As ruas da minha infância

burrrrriiinnn

RUAS DA MINHA CIDADE – 1

Durante alguns dias vou mostrar-vos aqui algumas ruas da minha infância. Ruas por onde andei e corri em tardes longas de Verão e em dias de rigorosos Invernos os quais parecem bastante distantes, talvez porque as invernias de hoje, sejam bem mais suaves do que as de então.

Todos nós, cuja infância vai ficando cada vez mais distante , recordamos agora com mais frequência, as ruas e outros locais da nossa infância por onde corremos sem as preocupações da idade adulta e brincando, fomos felizes à nossa maneira.

Esta 1ª foto foi obtida na Rua Egas Moniz à saída para a Praça D. Afonso III ou antigo Largo do Chafariz, com familiares tentando eu segurar, ou fingir segurar, o simpático burrinho que na altura transportava a sua dona ( último rosto da foto) de um Monte que distava de Loulé seis ou sete quilómetros. Hoje os burricos apenas já existem num ou outro lugar da serra algarvia ou em zonas turísticas para visitantes que não dispensam uma foto tal como esta, para mais tarde recordar.

Finalmente deixo também aqui um poema de Joaquim Pessoa, intitulado “Ruas da minha Cidade” o qual se pode adaptar a esta Louletania que é a minha terra ou a qualquer uma das vossas.

A foto é de autoria de Paulo Nunes e foi obtida nos anos sessenta.

Texto: Palma

Ruas da minha cidade
veias que o meu sangue abraça
e põe cravos de ansiedade
na lapela de quem passa.

Ruas da minha cidade
onde perco o coração.
Poema diz a verdade!
Diz a verdade canção!

Ruas da minha cidade
amanhecendo a firmeza
duma ponte entre a saudade
e um Abril à portuguesa.

Ruas da minha cidade
onde vingo as minhas asas.
O meu nome é liberdade
e moro em todas as casas.

Ruas da minha cidade
praças da minha alegria
onde antes da claridade
era noite todo o dia.

Ruas da minha cidade
onde o velho é sempre novo:
as ruas não têm idade
porque são todas do povo.

Ruas da minha cidade
becos de ganga puída.
Oficinas da verdade
dos operários desta vida.

Ruas da minha cidade
janelas do meu olhar
onde os pardais da amizade
à tarde vêm poisar.

Ruas da minha cidade
rasgadas por minha mão.
A gente passa à vontade
quando pisa o nosso chão.

Ruas da minha cidade
Aonde eu quero morrer
Com cravos de eternidade
Dos meus olhos a nascer.

17 comentários a “As ruas da minha infância

  1. Luís Furtado: Aproveito este novo post para responder ao seu comentário anterior.\\ Sabe que não está sózinho com « os gatinhos » ? Há por aí uma menina na sala rsss que também está combalida em virtude de uma sessão de ginástica sueca..rs…
    Em relação ao catálogo afinal já o tem em seu poder ? Tem de explicar melhor a coisa.\\ Quanto à foto de hoje espero que ajude a lembrar aqueles tempos em que Loulé era inundada principalmente aos sábados por animais simpáticos como esse. Eu que vivia ali perto do Largo pelas cinco da manhã já começava a ouvir as carroças a passar à rua. Quem mais cedo chegava melhor lugar conseguia para guardar os animais. Como as coisas mudaram tão rápidamente. Foi tudo no outro dia… não se lembra ? Abraço – Palma

  2. Lila: Ainda comprei no Snr. Manuel Lopes uma ou duas canetas de tinta permanente. Coisa fina. Não era para qualquer um, não. E à mistura também lá ía uma bombinha de S. Jõão.\\ Quanto aos burricos você que é uma «mocetona saudável das serranias louletanas» rsss sabe até melhor do que eu como é bom montar num jumento desses da foto e vir a trote até Loulé rssss. Nessa altura era uma coisa incrível o número de animais e carroças que vinham até Loulé nos sábados. E em dias de feira ? Como você disse foi tudo há tão pouco tempo que me parece até que ainda nem fiz a 1ª Comunhão rsss. Abraço e bons sonhos com os burrinhos de outras eras. Palma

  3. Essa bela letra é de uma canção que cantava o Carlos Mendes. Já estive a ver no Youtube mas não a encontrei. Há realmente tantas ruas para recordar…. Uma noite boa para todos.

