Completam-se hoje 257 anos…..

Única casa que sobreviveu ao terramoto em Vila do Bispo

Frente da mesma casa

Altar do convento de Santo António / Loulé

1 de Novembro de 1755. Completam-se hoje 257 anos que a terra tremeu com grande intensidade na zona de Lisboa, no Algarve, Marrocos e Espanha. Mas foi na capital do Reino e na nossa província que muitos pensaram tratar-se do fim do mundo.

Na Monografia do concelho de Loulé de autoria de Athaíde de Oliveira encontramos a descrição de um auto que existia na Câmara Municipal desta vila e que narrava assim o sucedido: “ – Em dia 1 de Novembro das 9 para as 10 horas do dia, foi Deus Nosso Senhor servido mandar um terremoto tão valente e duração de 10 minutos até um quarto de hora, que derrubou quasi todas as casas desta villa, e as que não caíram ficaram inabitáveis; padeceu a Egreja Matriz estrago tão grande e não caíu de todo,o mesmo a Egreja de S. Francisco e a dos Capuxos e Santo Antonio. Caíu a Egreja da Graça e todos os mais templos padeceram na forma referida; partiram-se as torres do Castello, caíndo muita parte dos seus muros e caíu a Torre da Vela. Da torre da Matriz caíu o relógio e se desfizeram as grimpas. Morreram quatro mulheres, a filha do Dr. Francisco Gouveia de Abreu na sua casa junto ao muro das Religiosas, na praça; outra na Egreja da Graça com as pedras do Arco da Capella dos Passos; outra aos muros que dão para a Horta D’El Rei onde chamam a porta nova, e outra, vinda da Egreja. Morreram mais três crianças, uma filha de Abreu Martins, outra filha de F. Neto. Caíu muita parte do Convento das Religiosas e por isso se lhe fez acomodação em uma cabana na sua cerca, e saíram muitas para as casas dos seus parentes com ordem e licença do seu Prelado. Caíu a Cadeia, saíndo dela todos os presos. Morreu um menino de Manuel Andrade Oleiro. Na Egreja de Boliqueime, morreu muita gente e em Quarteira levou o mar tudo, afogando oitenta e sete pessoas, grandes e pequenas. A Câmara teve de fazer a sua sessão em uma casinha da Rua Ancha que foi de António Correia por não haver casa capaz em outra parte. E para que os vindouros conste o referido, mandaram escrever esta notícia, que todos assignam .
(In Monografia do Concelho de Loulé de Ataíde de Oliveira) –

Também num trabalho efectuado pelo Blog Genealogia do Algarve encontramos a descrição sobre a única casa que sobreviveu ao Terramoto em Vila do Bispo :

Vila do Bispo – A única casa que sobreviveu ao Terramoto de 1755

“” Na Rua dos Moinhos Nº 6, na Vila do Bispo encontra-se, ainda hoje, a única casa que ficou em pé no terramoto de 1755.

Apoiada nula lage de pedra, sobrelevada relativamente ao pavimento circundante, mostra-nos a dimensão e a arquitectura das casas de habitação algarvias de meados do Séc. XVIII. Digno de nota é a reduzida área da habitação e a ausência de qualquer janela.

Este é um verdadeiro museu vivo, com um valor histórico único no município da Vila do Bispo e no Algarve em geral, que só é pena não ser aproveitado para um fim mais nobre, do que o estado de abandono em que se encontra. Sobreviveu ao mais devastador dos terramotos, mas se nada for feito não sobreviverá à degradação. “”

Fontes: Monografia do Concelho de Loulé e Blog Genealogia do Algarve

11 comentários a “Completam-se hoje 257 anos…..

  1. Belo post. Neste dia tenebroso de há 257 anos os conhecimentosd que restam dessa data são sempre im portantes para as geraçoes actuais e vindoras. Cumprimentos.

  2. Era interessante fazer-se um pequeno livro sobre este dia no concelho de Loulé. Não sei se haverá escritos suficientes mas seria muito interessante para todos nós e para os nossos filhso e netos.

  3. Essa casa á assim um verdadeiro museu apesar de minuscula. Quando passar por aqueles lados darei uma espreitadela. Obrigado.

  4. Falhas intraplaca em Portugal Continental:

    Vale Inferior do Tejo (VIT) – sismo com epicentro em Benavente (1909) e sismo de 1531.
    Falha de Loulé – sismo de 1722 (há quem defenda[quem?] que foi ao largo de Tavira, logo não teve origem nesta falha geológica) e sismo de 1856.
    Falha de Portimão – 1719.
    Falha da Vilariça – é uma falha relativamente estável.
    Vale submarino do Sado – deu origem a um dos maiores sismos em zonas intraplacas a nível global (1858).
    Falha Nazaré-Pombal.
    Outros – 60 a.C. seguido de maremoto (perto da Galiza).

  5. Os maiores especialistas portugueses em sismos avisam que Portugal pode sofrer, a qualquer momento, um terramoto e um tsunami semelhantes aos que vimos no Japão e que vai matar dezenas de milhar de pessoas porque o país não está preparado. A Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica, num documento a que a TVI teve acesso, avisa que em Portugal nem sequer os hospitais estão preparados para um sismo.

    Portugal sofreu em 1755 um terramoto de magnitude 8,5 a 9, semelhante ao do Japão. E é uma certeza científica que vai repetir-se a qualquer momento. «Pode ser amanhã, pode ser depois de amanhã. É errado pensar que só será em 2755», disse à TVI Maria Ana Viana Baptista, geofísica.

    O Laboratório Nacional de Engenharia, em 2005, previu que o grande terramoto vai matar entre 17 mil e 27 mil pessoas, mas essa estimativa peca por defeito. O grande problema está na falta de resistência da maioria dos edifícios portugueses, ao contrário do que acontece no Japão, explica Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico.

    «Conhecendo a cidade de Lisboa, receio que possamos ter riscos acentuados em mais de 50 por cento dos edifícios da cidade», disse João Appleton, engenheiro civil.

    Para o economista António Nogueira Leite, um sismo «teria um impacto na economia portuguesa equivalente a um ano de criação de riqueza».

    As políticas de controlo da qualidade da construção e os planos de reabilitação urbana têm ignorado a maior ameaça que paira sobre a economia e a vida dos portugueses

    O Algarve, o Litoral Alentejano e a grande Lisboa, serão gravemente afectados pelo sismo que pode acontecer a qualquer momento. Como no Japão, as zonas costeiras e as margens do Tejo vão voltar a sofrer o impacto mortífero de uma onda gigante.
    I)n TVI

  6. Perfaz hoje 258 anos que o Algarve
    e Lisboa principalmente sofriam horrores.

  7. Ninguém está livre de coisa parecida com esta. O interior da Terra está em constante movimento.

  8. A Itália neste momento está sofrendo dor parecida com esta. Os jornais por cá todos os anos falam de que poderá acontecer em qualquer altura uma repetição do de 1755. Felizmente nunca acertaram. Felizmente. CALO

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