Álcacer Quibir… já passaram 436 anos !

O pequeno D. Sebastião foi educado por jesuitas que lhe transmitiram a ideia de que o seu poder provinha de Deus, e não das Cortes. Os tutores meteram-lhe também na cabeça a ideia de que o abandono de algumas praçasdo norte de África, no tempo de D. João III, tinha sido um erro, quando pelo contrário fora uma medida acertada visto que as despesas com as guarnições eram superiores aos lucros provenientes da sua posse.

Em 1574, quando tinha 20 anos D. Sebastião embarcou em segredo para Tânger e Ceuta, duas praças fortes marroquinas ocupadas mais de cem anos antes pelos portugueses. Ali fez correrias pelos campos vizinhos e apercebeu-se de que conquistar aquilo era mais dificil do que imaginara. Mas nem por isso mudou de ideias e regressado a Portugal, não desistiu da ideia de anexar Marrocos inteiro.

Ora apareceu por essa altura em Lisboa um tal Mulei Mohammed, sultão de Fez, que fora destronado pelo tio, Ab-al-Malik, e que pretendo reaver o poder, vinha pedir ajuda ao rei de Portugal. D.Sebastião organizou logo um exército para ir em ajuda do ex-sultão de Fez. Dessa tropa de 18 000 homens, embarcada a 24 de Julho de 1578, fazia parte quase toda a aristocracia (a classe dirigente), com o próprio rei à cabeça. Abd al Malik, a quem os nossos chamavam “ Mulei Maluco”, tinha feito alinhar a sua tropa junto da pequena povoação de Al Quasr al- Kibir (Alcácer Quibir); eram uns 120 000 guerreiros, pelo que o desfecho da batalha que ali se travou no dia 4 de Agosto desse ano (passam agora 436 anos) foi o único possível: a vitória por KO de”Mulei Maluco”, que mesmo assim morreu no combate.

Na refrega morreram também 9 000 combatentes portugueses e os restantes foram capturados. Estes fidalgos aprisionados pelos marroquinos foram depois regressando à medida que conseguiam que alguém lhes fizesse chegar as somas exigidas pelo seu resgate. Mas o mais grave foi o desparecimento do próprio rei sem deixar sucessor. “

 

(Luís Almeida Martins – in “Visão” )

 

-Fotos Net – Ilustração Alcácer-Quibir battle (Al Quasr al-kibr). Illustration for a High school History book. Published by Areal.

2ª PinturA: Pintura que descreve o momento em que a cavalaria portuguesa é cercada e envolvida pelas forças muçulmanas (Autor desconhecido )

Tó  e Isabel Pereira - El Rei D. seb.

Foto da representação ” El Rei D. Sebastião ” de autoria de Isabel Pereira pelo Teatro Laboratório de Faro, na década de oitenta. Na imagem: Isabel Pereira e Tó Clareza.

ilustração Alcacer Quibir.p125vol4

PASTEIS DE BELÉM, UM SEGREDO NUNCA DESVENDADO

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São 177 anos de doces histórias, que começaram com um monge e acabaram na família Clarinha. Os pastéis de Belém são uma marca de sucesso, como denunciam as filas à porta da Confeitaria de Belém, que dá emprego a 150 pessoas. Por dia são vendidos mais de 20 mil pastéis, cuja receita é um segredo muito bem guardado… e cobiçado

Não há crise que lhes azede o doce. De fornada atrás de fornada saem por dia mais de 20 mil pastéis de Belém. Só no ano passado foram vendidos 7,1 milhões, o que corresponde a muitas toneladas de açúcar, farinha, ovos, leite e, claro, uma elevada faturação: 8 milhões de euros (valor bruto de 2013). A todos estes números está associado um condimento – o segredo – que torna o pastel de Belém ainda mais especial e quase tão místico como a história do monge que, em 1837, terá vendido a receita.