  4. Os tempos não perdoam e os largos que se enchiam em Loulé, de mulas, burros, cavalos, carroças há já uns anitos que se foram. E engraçado que alguma pessoas de q

  5. Peço desculpa mas continuando no meu comentário.. algumas pessoas que me lembro de virem à vila de burro hoje já as tenho visto passsar, já velhinhas é evidente, em brutos carros, certamente de filhos ou outros familiares mais novos. Foi-se o tipicismo mas a qualidade de vida é outra. Faço ideia o que era uma pessoa vir à vila logo pela manhã andando quilómetros e quilómetros para «se aviar» como diziam, e depois à tarde fazer a mesma viagem de regresso. Pobres burros e pobres pessoas. Um bom fim de semana. Belga

  6. Belga tem razão quando diz que era bem dura a vida das pessoas que se tinham de deslocar à «vila»
    para se «aviarem» nas mercearias, drogarias e outras lojas. Andar a passinho de burro para cá e para lá às vezes horas não era realmente uma brincadeira.

  7. A minha avó possuíu um burrinho que era para mim uma joia da casa.
    Dócil e não tinha nada de burro. Que saudades tenho daquele bichinho. Recordemos os bons momentos da nossa infância porque
    ela é um tempo demasiado rápido. Só nos apercebemos depois a vermos ao longe. Rui BB

  8. Luis Furtado: Conhecia o pintor -cenógrafo João Vieira que faleceu ontem em Stª Maria ? É bem possível que fosse de outra linha mas a profissão é a mesma . Cada um escolhe o seu caminho. Enfim…\\\\\\\\\\\\\
    Rui: É natural que a malta se lembre dos bicharocos que nos deram alegrias na nossa infancia. Também o da foto deve ter terminado os seus dias há muitos anos, depois de ter ajudado e de que maneira, a sua dona. Uma boa tarde Sábado. Palma

  9. Viva Palma; de manhã dou uma vista de olhos, só agora posso dizer algo… vai para 13 horas agarrado ao pincel, e cada vez mais marafado com os chicos espertos querendo colher louros à custa deste seu amigo… vem a propósito o ter olhado bem esta foto, e eu estou lá representado… sinceramente devo ser um grande burro,rsrs… (sem ofensa pro Jumento), não se pode ser-se simples e sério, a vida está boa é para oportunistas. \\\ Conheci sim senhor, entrámos em duas exposições colectivas dos pintores Cenógrafos, uma na S. N. de Belas Artes, outra no Museu da Electricidade… éramos 11, restam 8, foram-se o Jorge Rosa, Octávio Clérigo e agora o João Vieira, o Mário Alberto está internado… já não sei se é a vida, se a “maldita” morte. Já pus um catálogo de parte para a sua colecção com fotos de Eduardo Gageiro e um texto de Baptista Bastos… a propósito; onde é que o meu amigo estava no 25 de Abril?rsrs. Tudo isto aconteceu em 2000 e 2001. \\\ Não tenho catálogo nenhum, só provas para aprovação e como lhe disse, estão lá uns “rabiscos” que só estraga, mais parece um convite para um casamento,rsrs. Desejo um catálogo simples. depois envio-lho para você ver e rir-se. Amanhã falarei dos burros da nossa terra. Inté. L.F.

  10. Luis: essa de estar 13 horas agarrado ao pincel é um feito…rsss.\\ Os chicos espertos estão sempre à espreita que um Luís outro qualquer possa caír na esparrela, porque eles não têm nada a perder antes pelo contrário.\\ Essa do Convite para casamento deve ser de propósito para criar mais expectativa e modernidade rss.\\ Quanto aos seus colegas… 8 já não é mau. Alguns já estão avançadinhos não é ? O caso do Mário Alberto.
    \\Depois com tempo falará dos burricos da nossa terra e dirá se montou algum até ao chafariz.
    Um abraço e muita paciência porque sem isso os «nervios» podem estalar rssse não vale a pena já que esta vida é como a vida de marinheiro…rs. Abraço -Palma

  11. Meu caro Palma; voltei à sala e logo para “pedinchar”, já telelei mas não deu!
    Preciso de uma “arte” do amigo, com ritmo e força, a ver da causa colectiva. Pensa nisso!

  12. Almeida:Hoje estive a passar um daqueles dias de fim de verão de que gosto bastante, perto do mar. Setembro convida.\\ Quanto ao seu
    pedido acho muito tarde e há algumas dificuldades. Conversaremos-

  13. Sempre gostei e achei simpáticos os burricos. E há tão poucos hoje.Penso que numa propriedade para os lados de Lagos existem uns estrangeiros que os protegem.

  14. Hoje só quase apenas os estrangeiros fazem criação destes animais em quintas onde as criança vão ver como se fossem ao jardim zoológico. Pelo menos são bem tratados e vigiados por veterinário.

  15. A minha avó tinha um burrico que era um amor. Eu mesmo pequenina já tinha a noção de que o pobre do animal trabalhava de mais. Custava-me vê-lo carregando as pessoas até à vila. Quilómetros e quilómetros para lá e depois a volta. Maria

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