marçal Pacheco” e “ Progresso Louletano” em três coretos improvisados abrilhantavam os festejos. Os carros e bicicletas ornamentadas com particular esmero por todas as famílias que quiseram participar, representavam de uma forma geral figurações dos diversos sectores do comércio e da industria de Loulé. Aquilo que mais marcou o Carnaval de Loulé desse ano e que lhe iria dar fama nos anos seguintes foi a realização de um Bodo aos pobres no “Terreiro Público em cujos claustros, enorme quantidade de povo apinhado se acotovelava para melhor presenciar o comovente quadro que à vista se lhe ia deparar”. Esta cerimónia que teve inicio, após as Filarmónicas terem ido a casa do Presidente da Comissão, Ventura Barbosa, buscar os quinhões para o recinto do Bodo e onde se encontravam representadas as autoridades administrativas e eclesiásticas, onde não faltaram também os discursos alusivos a tão nobre iniciativa, contemplou 200 esmolas. O Carnaval de 1906 sob o lema “Paz, Amor e Caridade” e a sua Comissão Promotora estavam de parabéns. A receita desta festa foi de 78$20 tendo sido aplicada na sua totalidade para satisfazer pessoas necessitadas.

Fonte: Luis Guerreiro.