AS LAVADEIRAS E OS SEUS FAVORES ……DURANTE A GUERRA COLONIAL

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Postal deNatal enviado pelos soldados para o Continente.

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Militar posando com a sua lavadeira.

130 -Local de lavagem de roupa

Militares apreciando a lavagem das suas fardas.

140 -Muito naturalmente as mulheres andavam assim vestidas

Posando com jovens raparigas da aldeia.

Esta é uma das histórias que dariam milhares de livros e filmes, contadas por muitos ex militares que andaram por Angola, Moçambique e Guiné durante a Guerra Colonial.

Hoje debruçamo-nos sobre as lavadeiras e os favores sexuais prestados a milhares de combatentes nestas frentes de guerra.

Aqui transcrevemos do Blog de Tony Borie a sua história sobre as tais lavadeiras africanas.

“”Há mil histórias das ditas “Lavadeiras”, quase todo o militar dizia: – A minha lavadeira, é melhor do que a tua!

O Cifra depois da fraca experiência, com a sua lavadeira, que afinal era guerrilheira, andou um tempo sem lavadeira, andava sujo, e por vezes usava a roupa do Setúbal, ou mesmo do Curvas, alto e refilão.

Não podia continuar assim, pois não se sentia confortável, e em conversa com o Setubal, este diz-lhe:

– Porque não usas a minha lavadeira?. Creio que ela já desconfiou, que lhe entrego roupa a mais, todas as semanas!.

E isso era verdade, pois por vezes, o Setúbal levava alguns calções e camisas do Cifra, para ela lavar, e ela era esperta, pois entre elas falavam, e sabiam quantas peças de roupa, era normal um militar usar por semana. Diziam por lá, que ela era de etnia “Papel”, e como tal muito desconfiada, nasceu na Ilha de Bissau, e tinha vindo para Mansoa, há quatorze “chuvas”, que deviam de ser anos!.

O que o Criador lhe deu a mais fisicamente, roubou-lhe um pouco na inteligência, e se se lembrasse de dizer que o Vinte e Oito da companhia velha, era o Trinta e Seis do pelotão de morteiros, tinha que ser mesmo, e lá havia um conflito, pois estes dois militares eram completamente diferentes na fisionomia do seu corpo.

Mas continuando com a história, passou a ser também a sua lavadeira, e como tal, ficou sujeito a todas as anomalias da troca de roupa, quando ao sábado a vinha entregar, quando havia alguma confusão, ela logo respondia:

– Mi, lavá roupa para manga de pessoais!.

E também era verdade, mas não era motivo, para entregar ao Cifra, três meias soltas, uns calções, onde cabiam dois Cifras, já sem forro nos bolsos, e sem botões na frente,  umas calças de camuflado, que o Cifra nunca usou, pois o Cifra não usava camuflado, toda a sua farda de camuflado, foi usada pelo Setúbal e pelo Curvas, alto e refilão, e que ela dizia a pés juntos que eram dele,  ao pôr uma mão no bolso dessas calças, encontrava o isqueiro do Curvas, alto e refilão, que já procurava o isqueiro há uma semana, pois “pedia lume”, a toda a gente e dizia:

– Se encontro o filho da puta que me roubou o meu isqueiro, eu mato-o!. Cabrão!.

Mas havia um dia, em que ela, quase nunca se enganava, e até colocava a tal flor de cheiro sobre a roupa, esse dia era ao final do mês, e antes de entregar a roupa, estendia a mão e  dizia:

– Dá patacão, é fim de mês!.

Às vezes, pagavam com notas do Banco Nacional Ultramarino, e ela nunca dava o referido troco, e dizia:

– Mi, “patacão ká tem”, está bem assim!.

O Curvas, alto e refilão, dizia:

– Filha da puta, para ela, o mês só tem três semanas!. Qualquer dia mato-a!. “”

Tony Borie, 2013. ( Blog Pieces of my life)

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\ \ \ \ Fotos extraídas do Blog colectivo de Luís Graça e camaradas da Guiné e Net.

 

8 comentários a “AS LAVADEIRAS E OS SEUS FAVORES ……DURANTE A GUERRA COLONIAL

  1. O que me faz pensar um pouco é como éssa gente vivia depois de serem colonizados durante 400 anos. O que lhes fizeram de bom afinal ? Viviam em casebres do pior. Certamente não sabiam ler nem escrever ou muito pouco. Triste realidade essa do colonialismo.Beta

  2. Muito sofreu a juventude portuguesa durante esses anos. Estas mulheres mereciam condecoração por matarem a solidão e as necessidades sexuais a troc de umasmoeditas. O que diria a igreja na altura e que apoiava a guerra colonial ? Joao Joka

  3. Digam o que disserem mas estas tristes no mato mais os soldados combatentes sofreram todos muito. Philip GG

  4. Eu sou filha de um ex combatente em Angola e de uma lavandaria. . Nasci em 1967 e vim para Portugal em 1969. Minha mãe a primeira lavadeira na caserna dela a ponto de o meu avô a expulsar. Teve 4 filhas com ex combatentes eu sou a terceira. Por aquilo que eu sei muitos dos combatentes eram pessoas sem coração eram maus violentos, muitos deixaram os filhos por lá sem nunca quererem saber o paradeiro deles. Os meus avós me mandaram vir com um ano e vivo em Portugal 46 anos, reencontrei a minha mãe com 37 anos.

  5. Tem razão Fátima.Uma grande parte dos homens que vão à Guerra na maioria das vezes não olham a meios para atingir os fins. Até porque estão ali contrariados, saudosos da sua Terra e por isso nada interessados com a miséria que vão encontrando pelo caminho, salvo raras excepções. Você ainda teve a sorte dos seus avós a terem recebido em Portugal , caso pouco vulgar já que quase ninguém tinha essa intenção. É triste falarmos de nós portugueses desta forma mas na realidade foi assim. Felicidades para si Fátima.

  6. Triste realidade esta da Guerra Colonial. 400 anos depois de termos «conquistado» aquelas terras estas pobres mulheres ainda viviam como no principio do colonialismo…pouco melhor. Serviam para satisfazer os militares que já de si andavam ali contrariados a mando de Salazar. Pode ser que um dia se faça a verdadeira história do colonialismo.Maria Santos

  7. Quasi tudo foi dito mas mama de bajuda manga de sabe. Quanto à roupa elas no final da comissão entregavam tudo aos velhos e a historia renovava-se c/os piriquitos Quanto ao sexo c/elas era normal c/as mais velhas mas c/bajudas era um perigo pois o General Spínola defendi-as em tudo, se bem q. estas eram mais gostosas c/mama firme, pele dura, e estrias novas.

  8. O que dizia a Igreja na altura sobre certamente milhares de crianças que nasceram sem nome de pai nem de avós e que nunca vieram a Portugal porque um militar que contasse isso à família era o fim do mundo. Triste sina de quem anda na Guerra e dos explorados da mesma neste caso as mulheres que serviram os fins sexuais dos militares. A Igreja tem uma palavra a dizer. Gostava de ouvir. Maria Jose

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