E não vale a pena tentar fazer igual. A história de 177 anos desta iguaria diz que ninguém consegue. Não têm faltado tentativas para denunciar o segredo dos pastéis de Belém, desde episódios de espionagem industrial, receitas de alguns grandes chefs internacionais apresentadas como a verdadeira, a investigações de laboratórios gastronómicos de universidades estrangeiras. “É uma receita única, mas há muito misticismo à volta do segredo. Posso garantir que nunca conseguiram raptar quer o segredo quer as poucas pessoas que o conhecem”, diz com um sorriso Miguel Clarinha, um dos mais novos descendentes da família detentora da “fórmula mágica” há quatro gerações. “Tem sido um negócio familiar e a forma de produção mantém-se exatamente igual”, explica Miguel, de 32 anos.

Só há seis pessoas que conhecem o segredo: os três mestres em atividade, dois já reformados e o gerente da casa. Confiança, carácter e muitos anos de trabalho na casa são requisitos fundamentais na hora de escolher o mestre. O “eleito” assina um contrato de sigilo profissional e passa a ter regalias sociais acima da média, ou seja, bom ordenado.

Miguel, que estudou Marketing e Publicidade e trabalha nos pastéis de Belém desde 2006, recorda um dos episódios mais caricatos de tentativa de roubo do segredo. Passou-se com o seu pai, Pedro Clarinha: “Era um grupo de chineses que se apresentou como repórteres. Foram ver o local de fabrico e a certa altura o meu pai deu com um deles com seringas a tirar amostras de um pastel. Foram logo corridos. Só podia ser espionagem industrial.”

Esta receita original e tão cobiçada, data do início do século XIX. Era confecionada pelos monges do Mosteiro dos Jerónimos, que, por uma questão de sobrevivência, vendiam os doces pastéis à população do bairro de Belém. Em 1837, com as revoluções liberais, os monges foram expulsos dos seus conventos e a receita acabou por ser vendida a um comerciante, Domingos Rafael Alves, que possuía uma antiga refinaria de açúcar, onde é hoje a Antiga Confeitaria de Belém.

*** Fonte. Diário de Notícias – Jornal – Fotos : Net

PEQUENAS HISTÓRIAS DA NOSSA HISTÓRIA

Gravura  - Santa Inquisição

Tribunal da Santa Inquisição.

D.PEDRO II

D. Pedro II o Pacífico

D.Pedro II o Pacífico, restaurou também os amores ilícitos, que tanto nos deliciam. Aos quinze anos inicia-se nas teses do amor com Dona Francisca Botelha, dama apostada em prestar ao jovem príncípe os mais benéficos prazeres, nem que para isso tivesse de recorrer à feitiçaria – estes factos são conhecidos devido ao processo da Inquisição de Lisboa contra Francisca Sá, a feitiçeira. Conta-se que por todos os meios tentou engravidar de D.Pedro, solicitando a Francisca de Sá que lhe facultasse uma mésinha para o efeito.Não engravidando a dama, por aqui se fica a história. Na linha de sucessão surge Schomberg, emprsária de bordeis, nem bela nem formosa, esta senhora deve o seu nome à relação que manteve, durante alguns anos,com o conde de Schomberg.Inverte sua Majestade os seus gostos, dedicando-se mais à nobreza com D. Maria Francisca, rainha de Portugal, mulher de seu irmão D.Afonso VI, com quem mais tarde se vem a casar. Regressa ás origens plebeias ao conhecer Maria da Cruz Mascarenhas, moça de varrer, de quem tem uma filha reconhecida por D. Pedro e assim tornada princesa, D. Luísa Cadaval.

Abreviando este longo historial de amores transversais, acrescente-se que D. Pedro teve mais dois filhos ilegítimos reconhecidos: D. Miguel e D. José, de D. Armanda du Vergé e D. Francisca Clara da Silva; para além de um indeterminado número de amantes e filhos, muitos deles enviados para as Índias.

Outras curiosidades dos seus amores por mulheres de condições

baixas era a sua preferência por mulheres negras e mulatas. Um rei,

sem dúvida, mais Povoador do que Pacífico. Faleceu em 1706,

deixando a seu filho D. João V a pesada herança da Guerra da

Sucessão de Espanha.

