Cândido Guerreiro : A poesia que brotou da Serra

Num breve passeio pela aldeia mais bela do nosso concelho, Alte, visitei mais uma vez o lugar da Fonte Grande por onde corre uma romântica ribeira de águas limpidas e em cujo local se encontram escritos, em azulejos de estilo bem português, poemas de Cândido Guerreiro.

Dotado de uma personalidade multifacetada, formado em Direito, Francisco Xavier Cândido Guerreiro foi um poeta de grande sensibilidade artística, político distinto e notável jornalista.

Destacou-se pelos seus valores éticos , de dignidade e honestidade.Pugnou, isento de contrapartidas pessoais, pelo desenvolvimento e modernização de Loulé, nomeadamente na construção da Avª José da Costa Mealha. Mas a honestidade em política paga-se caro, em especial quando se detém algum poder e mérito. Por isso se retirou para Faro em 1923 onde exerceu o cargo de Notário até atingir o limite de idade em 1941 e aqui lhe foi prestada uma homenagem , a que se associou o Algarve inteiro.

Da sua Aldeia que amava, nunca conseguiu afastar-se, recusando até um cargo diplomático no estrangeiro para o qual tinha sido indigitado pelo Governo da República.

Fontes: Loulé Século XX – Isilda Martins .- Foto: Net

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Porque nasci ao pé de quatro montes,
por onde as águas passam a cantar
as canções dos moinhos e das fontes,
ensinaram-me as águas a falar…

Eu sei a vossa língua, água das fontes…
Podeis falar comigo, águas do mar…
E ouço, à tarde, os longínquos horizontes
chorar uma saudade singular…

E, porque entendo bem aquelas mágoas
e compreendo os íntimos segredos
da voz do mar ou do rochedo mudo,

sinto-me irmão da luz, do ar, das águas,
sinto-me irmão dos íngremes penedos
e sinto que sou Deus, pois Deus é tudo…

(a ) Cândido Guerreiro

17 comentários a “Cândido Guerreiro : A poesia que brotou da Serra

  1. Os meus avós nasceram nessa bela aldeia de Alte. Merecia nos tempos modernos um outro tratamento agora que tem havido dinheiro. Mas nem sempre o dinheiro acompanha a inteligência dos homens. Nina

  2. Há muito que não vou a Alte. Espero que o Daniel Vieira continue com a sua Horta das Artes pois é um lugar onde apetece estar. Arte por todos os lados e a simpatia do Daniel sempre presente. Grande Altense.

  3. Bom Domingo Palma; muitos Guerreiros à por aí, uns sérios, outros assim assim, outros uns grandes mentirosos, e os que são sérios, (com outros nomes), no presente, são olhados como aves raras que incomodam os Guerreiros chicos espertos e mentirosos, como tal, à que abate-los… pelos vistos, é uma “doença” que já vem de longe. \\\ Brevemente devo ir aí com tempo e desta vez vamos mesmo visitar o Daniel Vieira e terei ocasião de ver e ler os poemas do C. Guerreiro. \\\ Como é que se consegue plantar Amendoeiras?… a Amêndoa com casca, com o miolo, por estaca?… é que já falei na Junta de Freguesia para as plantar nos Jardins do Bairro e ficaram encantados com a ideia… não admira, se já existem Nespereiras e Ameixoeiras, porque não Amendoeiras?,rsrs. Quem souber que o diga. Inté. L.F.

  4. Luis Furtado: Boa tarde de domingo solarengo para a Capital e para o seu pequeno Reino com amendoeira à porta e tudo.\\ No que se refere os muitos Guerreiros que por cá existem digo-lhe que Cândido e Guerreiro só houve um . O Cãndido Guerreiro de Alte e mais nenhum rsss.\\\ Quando cá vier daremos concerteza um salto à serrania altense para um bom passeio.\\\ Quanto às amendoeiras esperemos que a Lila se digne visitar-nos aqui na sala a qualquer momento para que informe a melhor maneira de plantar amendoeiras em Lisboa…rs. Ela como moçoila serrana que é não deixara´de dar a informação precisa. Abraço – Palma

  5. Boa noite Altenses espalhados pelo mundo fora. A vossa aldeia continua a ser um local aprazível dos campos de Loulé. E o Dr. Cândido Guerreiro um poeta que continua a ser lido pelos antigos e novos amantes de poesia.
    Santos

