ETERNO CONTO

Pus-me a contar à Vida o triste conto

da minha vida, e , perguntei chorando

porque motivo me andará roubando

as miragens azuis a que me aponto;

 

e porque fez de mim um velho tonto,

tendo eu vinte anos, que gastei sonhando

por caminhos sem fim, andando…andando

sem nunca ter chegado a qualquer ponto !

 

– E respondeu-me: – eu não te roubei nada !

Vós é que trilhais mal a própria estrada.

– Há sempre luz e sol onde eu desponto !

 

Mas – vê lá tu -, desde que o Mundo existe,

a todos tenho ouvido um conto triste

e que afinal, é sempre o mesmo conto.

 

Loulé, Julho de 1941 – Fernando Laginha – Poeta Louletano

 

Pintura: Samy Charnine

10 comentários a “ETERNO CONTO

  1. Parabens ao Blog Louletania por divulgar mais uma vez o grande poeta louletano Fernando Laginha, desconhecido quase dos louletanos.

  2. Que belo soneto! Só um grande Poeta poderia escrever assim!
    Parabéns ao Tó Clareza por trazer ao nosso conhecimento este Poeta louletano! Venham mais Poemas!

  3. Caros amigos. Conheci o Fernando Laginha quando eu era criança…mas só descobri a sua obra depois de trinta anos após a sua morte. Surgirá aqui muitas mais vezes. Assim o espero. Abraço Palma

  4. Tambem nasci em Loulé e foi la criada,conheci o sr.Fernando Laginha ,mas desconheço as suas obras.

  5. Belo poema do Fernando Laginha que não conheci. Nunca é tarde para conhecer a obra dos grandes poetas mesmo que muito conhecidos.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This blog is kept spam free by WP-SpamFree.