E assim se vão despindo as amendoeiras…..

Agora que Janeiro já lá vai e Fevereiro caminha a passos largos nas nossas vidas, também as amendoeiras estão-se despindo do seu manto branco que tanto encantou inúmeros olhares.

Num passeio dado nesta bela tarde de sol de inverno, constatei que já são poucas as que ostentam ainda o vestido branco que a mãe Natureza lhes oferece nesta época do ano.

Para acompanhar as duas fotos obtidas há horas atrás nos arredores de Loulé, escolhi esta bela poesia do louletano Cândido Guerreiro mestre das letras poéticas de outros tempos.

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«AMENDOEIRAS»

Em Fevereiro, quando lá de cima
Deus, com a tinta de luar, escreve
Seus lindos versos algarvios, rima
A flor das amendoeiras com a neve…

Neve em flor! Sonho! Alvura! Quem descreve
O noivado irreal que se aproxima,
Pão branco, tão diáfano, tão leve,
Que nem talvez na música se exprima?

– Meninas da primeira comunhão,
Ascéticas, descendo da montanha
À beira do caminho em procissão,

Em vias-lácteas de perfume brando,
Oiço-vos bem a sinfonia estranha,
– Porque, amendoeiras, vós estais cantando…

\\\\\ Fotos obtidas na tarde de hoje nos arredores de Loulé

 

6 comentários a “E assim se vão despindo as amendoeiras…..

  1. Maravilhosa arvore esta de que o Algarbe é um privilegiado. É pena que durem tão pouco tempo estas tão bonitas florinhas. Bom fim des semana.

  2. São lindas as amendoeiras. Dei uma volta este ano por aqueles lados de Castro Marim..e depois Tavira… belos campos. Deveriam ser plantadas mais e mais amendoeiras. Porque não o farão ?

  3. Encontrei algures esta poesia dedicada às amendoeiras floridas de autoria de Jorge Oliveira.
    Flores de amendoeira em minha mesa,
    Achei-as na brancura que me enleva.
    Aqui… é sempre inverno e a natureza
    Tem cor e brilho só na flor da esteva…

    Vim encontrá-las, cheio de surpresa,
    E antevi a Serra toda em flor:
    O Algarve transformado na leveza
    De véus de noiva na Capela-Mor!

    E o incolor da minha nostalgia
    Mudou-se em alvoroço, em pleno dia,
    Na fantasia de longínqua Lenda…

    Do alto desta Serra, olhando ao largo,
    Vejo a Rainha erguer-se do letargo
    Com pétalas no seu mantel de renda…

  4. Amigo Tó, “assim se vão despindo as amendoeiras”… que, infelizmente, as há já poucas por cá…

    Lembras-te quando, há 40/50 anos, elas, esplendorosas, miríades delas, se espalhavam em profusão pelos campos do nosso Algarve? Que espectáculo olhar para elas como decerto a jovem moira, da lenda relatada por Ataíde Oliveira, as contemplara embevecida…!

    Infelizmente, os caminhos perversos da economia ditaram que os amendoais fossem substituídos pelos pomares de laranjas. E as moiras encantadas pelas amendoeiras/neve derramam agora, por certo, amargas lágrimas…

  5. Citharoedus, tudo verdade…infelizmente ! Num passeio que fiz no outro dia com essa intenção…..constactei ue que são cada vez menos as amendoeiras que alegravam os nossos campos. O mundo do dinheiro é perverso e lentamente se vão perdendo sem quase darmos por isso tanta coisa fazia do Algarve um recanto único. Abraço – Palma

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