José Vilhena é um dos maiores caricaturistas nacionais, de traço redondo e crítica acutilante.
Ao longo da sua vida foram muitos os dissabores que teve com a censura mas também certamente momentos de glória para quem como ele é um artista único no seu género. Os seus livros e as revistas por si editadas passaram já por várias gerações.
( Deixamos aqui um artigo sobre Vilhena, publicado em ”artes e letras por Seven “- Obvious)
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Entre os nossos desenhadores há um que se destaca pela sua longevidade e que é, quanto a mim, injustamente desconsiderado: José Vilhena. É um ilustrador, caricaturista e humorista de grande qualidade mas quase sempre foi apelidado de “porco” ou “obsceno”. O seu trabalho é mais profundo do que parece a que não é alheio o facto de Vilhena ter estudado Belas Artes (arquitectura) e revela mesmo uma formação bastante sólida nos seus escritos. Abandonou os estudos para começar a colaborar em jornais e revistas de humor. Durante os anos da ditadura escreve e ilustra cerca de 70 livros que lhe provocam numerosos problemas com a censura devido à sua veia satírica política e ao desenho de figuras femininas sensuais e provocantes. Chegou a estar preso por causa disso… Embora alguns livros fossem de sua inteira autoria também fez traduções de obras importantes como os Contos de Guy de Maupassant, Alphonse Allais e até um livro da série Petit Nicolas, traduzido como As broncas do Nicolau.
Depois do 25 de Abril as “mais amplas liberdades” abrem-lhe as portas para um humor mais livre (ou libertino) e de carácter sexual cada vez mais explícito. Publica de imediato a revista Gaiola Aberta que teve alguma notoriedade e sucesso de vendas. Posteriormente publica também O Cavaco e o Fala-Barato, entre outras. Se tomarmos em consideração a sua longevidade, a sua coerência, as suas qualidades gráficas e humorísticas e o facto de ter editado quase tudo sozinho talvez entendamos o seu verdadeiro valor. Infelizmente neste país ainda há muito preconceito e puritanismo e estes ofuscam tudo o resto…
Fotos: Ilustrações de José Vilhena












































A coerência deste homem ao longo de tantos anos faz dele um artista único. Os falsos moralistas detestam-no. Os da minha estirpe enaltecem-no.
Bem lembrado Palma! … e merecida homenagem … vale sempre a pena passar por aqui … boa surpresa e mais um avivar de memórias.
Um abraço extensivo …
Fernando e Liliana: Este homem é muito pouco referido porque incomoda algumas classes que ainda não aprenderam a conviver com a grande arte do humor. Penso que o Luís Furtado. colega de Vilhena saberá algumas coisas interessantes dele que possa contar aqui. Esperemos por esse comentário.
In CITI: A máquina Vilhena é um sistema de produção quase industrial. É uma máquina eficaz e bem oleada com improviso pontual. Os livros que publicou até 74 tinham vocação de revista: como elas, tinham periodicidade mensal. Vilhena comprometia-se no final de cada livro a publicar um volume por mês. Eram um objecto de consumo com regras de produção industrial. A sua venda era feita em quiosques, jornaleiros e tabacarias, pois não tinha “dignidade” para entrar em livrarias. A sua faceta industrial está também presente na padronização e estandartização do produto: os livros têm sempre a mesma temática, o mesmo formato, capa e contracapa ilustadas a quatro cores. Aliás, “Vilhena”, mais do que um autor concreto, é uma marca, um estilo, uma temática, um objecto reconhecível produzido em série.
O modo de produção leva a classificar a obra de Vilhena como literatura de massas ou cultura de massas, termo que no entanto, tem uma carga conformista, o oposto das suas obras que eram uma sátira e crítica de costumes.
Por acaso não Palma; o Vilhena pertencia a outra área que não a minha, no entanto conheço bem a sua obra de traço inconfundível. De um humor bastante mordaz e atrevido, causou-lhe inclusive a prisão mais que uma vez. Estive à dias a consultar alguns dos seus trabalhos por causa do TSA… o TSA está precisando de uns modelos femininos, logo inspirei-me nas garotas do Vilhena… o TSA é o mais recente clube masculino que será inaugurado muito brevemente… será todo decorado em tons rosa… a sigla TSA quer dizer; “TARADOS SEXUAIS ANÓNIMOS”,rsrs. Enquanto escrevia, lia ao mesmo tempo uma carta acabada de chegar do Paraguayo onde fala do pássaro chogui, da índia e da galopera entre outras… depois mando-a juntamente com a de Angola… o tempo por aqui está nublado e muito mais fresco… os Gaviões sobrevoam o atelier num vai e vem constante… estarão a adivinhar chuva? Inté. L.F.
Caro Luís: O JV é um artista único no seu estilo e além do desenho também alia a sua escrita bem mordaz, não escapando ninguém à sua tesourinha….\\ Então o TSA, que eu à primeira vista pensei que seria o Teatro Santo António rsss. sai-me os Tarados Sex. Anónim. Muito me conta nesta tarde terça bem quentinha.\\Calculo o calor que deve haver nesse tal Clube.rssss\\ Quanto ao pássaro Chogui, conheço e digo-lhe desde já que é uma carta bem bonita. Abraço
GOsto do Vilhena não só porque é um grande artista caricaturista com bom escritor naquele seu estilo. E depois é um homem sem medo. Não há muitos neste ramo. Parabéns ao José Vilhena