ALGARVE: POENTES DE OUTONO

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“E eis o verdadeiro Algarve! O Algarve, depois da Escola de Sagres, é o poema de João Lúcio.”
Teixeira de Pascoaes

Província onde nasci, amada do luar
E o sol ruidoso, ardente, imorredoiro…
Lírio fresco e azul deitado à beira-mar,
Com o cálix gentil a orvalhar-se em oiro…

Nesse canto imortal de todo o Universo,
De florestas, de sóis, mares e cordilheiras,
Tu és, unicamente, um perfumado verso,
Feito em luar dormente, azul e laranjeiras.

Lindo verso, porém, dessa lira suprema,
Com hinos triunfais, auroreais, fecundos,
Que abrange a Vida toda e faz o seu poema,
Rimando montes, céus, oceanos e mundos.

Tens o rir jovial e a bonomia calma,
O dulcíssimo aspecto ingénuo das crianças;
O sol doira-te o corpo; a fantasia a alma;
Fala-te o céu de amor; fala-te o mar d’esp’ranças.

Que este livro te diga, oh terra aventureira,
Como o meu coração a voz te sabe ouvir:
Ele é singelamente uma canção ligeira,
Que tu lhe tens cantado e tenta repetir.

Quando os astros de noite, errantes e dispersos,
Vierem mergulhar nas águas do teu mar,
Vai ler-lhes mansamente estes humildes versos
Pra que digam a Deus como te sei amar.

João Lúcio
O Meu Algarve (1905)
(Agradecimentos ao Blog Porosidade Etérea )
– Fotos exclusivas de José Costa.

3 comentários a “ALGARVE: POENTES DE OUTONO

  1. O clima do Algarve é uma maravilha na Europa. Já vivi algum tempo na Alemanha, na Bulgária e em Barcelona e nunca encontrei clima como o nosso. QUando em Seytembro já faz frio e chove por essa Europa fora aqui estamos com tempo ameno.

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