CANTIGAS DA GUERRA

Durante os 13 anos que durou a chamada Guerra Colonial em Angola, Moçambique e Guiné, a companhia mais acérrima e mais próxima de cada militar que para ali partia, além da arma que era obrigado a trazer sempre consigo, era sem dúvida o Rádio/Telefonia.

Para lá das notícias, os programas musicais eram os mais escutados. Na altura, apenas um tipo de música era constantemente passado e autorizado nas estações de radio. As canções amor.

De origem portuguesa, inglesa ou brasileira o tema era indiscutilvemente o único.

Cantores como Zeca Afonso, Adriano, José Mário e outros não tinham autorização de serem transmitidos, para lá de serem muito pouco conhecidos por aquelas paragens.

É verdade que o tema do Amor é inesgotável quer na música quer noutras artes em quaquer parte do Mundo, mas a maioria do que se ouvia era do mais lamuriento e lamechas possivel. E tudo isso porque não havia liberdade de escolha.

Hoje deixamos aqui uma das canções mais tocadas nas rádios ao longo desse período. Uma verdadeira campeã. E percebe-se bem porquê. A palavra Mãe era a que mais tocava o coração de qualquer militar durante esse tão duro período, como é sempre o de qualquer guerra.

Palma

8 comentários a “CANTIGAS DA GUERRA

  1. Se me lembro. A música brasileira era
    das que se ouvia tardes inteiras. Cheguei a ouvir ” A namorada que sonhei” 35 vezes num dia. A coisa atingia números nunca pensados. E a música brasileira era mesmo muito mais passada nas radios do que a portuguesa. De longe. Tão longe vão esses tempos que quero esquecer mas ainda estão presentes.

  2. Amigo Palma,

    Mais uma vez vou tentar deixar aqui umas linhas! Devo fazer uma asneirada, que não dá para entrarem os comentários.

    Bom! Vou ao assunto:

    É verdade! Mãe, era uma das palavras que tínhamos na boca!
    Dizem que só os putos é que chamam pelas mães!
    Pois é! E nós, não éramos uns putos à beira do perigo, sujeitos a que a nossa mãe nos perdesse?

    Éramos fiéis depositários da vida que elas nos confiaram (…)

    Um abraço
    César Ramos

  3. Mãe é Mãe né Palma?… mas também à Mães e Mães, e o que mais me custa é ver uma Mãe sofrer por um filho, neste caso, foram milhares de Mães que sofreram a todo o momento pelos seus filhos, muitas perderam-nos numa guerra estúpida, e todas as guerras são estúpidas. Não sou contra as canções que falem das Mães mas algumas são cá de um choradinho que nos “parte o coração”,rsrs. Já passou Palma, e que não volte nunca mais, infelizmente, hoje, ainda à quem goste de brincar às guerras… por outras palavras, quem goste de brincar com a vida Humana, brincadeira que uma verdadeira Mãe nunca o fará. Inté. L.F.

  4. Cesar: Benvindo . Sinceramente não lhe sei dizer porque um ou outro comentário às vezes não entra. Eu não sou grande especialista…rsss….nesta coisa mas desta vez conseguiu e isso é que interessa. Na realidade mesmo sendo já adultos era pelas mães que nós mais suspirávamos, também por saber que no seu pensamento dia e noite éramos nós que lá estávamos. Enfim, coisas que a malta de hoje felizmente não tem conhecimento de causa. O que me irrita às vezes são certos comentários que ouvimos por aí, de gente que não tem a mínima noção do que foram esses tempos e no que foi um país suspenso no dia a dia, hora a hora pensando nos seus filhos, netos, maridos….em paragens longínquas sem saber por onde andavam e pelo que passavam. Abraço – Palma

  5. Luis Furtado: Na verdade mesmo as canções mais choradinhas quando se tratava do tema mãe, eram sentidas de outra forma. Esquecia-se o choradinho e deixava-se entrar a melodia no coração. Quanto às Guerras penso que desde o inicio o mundo não deve ter tido nunca momentos de paz. Quando acaba uma logo começa outra noutro sítio. Os interesses e a imperfeição dos homens não mudaram. Abraço – Palma

  6. Meu grande amigo; quero aqui referir para que a minha consciência sossegue, que, este é um grande post.
    Pois é: A Guerra aconteceu e a forma possível de a referir, em seu tempo, era esta e a outra… As mensagens de Natal!
    Aquilo que restou… as famílias destruídas, os traumas de guerra, a dificuldade de comunicar com os colonos, etc… Resta o consolo de termos conseguido absorver os “retornados”!
    É e será sempre um grande documento para memória futura – esta canção que tu aqui colocaste!

  7. Almeida: Tens razão Almeida este é um documento musical muito importante para a história desses 13 anos de Guerra. Todos têm as suas razões. Um pequeno país como este conseguiu integrar uma multidão de portugueses com todos os problemas que estas situações acarretam.

  8. Uma das baladas que o Regime odiava era a do Soldadinho do Zeca Afonso.
    Fica aqui a letra dessa famosa canção.

    Menina Dos Olhos Tristes

    Menina dos olhos tristes
    o que tanto a faz chorar
    o soldadinho não volta
    do outro lado do mar

    Vamos senhor pensativo
    olhe o cachimbo a apagar
    o soldadinho não volta
    do outro lado do mar

    Senhora de olhos cansados
    porque a fatiga o tear
    o soldadinho não volta
    do outro lado do mar

    Anda bem triste um amigo
    uma carta o fez chorar
    o soldadinho não volta
    do outro lado do mar

    A lua que é viajante
    é que nos pode informar
    o soldadinho já volta
    está mesmo quase a chegar

    Vem numa caixa de pinho
    do outro lado do mar
    desta vez o soldadinho
    nunca mais se faz ao mar

    de José Afonso

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