BAILES DE ONTEM

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BAILES E APAGÃO

Naquele tempo, as meninas chegavam ao baile da Sociedade Recreativa sempre acompanhadas pela mãe, uma tia ou mesmo uma vizinha de confiança . Era necessário estar vigilante. Ao mais pequeno sinal de distracção o atacante (rapaz) poderia desferir o golpe na sua presa (rapariga). Mas…. e há sempre um mas… nestas pequeninas histórias. Quando a EDP da altura, falhava o fornecimento de energia eléctrica à rua onde se realizava o baile, então a felicidade era total. Sala às escuras, orquestra tocando num ritmo cada vez mais lento, sempre mais lento, enquanto atacante e presa se vingavam da proibição do contacto dos corpos que lhes tinha sido imposto no início da faena.
Na escuridão da sala, a mãe, a tia ou a tal vizinha de confiança nada podiam fazer perante o terrível apagão. Um apagão que naquela hora, fazia a felicidade dos pares que dengosamente enlaçados, se entregavam aos prazeres proibidos de uma simples noite de baile.
Como os tempos mudaram meus queridos amigos e amigas .

Texto: Palma \ Fotos: Desconheço os autores das mesmas – Net )

19 comentários a “BAILES DE ONTEM

  1. A 1ª fotografia tanto podia ter sido tirada em Monção como em Olhão ou Portel. Os bailes eram mesmo assim. Para quem não os viveu não sabe avaliar a preparação, o entusiasmo, a longa espera pela noite para chegar à sala e entregarmo-nos nos braços de alguém que nos esperou o dia inteiro.
    E quando havia apagão então…. então ! Rosa Viçosa ainda !

  2. O meu pai falou-me imensas vezes neste tipo de bailes pois era músico de orquestra e viveu essa época de bailes, brilhante em vários aspectos.

  3. À volta da sala duas ou três filas de cadeiras onde se sentavam as mães ou as acompanhantes das meninas «balhadoras» e na fila da frente as ditas meninas que se levantavam ao sinal do par que as escolhia cá de longe. A diferença entre esses bailes e os das discotecas de hoje é abismal.
    Vai um passinho de dança ? Dias

  4. Meu pai!! do que você se lembra Palma 🙂 … ai, ai, ai … belos tempos … digam o que disserem … dançava-se … hoje em dia humm quase nada … belos pésinhos de dança que a malta deu … em coletividades ou particulares … e agarradinhos q.b. Bem … vou pra cama e vou ter sonhos agradáveis concerteza … Noite feliz …

  5. Lila: Penso que estes concursos de dança que há por aí pelas televisões são um pouco o reviver a dança desta forma (par enlaçado). Mas também acho que há lugar para tudo. Cada ritmo com a sua forma de dança. Até mesmo aquelas que nós olhamos e pensamos que as pessoas estão com cólicas renais ou coisa parecida…rsss. Eu continuo a ser um saudosista mas das coisas boas do passado. Das outras nem à distância….rsss. Abraço – Bons sonhos –

  6. Dias Yara e Rosa eram mesmo assim como na foto de cima ( que por acaso não sei em que Colectividade foi tirada) mas que no fundo é a imagem de todas as outras. Uma boa noite – Palma

  7. Bem Palma, não eram todos assim… já havia neste tempo bailaricos só para jovens em colectividades de 3 e 4 assoalhadas,rsrs… aqui no nosso bairro onde aparecesse uma casa vaga, “convidava-mos” o senhorio a empresta-la, (sem estragar), alegando que a receita apurada era para fins beneméritos da igreja… malandrice, éramos todos uma cambada de tesos. As raparigas desenrascavam-se, ou acompanhadas da irmã ou do irmão, (que também estavam interessados na festa), de visita a uma amiga… tinham era horas certas para regressar a casa… às vezes “descuidavam-se”, pois não, Janelas fechadas por causa dos mirones, a aparelhagem não era de fazer muito barulho, (gira discos com um altifalante na tampa), depois havia um malandreco que se lembrava de apagar a luz… depois, bem depois… no escurinho do cinema… quero dizer, da salinha,rsrs. Tempos que já não volta, resta-me o olhar as fotos desses bailaricos onde aparecia quase sempre um imitador do Elvis. Quarta e Quinta não consegui entrar no blog, algum problema? Inté. L.F.

