Chuva de Janeiro

Está um dia nostálgico de Janeiro. Chove lá fora e as ruas parecem mais vazias. Lembram talvez outros dias de Janeiro de um tempo em que todos nos conhecíamos porque eram poucas as ruas dessa altura e poucas as gentes que as atravessavam. E que sabor especial tem nestes dias, a leitura de um ou outro poema de Florbela Espanca. O pequeno clip com música dos Vangelis enquadra-se perfeitamente no poema que aqui vos trago hoje. Um bom dia de Janeiro para todos.

Chuva… Que gotas grossas!… Vem ouvir:

Uma… duas… mais outra que desceu…

É Viviana, é Melusina, a rir,

São rosas brancas dum rosal do Céu…

Os lilases deixaram-se dormir…

Nem um frémito… a terra emudeceu…Amor!

Vem ver as estrelas a cair:

Uma… duas… mais outra que desceu…

Fala baixo, juntinho ao meu ouvido,

Que essa fala de amor seja um gemido,

Um murmúrio, um soluço, um ai desfeito…

Ah! deixa à noite o seu encanto triste!

E a mim… o teu amor que mal existe

Chuva a cair na noite do meu peito!

Florbela Espanca

9 comentários a “Chuva de Janeiro

  1. Porque a tarde é de poesia permitam-me que corte um pouco a nostalgia deste domingo com um poema que achei muito interessante e que vem do Blog Nova Frente. Bom ano novo.

    Era um sujeito probo, envaidecido
    Por três filhos criados, já grandotes:
    Dois machos e uma fêmea — que, paridos,
    Cresceram a palmadas e chicotes.

    Era um sujeito casto — nunca ria
    Sobre matérias lânguidas, lascivas,
    E por ser moralista perseguia
    As próprias conjunções copulativas.

    Era um sujeito crente — e ordenava
    Aos filhos que rezassem na capela
    Por uma pobre puta, que morava
    Lá perto, de viés numa viela.

    Morreu, coitado, um dia quando soube
    Que a prole ia casar na capelinha:
    Os filhos com dois homens de bigode
    E a filha com a puta da vizinha.

  2. Cara Luís tal como o poema que escolheu para o seu blog, da Cecília Meireles também este da Florbela deixa-nos maravilhados. Nunca me canso de lê-los. E a coisa assim acompanhada com música de fundo ainda assenta melhor rsss.\\ Pode crer que é um dia perfeito. Chove realmente lá fora e há tranquilidade cá dentro. Assim sejam para todos nós os dias que se seguem…. do ano que agora nasceu. Abraço – Palma

  3. Anne Marie: Os sujeitos castos que nunca riem terão assim uns finais tão
    dramáticos ? O poema fez-me lembrar o grande Bocage que um dias destes havemos de trazer aqui. Uma boa noite – Palma

  4. E a chuva continua a caír. Por que não escutar o Jorge Bem no Chove Chuva ?
    Chove chuva, chove sem parar
    Chove chuva, chove sem parar
    Chove chuva, chove sem parar
    Chove chuva, chove sem parar

    Pois eu vou fazer uma prece
    Pra Deus, Nosso Senhor
    Pra chuva parar de molhar
    O meu divino amor

    Que é muito lindo
    É mais que o infinito
    É puro e é belo
    Inocente como a flor
    Por favor, chuva ruim
    Não molhe mais o meu amor assim
    (Não, não, não, não, não, não, não)
    Por favor, chuva ruim
    Não molhe mais o meu amor assim

  5. Gosto de ouvir a chuva. Gosto da Florbela Espanca. Gosto de solidão. Gosto do mês de Janeiro. Gosto de gostar de alguém. Também gosto que gostem de mim. Bom Ano. Umlouletano

  6. Neste ano que se quer mais verde a sugestão da nossa amiga Carina com o livro Dormir nu é ecológico é mesmo uma forma de começar a zelar melhor por nós e pela Natureza.

    O livro “Dormir Nu É Ecológico” da canadiana Vanessa Farquharson e editado pela Presença este mês de Julho em Portugal, mostra a saga da jornalista que um dia se lembrou de levar a sério a missão de se tornar ecológica num ano.
    Resolveu então criar um blogue (Green as a Thistle) e alimentá-lo dia a dia com as suas aventuras e desventuras ambientalistas, num total de 366 medidas a implementar ao longo de um ano que acabou bissexto (desde 1 de Março de 2007 a 29 de Fevereiro de 2008).
    Vanessa aplica desde as acções aparentemente mais insignificantes, como deixar de usar cotonetes ou usar apenas uma chávena e um copo por dia, até chegar a vender o seu automóvel, passando por uma panóplia de privações, como desligar o frigorífico e deixar de usar o secador de cabelo, e alterando radicalmente o tipo de alimentação para alimentos exclusivamente naturais, biológicos e frescos, de preferência locais, comendo carne apenas uma vez por semana, bem como passando a usar todo o tipo de produtos de higiene e de limpeza o mais natural e nas menores quantidades possíveis.

  7. Casamento perfeito! … dormir nu … why not? o pior são os sismos que não avisam e o pessoal sai a correr … com a vestimenta que Deus deu … 🙂

    Uma muito boa noite Palma e Louletania e claro extensivo à capital do reino … abraço

  8. Lila: Para inicio de ano não está nada mal este dormir ecológico. Mas há esse inconveniente… se houver tremor (o diabo seja surdo) não há tempo para vestir um trapinho qualquer. A não ser que se passe a deixar o roupão pendurado na porta da rua….hahaa. Uma boa noite e uma semana boa. Palma

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