DROGARIA LYZ O FIM

Drogaria Lyz no dia de hoje

Drogaria Lyz no dia de hoje

UMA LOJA QUE MARCOU LOULÉ

No anterior post, homenageámos uma nossa querida amiga que deixou há dois dias. Chamava-se como referimos, Liberdade Leonor Rodrigues e era a comerciante há mais tempo em actividade na nossa terra, como muito bem refere o caro amigo João Chagas Aleixo. A “Drogaria Lys “, assim se denominava o estabelecimento, ficava situado mesmo no centro de Loulé, mais precisamente no Largo Gago Coutinho nºs 20 e 21. Encerra assim, com o falecimento da D. Liberdade, a antiga drogaria que teve como fundador o Snr. José Lopes Rodrigues seu marido e que como muitos de nós sabemos, exerceu com especial dedicação e saber a digna profissão de comerciante.

Loulé que já foi em tempos a capital do comércio no Algarve vê assim desaparecer um dos seus mais antigos estabelecimentos comerciais.

Como todos sabemos tudo na vida tem um fim.

“ Todos chegamos um dia como a água e nos vamos como o vento “. (Graham Greene)

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A fotografia que nesta página publicamos, mostra o Largo Gago Coutinho, antigo Largo dos Inocentes, podendo-se ver no lado esquerdo da mesma, a Drogaria Lys de que falámos.

Texto e foto : Palma

15 comentários a “DROGARIA LYZ O FIM

  1. No início dos comentários deste post transcrevo aqui aquele que foi deixado pelo Dr. João Chagas Aleixo e que achamos ser necessário para se poder falar um pouco mais sobre a homenageada e nossa amiga Liberdade Rodrigues.
    “Partiu, ontem, a D. Liberdade Leonor Rodrigues. Tinha completado 89 primaveras à muito pouco tempo.

    Era a comerciante Louletana há mais tempo em actividade. Levou uma vida inteiramente dedicada ao trabalho. Foram mais de 70 anos de porta aberta, e sempre no mesmo local. Foi a primeira loja comercial a ter um telefone. Se a memória não me atraiçoa o seu número era o 7.

    Recordo o que escrevi na edição de 15 de Janeiro de 2009, n’ A Voz de Loulé, sob o título de «Efeméride»: «no próximo dia 26 de Janeiro de 2009, comemora-se, precisamente, setenta anos que a Drogaria Lys abriu as suas portas ao público. Esta drogaria, aberta pelas mãos do seu histórico proprietário, o Sr. José Lopes Rodrigues, impôs-se em Loulé pela qualidade dos seus produtos e pelo serviço do simpático casal. Após o falecimento do seu fundador, a gerência da casa ficou entregue a sua esposa, a sr.ª D. Liberdade Leonor Rodrigues, que ainda hoje, faz questão de abrir as portas todos os dias. Assim, produtos como a pasta dentífrica medicinal «Couto», o limpa-metais «Coração», o creme para calçado «Viriato» ou os famosos rebuçados para a tosse «Dr. Bayard», tudo pode encontrar à venda na Drogaria mais antiga de Loulé, situada no Largo Gago Coutinho, nº 20 e 21. Feliz aniversário e muitos parabéns à família Rodrigues, pelos setenta anos da Drogaria Lys, são os meus sinceros votos.»

    Levou, igualmente, uma vida interiamente dedicada à Igreja Católica. Durante cerca de 55 anos deu aulas de catequese a milhares de jovens Louletanos. Arranjou altares, principlamente, na Igreja Matriz de São Clemente. Armou andores. Realizou ofertórios. Colaborou, dezenas e dezenas de vezes, com bens do seu estabelecimento para cabazes para os mais desfavorecidos. Etc…

    E o seu funeral não teve honras de Martriz???, teve que realizar-se na acanhada Capela de Santa Ana!!! Não compreendo. Existe algum critério? É preciso ser-se importante. É preciso ser-se figura pública? Ter-se exercido alguma cargo importante na sociedade Louletana? Ocupado alguma posição pública de destaque? Não consigo preceber!