  8. PS; esqueci-me de citar as vergonhas que um jovem passava nessas colectividades, “oficiais”, quando a rapariga dava uma grande tampa… pior era quando ele atravessava a sala e se aproximava demasiado, nem sabia onde se meter,rsrs. Assisti a muitas cenas destas nos Alunos da Apolo quando fiz parte da marcha de Campo de Ourique à muitos muitos anos.L.F.

  9. Luis Furtado:Belo depoimento de quem viveu esses dias de juventude com um certo sabor especial que as proibições sempre trazem. Essa das tampas era dolorosa. E eu que toquei como sabe, varios anos num conjunto, apreciava por vezes lá de cima do meu parapeito essas cenas de autêntica humilhação. Um «moço» atravessar uma sala de baile por lhe ser negada uma dança, era coisa de grande irritação. Mas os mais desenrascados faziam o tal papel de quem não se importa nada com o caso e lá saíam como se nada fosse. \\ Quanto ao nosso blog também notei qualquer coisa de anormal mas não posso precisar o quê. Se calhar estou sob escuta kkkk . Ainda por cima eu que nunca negociei com ferro velho ou coisa parecida. Um bom fim de semana. Abraço _ Palma

  10. No meu tempo, era assim o rapaz não se podia encostar à rapariga, até porque esta ficava logo mal vista, caso o consentisse. Fui a um só baile, acompanhada dos meus pais, quando fui convidada para dançar, o meu pai levantou-se e andava à nossa roda para verificar como nos comportávamos, e por aqui terminaram as minhas andanças, ou danças. Não houve nenhum apagão [risos]. Hoje é diferente e acho que para pior, não que eu concorde com os meus tempos de jovem, mas como o povo diz, “nem oito, nem oitenta”, o meio termo é melhor.

    É como na política, nem estrema esquerda, nem direita.

    A foto, e a escultura, são lindíssimas.

    Luisa

  11. Luisa Moreira: Um obrigado pela sua visita e pelo comentário sobre a sua noite de baile… vigiada por todos os lados rsssss. Na verdade continuo a apreciar a dança com par, em detrimento do dançar cada um para seu lado e às vezes até com as paredes ou os móveis e mesmo as colunas de som mais próximas. \\\\ Aproveito para sugerir aos nossos visitantes uma visita aos blogs da nossa amiga Luisa Moreira bastando para isso clicar sobre o seu nome. Um bom fim de semana. Abraço – Palma

  12. Uma prova de que para dançar bem é necessário ter ouvido e muita sensibilidade está à vista nos programas de concurso de dança das Tvs.

  13. dançar como nesse tempo não faz sentido nenhum. Deve-se dançar como nos apetecer. Sózinhos, aos saltos ou às cambalhotas.

  14. Lembram-se dos bailes dos Artistas e do Atlético ? Fui lá muitas noites. Noites memoráveis quando ainda não havia televisão e a dança e os encontros quase furtivos eram um prazer imenso. Quem havia de dizer que uma época de tanto atraso também tinha o seu lado interessante. S.Manuel

  15. Dançar naquela altura tinha um sabor especial. Hoje penos que se dança com as cadeiras ou mesmo com as paredes.

  16. Dansei tantas vezes. E o ritmo das canções nessa altura dava para os pares se enlaçarem e deslizarem na sala. Hoje ninguém sabe que ritmo estão tocando ou se existe alguma forma de dançar esse mesmo ritmo.

  17. Quando não havia liberdade as pessoas aproveitavam os bailes para se apertarem nos braços uns dos outros. Isso tudo é do passado.

  18. Parece-me que os jovens de hoje não apreciam este dançar enlaçado. Também é natural. Têm toda a liberdade para se abraçar….e tudo o mais.

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