Foi há 56 anos que o Vulcão dos Capelinhos se mostrou ao mundo !

Vulcão dos Capelinhos, Religiosidade no medo (1957)

Procissão realizada pelas gentes locais pedindo à Virgem de Fátima o fim das erupções vulcânicas.

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Comemora-se a 27 de Setembro de 2013 o 56º aniversário do aparecimento do Vulcão dos Capelinhos, localizado no extremo poente da ilha do Faial, nos Açores.

Até à vulgarização das mais diversificadas observações do globo terrestre por satélites mais ou menos sofisticados, nomeadamente após a década de 80, a actividade vulcânica submarina era estudada com enormes constrangimentos. O Vulcão dos Capelinhos, por motivos que só a Mãe Natureza conhece, rompeu a crusta insular na mesma fractura de antecessores geneticamente idênticos (caso do vulcão do Costado da Nau), na extremidade ocidental da ilha do Faial.

Passados tantos anos, Capelinhos ainda se pode considerar único no mundo das Ciências Vulcanológicas nomeadamente por ter sido fotografado, observado, estudado e interpretado desde o respectivo início (cerca da 7h da manhã do dia 27.Set.1957) até ao “adormecimento”, em calma tarde de 24 de Outubro de 1958. Tais condições resultaram da proximidade à ilha do Faial, a um peculiar eng. residente local chamado Frederico Machado (Director dos Serviços Distritais de Obras Públicas) e da equipa que ele constitui quer ao longo do período de actividade quer nos anos dos processos erosivos. Tais trabalhos foram naturalmente autorizados pelo Governador Civil Dr. Freitas Pimentel, médico de profissão, sensível às manifestações da Natureza e preocupado com a segurança dos habitantes que, por posição, lhe estavam confiados. 

 

Na madrugada do dia 27, com a terra balançando continuadamente, os “vigias da baleia” do Costado da Nau, a escassos metros acima do Farol dos Capelinhos, notaram o oceano revolto a meia milha da costa, para os lados de oeste. Assustados, desceram ao farol, alertaram os faroleiros e os seus companheiros de baleação, no porto do Comprido. Não era baleia, nem cachalote nem outro bicho qualquer – o mar entrava em ebulição e havia cheiros fétidos!!

Chamaram-se as autoridades e lanchas e botes baleeiros zarparam para o porto do Castelo Branco. As famílias fizeram trouxas e foram juntar-se aos baleeiros.

Às 7 horas o oceano já “fumegava” abundantemente e às 8 horas surgiram as primeiras cinzas, como jactos de criptoméria. Assim começou a fase submarina do Vulcão dos Capelinhos. Horas mais tarde apareceram outras 3 chaminés, num total de 4. Ao fim do dia havia uma coluna de vapor com mais de 4 Km de altura, visível de todas as ilhas centrais.

 

No dia 24 de Outubro de 1958, sem aviso prévio, ocorreram as derradeiras explosões strombolianas, de bagacinas avermelhadas. No dia 25 iniciou-se o processo de desgasificação, de arrefecimento e de erosão que perdura até aos tempos actuais.

Fonte:
Victor Hugo Forjaz
Vulcanólogo da Universidade dos Açores e do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores

Fonte:

http://www.meteopt.com/forum/sismologia-vulcanismo/erupcao-vulcao-dos-capelinhos-faial-acores-50-anos-1370.html

2 comentários a “Foi há 56 anos que o Vulcão dos Capelinhos se mostrou ao mundo !

  1. É tenebroso sentir a terra tremer debaixo dos pés. Aquela gente durante um anos viveu num sobressalto contínuo. M. G.

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