As costureirinhas

Há umas décadas atrás, antes de surgir o pronto a vestir, Portugal inteiro vestia-se

nas casas (ateliers) das costureirinhas.

Existiam milhares de mulheres que se dedicavam à arte de vestir outras mulheres. E não havia lugarejo onde pelo menos não existisse uma dessas artesãs do vestuário feminino, que por vezes também confeccionavam roupa masculina.

Aqui na nossa vila de então, existiam talvez cerca de duas dezenas de costureiras que com o aparecimento do «pronto a vestir» vendido nas lojas especializadas, foram pouco a pouco desaparecendo tal a facilidade e a variedade de vestuário que passou a estar disponível nessas tais tais lojas.

Para completar este post deixo aqui a “ A lenda da costureirinha” que durante muitos e muitos anos foi história contada entre gerações e que hoje já quase caíu no esquecimento.

 

“Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso… que ouviram a costureirinha. O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto. O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.

Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida,
costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. É esta a versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha for a condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir. No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte. Já não se houve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio. Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida. “

 

Fonte : Infotec – Curiosidades da vida –

 

Fotografia cedida : Alunas de um Curso de Costura da “ Singer” na década de vinte do século passado, por gentileza de Luis Guerreiro.

9 comentários a “As costureirinhas

  1. A minha mãe também foi costureira e ainda hoje é lembrada por muitas suas clientes a quem ela durante muitos anos concebeu vestidos lindos sobretudo da sua imaginação.

  2. As primeiras costureiras…..
    Entretanto, no século XVIII surgiu a primeira costureira com nome, Rose Bertin, que trabalhou para a rainha francesa Maria Antonieta.
    A indústria da moda tal como é conhecida hoje foi criada em meados do século XIX pelo inglês Charles Frederick Worth, que trabalhava para a imperatriz Josefina em França. Worth, que sobreviveu à queda de Napoleão em 1870, criou a primeira casa de moda de Paris, com shows, manequins, pessoal de vendas e costureiras. A seguir a Worth vários nomes ditaram a moda a partir de Paris, como foram os casos de Jacques Doucet, Madame Paquin, Madame Cheruit, as irmãs Callot, Paul Poiret e Coco Chanel, que se impôs na década de 20 do século XX.
    Durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães permitiram que Paris continuasse a ser o centro da moda, muito graças à influência do costureiro Lucien Lelong.
    Apesar do crescimento da influência dos norte-americanos no Mundo no pós-guerra, Paris manteve a sua posição dominante na moda. Uma das inovações apresentadas pelos franceses foi o biquíni, que apareceu em 1946 por iniciativa do estilista Louis Renard. Apesar de ter sido considerado muito provocador devido às suas dimensões reduzidas acabou por se impor em todo o mundo.
    A década de 60 ficou marcada pelo aparecimento do pronto-a-vestir, em detrimento das casas que se dedicavam a fazer vestidos exclusivos para as clientes com mais posses. O pronto-a-vestir permitiu às marcas levar os seus produtos a diversos pontos do globo. Foi nesta época que países como a Itália, Inglaterra e Estados Unidos da América começaram também a ser influentes no mundo da moda, passando a ser acompanhados pelo Japão a partir dos anos 80.
    A Inglaterra, através da estilista Mary Quant, destacou-se a partir da 1965 com a introdução da mini-saia.
    Entretanto, a alta-costura perdeu quase definitivamente a sua importância e hoje em dia promove produtos de pronto-a-vestir, acessórios e perfumes das marcas.
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  3. Em Loulé em plena Praça da República havia uma loja Singer onde vendiam máquinas e onde davam aulas de bordados. Nessa altura a Singer era rainha das máquinas de costura em Portugal.

  4. Bonita, essa foto antiga.
    Lembro-me de acompanhar a minha mãe à modista, era muito engraçado ver como ela moldava o tecido ao corpo. Eram umas artistas e faziam modelos exclusivos, hoje andamos todos de igual.

    Luísa

  5. Verdade Luisa. Essas artistas caseiras que deliciavam as senhoras e meninas com a sua imaginação faziam autênticas perolas…. segundo a opinião das pessoas da época…..rs.Hoje as Zaras e outras enchem as ruas de modelos feitos aos milhões…… Enfim.. mudam-ase os tempos

  6. Tinha uma tia que trabalho na costura mesmo muitos anos depois de aparecer o pronto a vestir. Era uma artista nos vestidos.

  7. Acho que as mulheres de antigamente todas sabiam fazer qualquer coisa no que diz respeito a roupa de vestir. Aprendiam umas com as outras, de mães para filhas e assim sucessivamente. Tenho belos vestidos feitos nos anos 30 por uma tia e continuam na moda até hoje. Sousa Lita

  8. Tinha duas tias costureiras.Faziam belos vestidos como se fossem profissionais da alta costura. Hojae a malta não sabe pregar um botão.

  9. Coisa util para homens e mulheres aprenderen nas escolas assim como cozinhar. A vida pode obrigar cada un de nós a fazermos o que nunca pensámos.

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