CALVÁRIO UM REI DE MUITOS TRONOS

Quem não se recorda de António Calvário o cantor\ actor, tão admirado por muitos e detestado por alguns, na sua época de ouro em que foi Rei da Rádio por diversas vezes ?

Hoje, passados todos estes anos, torna-se mais nítida a imagem de Calvário como um grande profissional, intérprete de um determinado tipo de canção popular que era idolatrado por esse país fora e segundo se diz, também um excelente ser humano.

António lançou há algum tempo um livro em que descreve muitas das «aventuras» da sua longa carreira de cançonetista\ actor, não esquecendo porém as suas origens. Filho de pais algarvios, Calvário nasceu em Moçambique mas tem um carinho especial pela nossa província e sobretudo por Portimão terra donde são naturais alguns dos seu familiares mais chegados.

António Calvário rodou ainda vários filmes e nestas “ Histórias da minha História” descreve alguns momentos vividos quando da rodagem de um desses filmes em Angola : “…….procurámos sempre não nos afastarmos de pequenas povoações, como por exemplo Cacuso, Dongo e outras, no norte de Angola. locais flagelados, pelos que lutavam pela independência do que é hoje o seu país, Angola.

Nestas paragens, durante a guerra colonial, estavam aquartelados grandes núcleos de soldados portugueses que, exaustos, se debatiam numa guerra que lhes era imposta.” E segundo ele, logo na primeira noite em que a equipa de filmagens se hospedou numa dessas pequenas localidades, alguns militares começaram a rondar a pensão até que um deles se aproximou e pediu que lhes proporcionasse alguns momentos de alegria pois estavam ali há meses sem que tivessem tido acesso a qualquer divertimento que os ajudasse a passar o tenebroso tempo da Guerra. E foi assim que Calvário acedeu actuando num improvisado «espectáculo» dentro dum pequeno barracão onde foi colocado um estrado servindo de palco tendo como plateia o chão de terra batida daquelas longínquas paragens. Acompanhado apenas por uma viola tocada por um músico que acompanhava a equipa de filmagens, Calvário interpretou para aquela gente sedenta de escutar alguma música portuguesa, várias canções do seu reportório e outras de cariz popular o que foi um sucesso. A notícia chegou a outros aquartelamentos da zona e escusado será dizer que o A.C. trouxe daquelas paragens grandes recordações para a sua carreira.

Foto, retirada do livro “ Histórias da minha História” com prefácio de Francisco Nicholson – Edições Guerra e Paz .

Palma

13 comentários a “CALVÁRIO UM REI DE MUITOS TRONOS

  1. Quem conheceu os tempos áureos do Antonio Calvário sabe que teve o mundo do espectaculo em Portugal a seus pés. Tratado por nacional cançonetista por alguns intelectuais embarbados pode-se dizer que este homem sabia cantar e mesmo alguma canções simples que cantava eram bem constru~idas porque os compositores daquele estilo romântico de canção sabiam-no fazer. Ao contrário dos pimbas de hoje , Calvário, Rui de Mascarenhas, Tony de Matos, Artur Ribeiro e muitos outros metiam estes cantorzecos de hoje na gaveta. Não me refiro aos bons cantores de hoje mas aos pimbas, que são muitos e usufruem do que os outros não puderam usufruir no tempo do fascismo.
    Maria Laura

  2. Antonio Calvário foi nos seus tempos aureos um artista de mérito. Podia-se dizer que as canções da época falavam apenas de amor, o que aliás sempre aconteceu por todo o mundo. Os cantores de texto e muito bem, fizeram a sua parte até porque eram uma classe mais informada politicamente e tinham outra linguagem.Não se pode é tirar o valor aos outros só porque cantavam canções de amor. É evidente que o Regime de então interessava-lhes muito mais quem cantasse os temas destes cantores do que os que cantavam letras que feriam de morte o regime salazarista. A esta distância, hoje, aprecio tanto uns como outros.

  3. Não tenho nada contra mas não gosto do estilo de canção. Quanto a ser uma excelente pessoa, muitas vezes enganamo-nos com as figuras públicas, muitos são precisamente o contrário do que pretendem fazer passar. Afinal no dia a dia de cada um de nós passa-se o mesmo. Somos todos bonzinhos e mauzinhos.

  4. Foi e é um excelente profissional. Quanto ao tipo de canções que cantava é como tudo. Há muito quem goste e outros tantos que não lhes diz nada. Respeitemos sempre o gosto de cada um.

  5. Prezo muito por Calvário não ter receio de colocar no seu livro que a malta militar estava ali por uma guerra que lhe foi imposta. Há que dizer que milhares e milhares de militares portugueses partiram do continente deixando tudo e todos para se dirigir para África a fim de combater a mando de Salazar. Milhares e milhares na flor da juventude ficaram pelo caminho. Outros estropiados e outros ainda sofrendo de doenças mentais. O país sofreu nestes onze anos de guerra algo que não esperava.
    Parabéns ao António Calvário por não ter receio de dizer a verdade sobe aquela guerra que destruiu parte da nossa juventude.

  6. Palma; não foi rapaz das minhas amizades… lembro-me de ter pintado um cartaz em que contracenava com a Madalena Iglésias, não lembro o nome… vi-o no teatro aqui à uns tempos, ainda estava para as curvas, simples e bem disposto… Senhor, a teus pés eu confesso, que eu, não sei de mais nada,rsss. Inté. L.F.

  7. O Calvário tem o seu lugar no coração de toda uma particular geração!
    … e lindo que ele era … ai mocidade, mocidade … porque fugiste de nós … 🙂

    um fantástico fim de semana ao pessoal da louletania .

  8. Astor, Laura, Miguel, Milene, Joka e soldado, afinal o António cantor de grande sucesso dos idos anos sessenta e setenta já tem os setenta anitos e continua por aí cantando até que a voz lhe doa. Naquele tempo era fino não gostar-se do Calvário. A malta mais nova dizia cobras e lagartos mas grande parte dos mais «crescidos» apreciavam o seu trabalho. É o que fazemos agora, que já ultrapassámos uma certa idade rsss.

  9. Luis Furtado, pensei que tivesse algum contacto com o António já que ele trabalhou bastante em Revista. Uma coisa é certa… o homem é um grande profissional e não foi preciso armar-se em bom para chegar onde chegou naquele tempo. Eu gosto da pessoas simples. Abaixo a caganice… rsss!

  10. Lila: É verdade que o António teve o seu lugar numa ou mais gerações… As moças achavam que era o galã da época….e os moços talvez por ciúmes… não gostavam. Tudo passou como se fosse há um ou dois anos. Longa vida para o artista porque merece.

  11. As vozes apesar de tudo eram bem trabalhadas naquela época. Ou se sabia cantar ou não se vencia.

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