Fonte: “A vida louca dos reis e rainhas de Portugal “de Orlando

Leite, Raquel Oliveira e Sónia Trigueirão

Imagens : Net

APONTAMENTOS DA GUERRA COLONIAL

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Caserna no Inga – Angola – Militar lendo revista da época.

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Guerrilheiro da idade da pedra ? (Estrada de Emparquinhame para Bissorá – Guiné )

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Dirigente máxima do Movimento Nacional Feminino – Cecília Supico Pinto)

 

Quarto de dormir na guerra de Angola

Estas eram as camas dos militares nos aquartelamentos dentro das casernas um pouco por todo o norte de Angola,e aqui, ainda podíamos dar-nos por homens de sorte, pois para quem estava na guerra era razoavelmente bom!…Mas era sem duvida uma autentica prisão estes lugares onde pernoitaram muitos jovens nesta tarefa tão difícil privados de quase tudo o que nos fazia falta,desde a alimentação até à agua potável…Na retaguarda do posto de socorros dormia-mos os quatro socorristas que prestavam os primeiros socorros aos soldados da companhia de caçadores 1494.Bastante difícil foram estes momentos onde pernoitamos sem qualquer culpa de responsabilidade.O medico mais próximo estava colocado no comando de sector no colonato do Vale de Lôge e sempre que era necessário, para lá encaminhavamos os doentes em situações mais complicadas,isto aproveitando sempre a próxima coluna de carros que de vez em quando era necessário para esta deslocação. Na foto :Num dos momentos de repouso.e aproveitando uma revista que veio de algures para ajudar a passar o tempo nestas terras da mata…Longos foram os meses que nos mantivemos neste lugar contando os dias,as horas e os minutos….mas o tempo nunca mais chegava ao fim para nos vermos daqui para fora…E a comissão terminou até que fomos rendidos por outros…Enquanto uns partiam outros chegavam para os mesmos martírios…

Publicada por Joaquim Angelo \ \ In Blog \ Histórias de uma vida – Guerra do Ultramar – Quim

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Uma conversa com um guerrilheiro ?

A conversa trocada em balanta no momento da foto, foi a seguinte: “Que bala ca tó ? – Resposta : “ Nhiri cá tó thinga” ou seja “ Para onde vais ? “ “Eu vou voltar “ ou “ Eu estou regressando “

Era apenas um elemento da população, que passou na estrada que estávamos a emboscar, e seguiu em paz, muito admirado de ver um branco a falar balanta, mas o branco apesar de descontraído, nunca tinha deixado de estar atento à catana que este trazia na mão “

Em todas as guerras a população é sempre muito sacrificada, mas numa guerra de guerrilha a população é o nosso principal aliado, e também o do inimigo, o que coloca situações delicadas, pois por vezes é difícil perceber se estamos a falar com um elemento da população ou com um guerrilheiro.

( In http://destaques.com.sapo.pt/GuineAPSIC.html )

A Dona do Movimento Nacional Femenino

Cecília Maria de Castro Pereira de Carvalho Supico Pinto  conhecida popularmente como Cilinha, foi a criadora e presidente do Movimento Nacional Feminino, uma organização de mulheres que durante a guerra Colonial prestou apoio moral e material aos militares portugueses. Nesse cargo atingiu grande popularidade e uma considerável influência política junto de Oliveira Salazar e das elites do Estado Novo. Visitou as tropas em África e promoveu múltiplas iniciativas mediáticas para angariação de fundos.

Dela e das suas seguidoras escreve António Lobo Antunes no romance “ Os Cus de Judas”

“As senhoras do Movimento Nacional Feminino vinham por vezes distrair os visons da menopausa distribuindo medalhas da Senhora de Fátima e porta-chaves com a efígie de Salazar, acompanhadas de padres-nossos nacionalistas e de ameaças do inferno bíblico de Peniche, onde os agentes da PIDE superavam em eficácia os inocentes diabos de garfo em punho do catecismo.” E noutro trecho escolhido pela biógrafa: “Reencontrei-as no portaló do barco na manhã da partida, encorajando-os com maços de cigarros Três Vintes e apertos de mão viris em que as falanges, as falanginhas e as falangetas se articulavam entre si por intermédio dos anéis de brasão.”