Cinquenta anos depois……

Passam nesta hora, precisamente cinquenta anos, que na pequena “Barbearia Clareza” situada que foi na Rua 5 de Outubro, 78 em Loulé, José de Sousa Clareza, meu pai, mestre barbeiro e tocador de bandolim e guitarra portuguesa, gravava estas variações de sua autoria a pedido de um grupo de amigos. Irineu Cortes , João Maria da Silva, Laura Silva, Daniel Farrajota e outros companheiros, tornaram possível esta gravação que faz parte da historia da velha e saudosa Barbearia. Foi este tema que José Clareza acompanhado de Aduino Santos interpretaram junto da janela onde António Aleixo nas suas últimas horas de vida, aguardava como tinha sido prometido pelo meu pai, a pedido do poeta, uma serenata de Adeus. Como muito bem diz o João Maria nesta gravação, para muitos, elas serão umas vulgares variações mas para nós têm a sua história .Falam-nos de muitas horas ali passadas……… E todos nós gostamos de recordar….. até mesmo aquilo que não gostaríamos de voltar a viver.

Palma – 14 deSetembro de 2010 – Cinquenta anos depois………

29 comentários a “Cinquenta anos depois……

  1. Uma das particularidades desta gravação é que não ha qualquer outro instrumento ali, acompanhando o bandolim.Varios amigos que ouviram a gravaçao julgavam que haveria mais do que um instrumento mas na realidade apenas existe o bandolim tocado naquela noite longinqua pelo Jose Clareza.

  2. Quem conheceu a Barbearia Clareza lembra-se deste bandolim. Eu fico contente por o poder recordar aqui. Como o tempo passa.

  3. Não percebo nada de música, ou gosto, ou não gosto.

    Gostei muito do som tirado do bandolim.

    Recordar é viver.

    Luisa

  4. Fernando: E foram muitos os que escutaram este bandolim tocado daquela forma simples mas muito sentida. Obrigado- Palma

  5. Luisa: Era miudo quando foi efectuada esta gravaçao na Barbearia do meu pai nessa longinqua noite. Um gravador de bobines de um amigo da casa proporcionou esta gravaçao em vinil
    de pouca qualidade mas hoje passado a CD…parece ter melhorado. De qualquer modo passam hoje 50 anos sobre essa data. Quem tocou este bandolim faleceu ha ja alguns anos mas tanto eu como outros familiares e amigos nunca o esqueceram. E ficamos contentes por pessoas que n\ conheceram o ambiente musical e de saudaveis amizades daquela barbearia estarem hoje ouvindo pela 1ª vez e com agrado
    o trinar daquele querido bandolim. Obrigado- Palma

  6. Obrigado caro Joao Martins, nascido ali bem perto do local que aqui hoje homenageamos. Palma

  7. Que linda homenagem fizes-te ao Sr.Clareza teu pai.
    Gostei muito da melodia e da sua execução apesar de já a conhecer,as imagens que colocas-te no filme são lindas o que deu um resultado deslumbrante.
    É sempre bom recordar

  8. Edgar: Obrigado. Tamb´em tu as ouviste muitas vezes por frequentares aquela casa nos idos anos da nossa juventude. E obrigado tab. pela passagem a CD, que melhorou consideravelmente o som.

  9. Palma; é uma pena esse ruído de fundo provocado pelo vinyl, não é nada que não se possa remediar… assim que tiver um pouco de tempo e com o programa “anti frigideira”, irei tentar aniquilar ao máximo todos os “parasitas” que rodeiam o Bandolim… eu não acredito em milagres, mas que os há há,rsrs. Numa das próximas cartas vou enviar-lhe o resultado. Todas estas cenas não são do meu tempo, já andava emigrado. \\\ Vou ver como é que consigo distribuir um ovo por tantos tachos na cozinha da assembleia em haute cuisine,rsrs. Inté. L.F.