    Muitos anos de contacto com a D. Liberdade possibilitaram-me aferir a sua constante boa disposição. Bem disposta? Sempre. Engraçada? Sempre. Disposta a ajudar os que mais precisavam? Sempre. Vaidosa? Também.

    Em tempos, num rasgo de criatividade viria a alcunhar o meu avô paterno de Santo Aleixo, por causa das complicações da minha avó. Foi há muito tempo. O certo é que a alcunha pegou na família, para desgosto e irritação da minha avó. De qualquer maneira já existia um Santo Aleixo de Roma. A D. Liberdade criou o de Loulé.

    PAZ À SUA ALMA. QUE DESCANSE ETERNAMENTE EM PAZ.

  2. O que muita gente notou foi que não tivesse sido concedida à D. Liberdade que os últimos momentos
    do seu velório se tivessem realizado na Igreja Matriz, templo a que ela se dedicou em toda a sua vida de católica como diz o Dr. João Aleixo. Andores, procissões, peditórios, catequese, a tudo se dedicou com alma e coração esta nossa amiga. Enfim, os agradecimentos de algumas pessoas com responsabilidade hierárquica nem sempre são a condizer com o que deles as pessoas esperam.

  3. O primeiro comentário de autoria de João Chagas Aleixo é bem o retrato de toda uma vida dedicada ao comercio na sua conhecida Drogaria . Também a segunda parte do comentário e no que diz respeito à sua insatisfação por ver uma sua amiga que tão dedicada foi às causas da Igreja da freguesia de S. Clemente ser desta forma tratada também partilho da sua visão. Paulo

  4. Bom dia Palma; costuma-se dizer, não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje. Sempre que passava por essa Loja, parava para namorar o artesanato, ficando debaixo de olho uma carroça lá exposta. Levo hoje, levo amanhã, levo quando for para Lisboa. Ainda este ano falei com a D. Liberdade e sem compromisso, disse-lhe que, desta vez é que lhe vou levar a carrocinha, amanhã passo por cá!… quando quiser, respondeu-me. A pressa do Jr. deu em, fica para a próxima… com esta notícia já não haverá próxima, não há carroça, e não Há a D. Liberdade. Com a sua partida, encerra-se mais um estabelecimento típico que sobreviveu durante décadas. Que descanse em paz, a vida, quando menos se espera, pregam-nos estas partidas, daí o não guardes pra amanhã… Bom fim de semana. Inté. L.F.

  5. Luis Furtado é mais que certo essa coisa de não guardes para amanhã…… já perdi algumas coisas na vida por não seguir esse conselho. Mas achamos sempre que tudo dura sempre e vai daí… não há maneira de aprendermos. Havia um artesão em Loulé que fazia chaminés lindíssimas e que as colocava à venda na loja da D. Liberdade. Ainda comprei três ou quatro mas depois com essa coisa do logo se compra… o senhor faleceu e não deixou seguidor da sua arte. Eram uma perfeição. Um bom fim de semana. Está um sol radioso e o Outono parece ter recuado de novo. Abraço – Palma

  6. Caro Palma,

    as chaminés de que fala eram verdadeiramente um espanto. Em tempos, em conversa com a D. Liberdade sobre as ditas chaminés ela convidenciou-me que guardava a colecção completa – perto de trinta – na sua casa de Quarteira. O que não sei, porque ainda não consegui averiguar, é se as chaminés são cópias das que tinha à venda, as que não conseguiu vender ou, simplesmente, fotografias das que encomendou ao dito artesão.