  6. Vale a pena Luisa … sou duviosa … sempre fui uma apaixonada por Alte, pai altense e vizinha … enfim! lembro-me em miúda, sempre que ia a Alte deliciava-me nas leituras doa poesia de Candido Guerreiro, espalhada pelas fontes … memories né Palma ? Quanto às amendoeiras do nosso querido amigo LF … antes de mais, acho muito bem … porque não?! bem, aqui em Loulé, encontra no mercado ao sabado, talvez, mas no mercado de Estoi de certeza, depois é só plantar … mas informo o nosso amigo Palma, que agricultura , só mesmo na farmville do facebook … ehehehhe Ontem fui apanhar abacates, apanhei-os, mas também uma pernada na testa … livra!

    Continuação de sol, é o que desejamos né? já agora, como vai passando Luis? melhorou? desejo que sim. Abraço

  7. Hoje saiu na Voz de Loulé mais um interessante artigo do Dr. João Chagas Aleixo. O artigo fala do António Aleixo. No mesmo é ainda contado um interessante episódio passado, na década de 40,em Faro, entre os poetas Cândido Guerreiro e António Aleixo. Como penso que o episódio é desconhecido da maioria das pessoas, aconselho a sua leitura. Eu pelo menos não o conhecia.

  8. Cara Luis Moreira não deve deixar de visitar aldeia mais típica do Algarve segundo alguns. E depois, de Tavira até lá é um pulinho rss. Boa semana. Abraço Palma

  9. Liliana: Afinal enganei o Luís porque pensei que você fosse especialista na plantação de amendoeiras rss. mas afinal está especializada numa coisa para a qual eu não tenho paciência rsss…. farmville. Mas que é um entretenimento lá isso é. Agora estou a gostar do Le Troca. Experimente se não conhece.\\ O nosso Luís parece que melhorou e ainda bem. Abraço – Palma

  10. Murta Rebelo: Fez bem em salientar esse novo artigo da Voz de Loulé e de autoria do nosso amigo Dr. João Chagas Aleixo. Vou ler certamente. Obrigado. Uma boa noite- Palma

  11. Mas que bom e que mau!
    Há Cândido por cá… isso é justo, é merecido e nunca será demais… que haja Cândido cada vez mais!
    Guerreiro… isso, em geral é mau pois há guerras demais, maior parte delas de “alecrim e manjerona”, de “tratar do tacho”
    Mau é também ter eu estado ausente por dias e ficar ultrapassado emtanto que havia para opinar e partilhar… a Luz galega que, não sei bem porquê, ao por afinidade geográfica e proximidade fronteiriça, me diz tanto a ponto de sentir real um Galaico-lusitano com linguarejar comum nortenho, sei lá! Mas sinto emoção quando a ouço!

  12. Amigo Almeida tu és um homem de emoções. Nõa poderias deixar de gostar de ouvir a galega tua vizinha Luz Casal. Quanto aos Guerreiros Cândidos já não há muitos. Mas eu continuo a gostar da poesai que brour daquela serra de Alte em cândidos anos. Abraço – Palma

  13. Um obrigado à Liliana pelas informações prestadas, esqueci-me foi de perguntar quantos anos são precisos para a amendoeira dar flor… será que chegarei a ver?… bem, pelo menos resta-me a consolação de saber que, no futuro, alguém dirá que elas foram plantadas por um Louletano,rsrs. Aí cortam-nas, aqui planta-se… o meu bairro dá gosto ver, está todo florido, só falta a flor da cor da neve… por aqui a Prima já chegou,rsrs.\\\ Palma, se abrir o, “A Voz de Loulé”, ver-me-à rodeado de dois Guerreiros que em nada tem a ver com o Cândido,rsrs. O Mexilhão já está do tamanho de uma conquilha acabada de nascer, parece que o tipo não se deu lá muito bem com esta rocha,rsrs. Inté. L.F.

  14. Luis Furtado: Penso que mesmo pequeninas a amendoeiras começa a florir. De pequenino se torce o pepino como se costuma dizer… Vou dar uma olhadela ao jornal para ver do que se trata..rs\\ Quando eu disse que aqui as cortam é verdade mas também é verdade que ainda há por aí milhares delas para nos consolarem a vista e os campos em Fevereiro de cada ano.\\ Já vi que o mexilhão a bater nessa rocha não se safa. Abraço – Palma

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