  10. Deixou-me sem palavras … Lindo, maravilhoso! Bem haja o pai, e bem haja o filho que lhe seguiu os passos musicais!

    Memórias valem pelo que significam! abraço e continue …

  11. Caro Luis: Quanto ao ruido… se voce ouvisse o vinil original..rs.. esse sim uma autentica frigideira…\ Sao 50 anos e o gravador que o amigio Irineu Cortes fez o favor de levar `a barbearia, naquele tempo era um maquina bem boa. Mas essa fita magnetica n\ sei do seu destino, porque gravando hoje directamente da fita, ficaria muito melhor. Mas mesmo assim o que se conseguiu j´a se considera muito bom.\\ Quanto ao ovo tem de ser de avestruz…. tantos tachinhos……- Abraço – Palma

  12. Liliana: Este bandolim e quem o tocou faziam vibrar muitos coraçoes…rs…. em noites antigas de serenatas.E ate o Aleixo nos seus ´ultimos momentos o levou para a eternidade.Abraço amigo – Palma

  13. Jorge: Obrigado pelo teu comentario. Tratando-se de pessoas e locais que conhecemos, como ´e
    tambem o teu caso, as memorias ficam mais vivas, quando ouvimos como aqui, um som que fez parte de uma determinada fase da nossa vida.
    Palma

  14. Fiquei emocionada!
    Obrigada pela partilha.
    O meu pai era um contador de histórias e tanto.Tenho pena de nunca o ter gravado, apesar de termos um aparelho desses lá em casa.
    Faz bem à alma recordar os que amámos e nos marcaram.

  15. Esperança: Tantas coisas que perdemos por deixar para a semana ou para o mes que vem……Tantas e tantas…\ Nesse caso do teu pai seria agora uma emoçao completa. Damos mais valor a tudo isto, depois de n termos connosco as pessoas que nos foram queridas. Obrigado pela tua visita.

  16. O som desse bandolim entra-nos na alma porque apesar de ser tocado por um amador a música sai do coração. Cultura popular pura. Viva o Mestre Jose Clareza.

  17. Ainda conheci a Barbearia do Sr. Clareza que além de ser um excelente ser humano era um homem que tocava o bandolim com um sentimento especial. Boa homenagem. Se quisermos, o tempo não apaga as pessoas que foram mesmo na sua simplicidade, grandes homens ou mulheres.Manuel

  18. As homenagens mesmo que muito simples são sempre formas bonitas de dizer obrigado.

    J a n i c a

  19. Um instrumento muito ouvido nas Tunas mas assim a solo sem mais nada nunca tinha escutado. LINDO.

  20. Agora que vamos mudar de post o meu obrigado a todos os que quiseram expressar a sua opiniao sobre o tal bandolim que fez parte da historia da antiga Barbearia Clareza. Que o seu som percorra muitos lugares e sobretudo de louletanos espalhados pelo mundo. Palma

  21. Querido Tó!

    Quantas e quantas vezes me abeirei, disfarçadamente da Barbearia para ouvir o teu pai tocar.
    Qd vinha da escola (do Serradinho) vinha por ali para ir para casa e ficava encantada! – muitaS vezes o Sr Clareza nem dava por mim. – estava a afinar as cordas e ia tocando melodias que me faziam sonhar. Vi-o muitas vezes sozinho neste seu entretenimento que devia ser paixão…
    outras vezes eu nem me abeirava pois a Barbearia estava cheia com os amigos do filme e outros como o Paulo Barão, o Pedro Cabeçadas, o Zé Palha, muitas vezes o Sérgio Rodrigues, todos a aprenderem com ele!… e ele lá lhes ia dizendo como deviam colocar as mãos e os dedos…

    Aquela Barbearia nunca devia ter sido encerrada! – foi um marco de cultura na nossa terra!

    Infelizmente naquele tempo as raparigas não frequentavam muito os locais predominantemente de homens…

    Havia ainda tanto para dizer!!!

    Nem imaginas a emoção que sinto meu amigo!

  22. Cara Maria do Céu: Gostei de ler o teu comentário e sei que é sincero pois lembro-me perfeitamente de tu falares na barbearia e nos «toques» mas naquela altura aqueles lugares estavam vedados às mulheres.Sonho muitas vezes com aquelas longas tardes musicais e de convívio inesquecível. Obrigado – Abraço – Tó

  23. Caro Amigo, gostei muito. Sons que nos fazem recordar coisas boas, tempos de um outro tempo.
    Um abraço e obrigado pela partilha.
    Zé Cabeça

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