Despedida ao Guizinho …um gato de rua…..

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Surgiste na minha vida naquele dia em que vinhas acompanhado por uma gatinha velhinha e doente como se fosses o seu amparo. Tu…um gato de rua tal como ela, com ares de cavalheiro pareceste-me simpático e entre nós algo houve que nos levou a uma franca amizade até ao dia de hoje.

Lembro-me que trazias uma coleira suja como seria normal num gato de rua como tu. Dependurado na dita coleira lá estava um guizinho que haveria de te dar o nome porque nos conhecemos até agora. Guizinho…Guizinho chamava eu para te colocar o prato do almoço ou do jantar! E lá vinhas tu em corrida felina até ao meu quintal saltitando satisfeito como todos os gatos que não possuindo um dono e uma casa esperam anciosamente por uma mão amiga. E desde então nunca te faltou essas saborosas refeições.

Mas há algum tempo atrás…a tua magreza denunciava que o teu corpinho frágil não estava bem…..mas fomos esperando pensando que a magreza seria das tuas noites inquietas de rua em rua até que foi mesmo decidido levar-te ao doutor veterinário….a muito custo já que tu nos trocavas os passos.

E foi nesta triste manhã que ouvi com o coração apertado…a tua sentença. A tua doença não tinha cura, era contagiosa para os felinos aqui do Bairro e o teu sofrimento embora silencioso já era grande. Confesso que quando te levei esta manhã para seres observado tinha uma réstea de esperança na tua cura, mas depois de alguns exames veio então o veredito terrível. Não pudeste regressar comigo…e não calculas como me senti triste e impotente perante a tua desgraça.

Perdoa-me querido amigo Guizinho…mas jamais pensei que estivesses em situação tão delicada. E como escreveu o José Jorge Letria num dos belos livros sobre os seus animais de estimação …..Até sempre. No lugar onde vais morar crescerão rosas e açucenas e haverá um fio de água com sal de lágrimas, para te lembrar que esta casa e este quintal será sempre nossa, enquanto a mesa estiver posta e tu correres atrás das borboletas e dos pintassilgos só para me veres rir com a doce alegria dos meninos.

Até sempre amigo.

 

 

19 comentários a “Despedida ao Guizinho …um gato de rua…..

  1. Que doloroso é despedirmo-nos de um animal puro e amigo como são muitos dos animaios domésticos.

  2. Amigo Tó,como eu compreendo a tua tristeza!
    Nestes momentos, o sentimento de perda é doloroso.
    Parabéns pelo texto que produziste.

  3. Obrigado António pela tua solidariedade. Há quem ache os animais coisas secundárias mas não, eles fazem parte da nossa vida dedicando-nos por vezes um amor que muitos seres humanos são incapazes de oferecer. Tó

  4. A grandeza dos seres humanos vê-se através de como tratam os animais. É nosso dever tratá-los como tratamos os humanos. O Guizinho estará no céu concerteza…no dos gatos ou noutro que não conhecemos.

  5. AMo os animais. Farei sempre tudo ao meu alcance para que sejam felizes tanto quanto possível.

  6. Réquiem para um gato

    A quem importa
    o animal
    sem vida
    tingindo de rubro
    o asfalto?

    A quem importa
    como era dócil
    como iluminava
    o rosto
    das crianças?

    Algo pequeno
    em mim
    se desintegra.

    Algo em mim
    busca os oprimidos
    do mundo
    assim como o felino
    sem dono
    sem sorte.

    A quem importa?

    A mim importa!

    Ricardo Mainieri

  7. Gostava de ter conhecido o Guizinho. Estará certamente num lugar onde viverá em paz para sempre.

  8. “Acredito que gatos são espíritos vindos para a Terra. Tenho certeza que um gato andaria nas nuvens sem cair.” (Julio Verne)

  9. Sei avaliar o que é o desaparecimento de um animal de estimação. São como pessoas de familia embora não falem e digam que são irracionais.Cada familia deveria ter em casa um cão ou um gato. Veriam como até ajudavam a uma maior tranquilidade no lar Zelia Vaertin

  10. E sobretudo, faça com que até ao fim o seu gato se sinta dono do seu coração. Mime-o e desfrute da sua companhia, sempre que lhe for possível. Respeite a sua necessidade de isolamento, se ela for evidente, mas não se esqueça que ele ainda ali está, só porque ele deixou de o procurar com mais frequência. Não o ignore quando ele chama a sua atenção. Faça-lhe festas (ainda mais). Esteja com ele até ao fim e mais do nunca, não o abandone.

  11. Tó , eu digo sempre que as minhas lágrimas secaram , de tanto terem escorrido , durante uns bons anos ….
    Agradeço-te teres -me mostrado que isso não aconteceu.
    Também te digo, não as retenho porque se trata de uma situação destas e “Guizinho” que partiu , tal como a minha “Pipoca” – cadela linda e ser fabuloso- que “ouvi” ser atropelada , pois nem sequer consegui olhar nem ir buscá-la depois , o que tanto me pesa até hoje . O meu corpo não deixou , continuou a andar , andar , andar …..

  12. Maria Antónia na verdade os animais fazem parte da nossa vida de tal maneira que quando partem fica um vazio imenso e o sentimento de culpa por pensarmo que não fizemos tudo para os salvar, como aliás muitas vezes nos acontecve com os humanos.
    Este era um gatinho de rua mas havia uma ligação muito forte entre nós. A doença liquidou-o embora eu pensasse que ainda não seria o seu tempo. Abraço minha amiga.

  13. Cada vez acho que as pessoas estão a defender mais os animais. É bom que assim continue. Mas são muitos os animais massacrados por esse mundo fora. Maria

  14. A personalidade dos gatos é ímpar e completamente oposta à dos cães: na relação humano-gato, o gato considera-se o líder, ao contrário do cão que considera o humano como o líder. O gato é o único animal doméstico que se domesticou a si próprio, aproximou-se e ficou junto dos humanos por iniciativa própria e não o contrário. São animais muito curiosos, geralmente não suportam ver uma porta fechada dentro de casa, mesmo que, depois de aberta, não manifestem qualquer interesse naquela divisão.

  15. Embora sejam muito independentes, os gatos não trocam os seus donos nem por nada, nem por ninguém neste mundo! Por isso mesmo, não estranhe se de repente chegar alguém e nós nos portarmos mal, ou seja, podemos tentar arranhar, bater com a pata ou bufar esses desconhecidos. Porque fazemos isto? Sentimos o nosso território invadido ou pior, o nosso dono foi de férias e deixou-nos sozinho com outra pessoa. Miauuuuuuu… O que fazer? Independentemente das circunstâncias, o contacto entre o gato e as pessoas desconhecidas deve ser lento e gradual. Outra regra de ouro: as pessoas desconhecidas não devem pegar em nós, mas sim esperar que nós nos aproximamos delas. Pode ser? Nós felinos agradecemos, é assim que gostamos de fazer as coisas! Entretanto, nós vamo-nos adaptar às outras pessoas, mas sempre com saudades do nosso dono! Volta depressa…

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