CHARLOT UM MESTRE DO HUMOR

Depois de termos falado ontem do grande actor português, do cinema e teatro de humor, Antonio Feio, trazemos hoje aqui o mestre dos mimos que o Mundo inteiro conheceu, e que mesmo hoje, quando os seus filmes voltam a ser projectados, continuam a fazer rir os seus antigos e os seus novos admiradores.

Rodou centenas de filmes, encantou gerações e morreu no dia de Natal de 1977.

Uma estrela afinal, que nunca deixou de brilhar no firmamento da 7 ª Arte.

Vale a pena ver na totalidade o pequeno filme “ Charlot no Circo “.

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Hoje levantei-me cedo a pensar no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha a função de escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está a chover ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou sentir-me encorajado para administrar as minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre a minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso queixar-me dos meus pais por não me terem dado tudo o que eu queria ou posso estar grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou entusiasmar-me com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planeei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está à minha frente à espera para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.
– Charles Chaplin –

7 comentários a “CHARLOT UM MESTRE DO HUMOR

  1. Para além de um grande actor foi também um grande pensador:
    “Sem minha mãe, acho que jamais me teria saido bem na pantomima. Ela possuia a mímica mais notável que já vi. Às vezes, ficava durante horas à janela olhando para a rua e reproduzindo com as mãos, os olhos e a expressão de sua fisionomia tudo o que se passava lá em baixo. E foi observando-a assim que eu aprendi não somente a traduzir as emoções com as minhas mãos e o meu rosto, mas sobretudo a estudar o homem…”
    “As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.”
    Charles Chaplin

  2. É imortal a arte de Charlot. Por isso foi levado no mais belo dia do ano , dia de Natal. Está lá em cima brilhando !

  3. Lembro-me de na minha casa o meu pai projectar alguns filmes de 8 mm nos anos sessenta e o o sucesso para a maltinha eram os do Charlot.

  4. Marcel Marceau um dos maiores mimos de sempre é descrito num pequeno texto de Lauro António que assistiu há muitos anos a um seu espectáculo em Portugal. Leiam pois é muito intertessante:
    Desde muito novo que sou um admirador confesso de Marcel Marceau. Não sou o que se possa dizer um entusiasta da mímica, mas Marcel Marceau era muito mais do que um mimo. Era um poeta do gesto, um escritor em movimento, uma asa de pomba solta à deriva do tempo, num palco quase sem adereços, onde a sua arte refulgia. De pouco precisava para empolgar uma audiência. Sempre que pude vi-o ao vivo, uma vez em Paris, outra no Casino do Estoril, outra ainda (a primeira!) no Maria Matos, acho que integrado num festival de teatro que então ali decorria.
    Sala apinhada, eu e o meu filho Frederico, que teria por essa altura oito-dez anos, instalados numa coxia a meio da plateia. O espectáculo inicia-se, o mimo entra em palco, rosto pintado de branco, sobrancelhas, olhos e boca sublinhadas com risco de pintura escura, estrondosa salva de palmas a saudar a entrada do génio, e este inicia o seu programa, composto por curtos episódios que se iam sucedendo perante o olhar maravilhado de uma plateia rendida, onde imperava um silêncio total.
    Súbito, o estrondo, uma cadeira já muito usada que dá de si, um pesado corpo que acompanha a descida do decrépito assento até bater no chão. Sim, era a minha cadeira, sim era eu a enterrar-me nela, até bater no chão, os olhos à altura dos braços de madeira, a sala a precipitar o olhar para o local da violenta vibração. O Frederico a olhar para mim e a perguntar baixinho, no espanto da sua vergonha, “Pai, estás bem? Que aconteceu?”. Eu continuei enfiado na cadeira sem assento, a ver se ninguém mais dava por mim, Marcel Marceau no palco, imóvel, olhando de lá o meio da plateia onde uma cadeira abatera. Um intervalo interminável. O silêncio prolongado, o que não seria estranho num espectáculo de mímica, não fora o mimo estar não só silencioso, como igualmente imóvel, olhos parados longe. Quando tudo pareceu serenar levantei-me e vim para o fundo da plateia, encostado à parede, assistir ao resto do espectáculo. Marcel Marceau, profissional sem mácula, recuou no palco, ganhou de novo o silêncio e a atenção do público, e recomeçou o episódio que fora interrompido. Recomeçou do início, para que o conjunto mantivesse a unidade e o crescendo de emoção requeridos.
    Nessa noite eu tinha interrompido, ainda que involuntariamente, uma actuação de Marcel Marceau e tinha obrigado o mimo a recomeçar um dos seus “sketches”. Nessa noite fui, ainda que de forma não deliberada, companheiro de actuação de Marceau Marceau. Um pouco o “encenador” de uma falha. Uma falha que só veio demonstrar o profissionalismo e a grandeza do dono do espectáculo.

  5. Leiam este cometario de Herman José sobre António Feio e o resto que se segue:
    Não tinha qualquer intimidade com o António Feio. Há precisamente um ano, encontrei-o aqui na Marina de Vilamoura e cumprimentei-o. Estava a jantar com as filhas, aparentemente bem disposto, mas com uma tristeza profunda no olhar. Não posso deixar de me sentir ridículo e pequeno, quando faço o balanço daquilo que foram… as minhas preocupações e problemas de m***a, quando comparados com a luta sem tréguas que ele travou com uma das doenças mais ferozmente letais de todas. Ambos nascemos em 1954 – eu em Março, ele em Dezembro. Ambos tínhamos muito em comum: amigos, autores, gostos, palcos… mas duvido seriamente que quando chegar a minha hora de olhar a “senhora dona morte” nos olhos, lhe chegue aos calcanhares na coragem, grandeza e irónico desprezo com que a enfrentou.

  6. Bom dia Palma, ou madrugada, como queira,rsrs. É sempre agradável recordar o Sr. Chaplin, que me traz também à memória os programas de A. Lopes Ribeiro; «dá lá as boas noites aos espectadores, “bou noute”»,rsss. \\\ Cá ando nos bastidores dos palcos com a nova revista “às costas” e, sinceramente, já me sinto um pouco cansadote, não admira, até às 20 são muitas horas… quem é que me mandou ser o último dos dinossauros?,rsrs. Cumprimentos à rapaziada amiga. Inté. L.F.

  7. L. Furtado: Ser o último dos dinossauros tambem dá um certo gozo rss. Assim como A. Lopes Ribeiro foi último apresentador daquele tipo e com um pianista a sonorizar (musicalmente os fimes).Era um excelente comunicador. Já o Maestro seria um excelente executante mas menos comunicador…..rsss\\ Quem são os Autores da nova Revista ? Daqui a pouco é meia noite e no sítio onde estou está um calor dos diabos , salvo seja. Queremos fresquinho …. Abraço –

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