Compra-me um alguidar !

Hoje ofereceram-me um pequeno alguidar de barro já com alguns anitos e que pessoa amiga guardava na sua antiga cozinha campestre.. Certamente mesmo os mais novos já ouviram falar desse utensílio tão usado nas cozinhas desde tempos imemoriais até aos dias de hoje . Mas é certo que desde que o plástico entrou na vida de todos nós, qualquer objecto doméstico ou não, é hoje fabricado naturalmente nesse tal material que não se destrói facilmente. Afinal mais uma revolução revolução dos tempos modernos.

No Blog “ Marafações de uma Louletana” encontrei uma descrição dessa tal peça a que chamamos alguidar e que com a devida vénia passo a descrever :

“ Alguidar é uma palavra de origem árabe de “ al-gidâr “ e este utensílio foi mais um legado que os mouros nos deixaram. O alguidar de barro vermelho era uma peça essencial no ambiente doméstico dos meus pais e avós, sendo inúmeras as suas utilidades: era nele que se amassava e se deixava a massa a levedar para fazer o pão e era para este alguidar que se cortavam as carnes do porco durante a desmancha. Era no alguidar que se deixava o chamado “ migado “, isto é, carne de porco com calda de pimentão que servia para encher a tripa do porco e fazer chouriças , servindo também o alguidar para lavar a loiça, etc..

Quando por descuido o alguidar se partia, não era deitado fora. Chamava-se o “conserta alguidares “ e este através de uma técnica muito própria, colocava-lhe uns «gatos», isto é, uma espécie de grandes agrafos que uniam as partes partidas do alguidar e o tornavam a vedar dando-lhe mais uns anitos de vida.

Haviam alguidares dos mais variados tamanhos, dependendo das tarefas a que se destinavam sendo certo que alguns ostentavam um determinado tipo de decoração.

Nos dias de hoje o plástico leva a dianteira, mas no entanto, por essa serra algarvia são muitos os que ainda não dispensam o alguidar de barro. “

Neste Outubro de muitas Feiras um pouco por todo o Algarve porque não comprar um alguidar de barro bem algarvio para oferecer a alguém que lhe seja querido ?

 

NOTA: Na imagem é bem visível um alguidar de barro com os tais « gatos» atrás referidos.

Agradecimentos à autora do blog “ Marafações de uma Louletana”

5 comentários a “Compra-me um alguidar !

  1. Ainda guardo religiosamente um alguidar da minha bisavó, que terá mais de um século. O plástico não quebra mas nada como um bom alguidar de barro à moda cá da gente .

  2. Não sei como a minha avó chamava a este recipiente, mas ainda me recordo de a ver cozinhar aqui, no fogo de chão ao lado do forno, na rua… Demorava horas, a cozer em lume lento… o repolho e demais legumes da horta, a suculenta carne do porco criado na pocilga, o chouriço preto e vermelho…. Desta lenta cozedura resultava sempre uma carne muito tenra e suculenta, soltando-se dos ossos, um cozido muito saboroso e muito bem aromatizado com cominhos… sabores de outrora que me fazem salivar…
    A tampa possui uma espécie de maçaneta no topo, que facilita a sua remoção. Durante a cozedura, a tampa pode ser levantada sem a ajuda de pegas, permitindo verificar os ingredientes, adicionar vegetais, mexer e adicionar líquido, caso seja necessário.
    É um testemunho histórico e representa bem a arte islâmica de olaria deixada pelos árabes por terras do sul…
    Lido em Olhares sobre Alcoutim

  3. Não tenhamos qalquer dúvida que os velhos alguidares de barro são obra prima.

  4. Parece que já não possuem as mesmas qualidades de antigamente. Será engano meu ?

  5. OS alguidares que se vendiam no mercado de Loulé quando era pequeno e ía com a momha mãe às compras. Muitos barros haviam por ali. Será que o plástico hoje não ultrapassou em grande estes barros ? Nelo

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