    Como gostava muito de ir à Drogaria, e porque a D. Liberdade gostava muito de mim, mostrou-me, em acesso reservado ao público, verdadeiras preciosidades. A saber: fracos e latas antigas de produtos nacionais produzidos manualmente, que entretanto deixaram de se produzir; uma colecção de fracos de Farmácia, que deixaria envorgonhadas algumas farmácias de Loulé; inúmeros retratos das suas frequentes deslocações em excurssões organizadas; pagelas de Santos e de Santas; progaramas antigos da Mãe Soberana, da qual, citando-a era «amantíssima»; e, para meu espanto, alguns livros de História de Arte, principalmente religiosa , da qual era razoável conhecedora, e que, segundo ela, lhe faziam companhia nas horas em que não tinha que atender clientes; e, muitas outras coisas mais, que seria aqui fastidioso enumerar neste despretencioso comentário.

    Foi só mais uma pequena achega, de quem teve a sorte de puder obrsevar esses objectos; e, que agora, resolveu partilhar com os meus colegas de blog.

  7. Meu caro João; importante complemento para melhor conhecimento do íntimo da Dona Liberdade!
    Acervo que desejo venha a cair em “boas mãos”, para bem de nós todos!

  8. Caro João Chagas: Antes de mudarmos de post foi mais uma boa achega quanto aos gostos da nossa cara amiga D. Liberdade. Acho que a colecção das chaminés são mesmo originais pois o Snr. Rodrigues já tinha com ele esse gosto de coleccionador. Boa noite Palma

  9. António Almeida: O acervo fica mesmo em boas mãos. \\ Quanto ao
    Tio Joaquim Santana desconhecia esse desfecho. Para quem não sabe, trata-se de um comerciante louletano que sofrendo de falhas de memória se afastou de Loulé não se sabendo para onde tendo agora o nosso amigo Almeida dado a notícia de que o Snr. terá sido encontrado a 7 ou 8 kms daqui já sem vida. As nossas condolências à família já que são pessoas conhecidas de nós todos. Bom noite – Palma

  10. Caros Almeida e Palma,

    a colecção ficará, concerteza, em boas mãos. Os dois filhos do casal – Helder (veterinário) e o Sérgio (médico de clinica geral) – herdaram do seu Pai o gosto pelo coleccionisomo. Porém, destaca-se que em colecções, praticamente de tudo, a do filho mais novo – Sérgio – era aos meus olhos, e, penso que ainda será, mais rica, diversificada, eclética e valiosa do que a do seu irmão, que é veterenário em Lisboa.

    Saudações Louletanas

  11. Caro João Chagas Aleixo:
    Em que se baseia, afirmando que as colecções do Dr Sérgio (médico de clínica geral) será mais rica, diversificada, eclética e valiosa, do que a do seu irmão Dr Helder (médico-veterinário em Lisboa), Conde de Antas de Luz de Tavira?
    Não é por morar em Lisboa, que deixa de ser menos louletano, que muitos que aí vivem, que quase desconhecem quem é a Mãe Soberana!
    Para bom entendedor…
    As pessoas só devem falar com conhecimento de causa!

  12. Aproveito também para agradecer aos senhores Almeida e Palma, os elogios merecidos aos meus AVÓS!

  13. Caro senhor Luis Furtato:
    Com respeito à carrocinha de que tanto fala, se tivéssemos em nosso poder esse artesanato que tanto apreciava, teria todo o gosto em lha oferecer. No entanto, vou fazer todos os possíveis, para entrar em contacto com o artesão, para o satisfazer. se conseguir, entrarei em contacto com o senhor.
    Dona Juju:
    Também era do nosso gosto, que minha Avó fosse velada na Igreja Matriz. Mas como deve saber, as borucracias não o consentiram. De qualquer maneira, agradeço essa sua questão tão pertinente.

  14. A D. Liberdade teve uma vida ligada à Paróquia de S. Clemente de Loulé para a qual trabalhou e dedicou muitos dias com o amor que sempre lhe conhecemos à Igreja. Causou estranheza que alguém como ela não tenha tido direito a ser velada na Igreja para a qual inúmeras vezes contribuiu quer na decoração dos altares como noutros aspectos. Palma

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