ÀS MULHERES POUCA IMPORTÂNCIA LHES DAVAM…………

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Mulher inquirida pela PIDE.

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Trás-os-Montes – Foto de Georges Dussand

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Família pobre da Beira nos anos cinquenta.

 

Em Portugal, o Estado Novo esforçou-se por conservar a mulher no seu posto tradicional, como mãe, dona de casa e em quase tudo submissa ao marido. A Constituição de 1933 estabeleceu o princípio da igualdade entre cidadãos perante a Lei, mas com algumas excepções.

A mulher via-se relegada para um plano secundário na família e na sociedade em geral.

A lei portuguesa designava o marido como chefe de família. A mulher não tinha direito de voto, não tinha possibilidade de exercer qualqer cargo politico, e mesmo em termos de família, não tinha os mesmos direitos na educação dos filhos. A lei atribuia à mulher casada o governo da casa, ou seja, cozinhar, manter a casa limpa e cuidar dos filhos.

Outro dos problemas que a mulher enfrentava na altura acontecia nas situações de reconstituição da família. O divórcio era proibido, devido ao acordo estabelecido com a Igreja Católica na Concordata de 1944, pelo que todas as crianças nascidas de uma nova relação, posterior ao primeiro casamento, eram consideradas ilegítimas, havendo então duas alternativas no acto do registo: a mulher ou dava à criança o nome do marido anterior ou assumia o estatuto de “mãe incógnita”. O que não podia era dar o seu nome e o do marido actual.

Ainda mais um exemplo: Além disso, naquela altura estava escrito em decreto-lei que uma professora só podia casar com um homem que tivesse um vencimento superior ao dela. “Uma mulher casada não podia ir para o estrangeiro sem autorização do marido, não podia trabalhar sem autorização do marido. O marido podia chegar a uma empresa ou estabelecimento público e dizer: eu não autorizo a minha esposa a trabalhar. E ela tinha que vir embora, tinha que ser despedida”

 

Fonte : A emancipação da mulher na idade contemporânea.

Fotos: Net

 

6 comentários a “ÀS MULHERES POUCA IMPORTÂNCIA LHES DAVAM…………

  1. Pobres mulheres do meu país. Quanto sofrimento passaram para criar 8,9 e dez filhos. Direitos nenhuns. Maus tratos por sinal eram muitos. Maria

  2. O regime de Salazar foi das coisas que fizeram Portugal atrasar-se em relação aos outros países da Europa. Com a guerra e a falsa moral fieram de Portugal um país que era a vergonha da Europa., sendo certo que a Espanha até à queda do Franco foi uma miséria ugal à nossa.

  3. Foram terríveis aqueles tempos da ditadura e as mulheres lutadoras tiveram um contributo importante na resistência ao fascismo.
    Quando os companheiros eram presos, além dos sobressaltos e da devassa das suas casas, ficavam sozinhas com os filhos e muitas vezes sem poder contar com o ordenado do companheiro. Para minimizar estes dramas humanos foi então criada a Comissão de Socorro aos Presos Políticos que recolhia fundos vendendo selos mensalmente junto de pessoas solidárias.

  4. DeAntonio Gedeão deixo aqui este poema que demonstrabem o sofrimento de muitas mulheres.

    Calçada de Carriche Luísa sobe,
    sobe a calçada,
    sobe e não pode
    que vai cansada.
    Sobe, Luísa,
    Luísa, sobe,
    sobe que sobe
    sobe a calçada.

    Luisa é nova,
    desenxovalhada,
    tem perna gorda,
    bem torneada.
    Ferve-lhe o sangue
    de afogueada;
    saltam-lhe os peitos
    na caminhada.
    Anda, Luísa.
    Luísa, sobe,
    sobe que sobe,
    sobe a calçada.

    Passam magalas,
    rapaziada,
    palpam-lhe as coxas,
    não dá por nada.
    Anda, Luísa,
    Luísa, sobe,
    sobe que sobe,
    sobe a calçada.

    Chegou a casa
    não disse nada.
    Pegou na filha,
    deu-lhe a mamada;
    bebeu da sopa
    numa golada;
    lavou a loiça,
    varreu a escada;
    deu jeito à casa
    desarranjada;
    coseu a roupa
    já remendada;
    despiu-se à pressa,
    desinteressada;
    caiu na cama
    de uma assentada;
    chegou o homem,
    viu-a deitada;
    serviu-se dela,
    não deu por nada.
    Anda, Luísa.
    Luísa, sobe,
    sobe que sobe,
    sobe a calçada.

    Na manhã débil,
    sem alvorada,
    salta da cama,
    desembestada;
    puxa da filha,
    dá-lhe a mamada;
    veste-se à pressa,
    desengonçada;
    anda, ciranda,
    desaustinada;
    range o soalho
    a cada passada;
    salta para a rua,
    sobe a calçada.

    António Gedeão, in ‘Teatro do Mundo’

    Tema(s): Mulher Trabalho Ler outros poemas de António Gedeão

  5. Escrevia Salazar nesses tempos pelo seu próprio punho… ”o lugar da mulher é no seu papel essencialmente familiar, como mãe, esposa, irmã ou filha de todos os que somos em Portugal”…dizia mais ”o trabalho da mulher fora do lar desagrega este, separa os membros da família, torna-os um pouco estranhos uns aos outros”…sendo que Salazar convictamente achava que a mulher deveria permanecer fora do universo laboral e porquê???… ” nunca houve nenhuma dona de casa que não tivesse imenso que fazer” … devendo pois confinar-se a sua presença e actividade aos espaços considerados “próprios”!!!! in net

  6. Viva o 25 de Abril. Abaixo todosi os que pretendem derrotar a democracia. esta direita que nos governa não presta. Não presta. Não presta. Não presta. Viva o 25 de ABRIL.

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