Gente de outras paragens

Sa band.  5

GENTE DE OUTRAS PARAGENS

Há pouco respondendo a uma pergunta do meu filho sobre a minha passagem por Angola durante a Guerra Colonial, entre os vários assuntos que nos trouxe a conversa, surgiu naturalmente a curiosidade de como eram e quem eram, os nativos da zona de Sá da Bandeira actualmente Lubango. Procurando fotografias dessa época ( princípio da década de 70), escolhi esta que aqui se publica. Mas para que a pergunta tivesse uma reposta mais completa recorri também à página Povos e Culturas que nos diz : “São do distrito da Huila concelho do Lubango (Sá-da-Bandeira). Vestem panos muito coloridos (samacacas) sem uma cor especifica, podendo compor várias cores. Tapam apenas o ventre com uma tanga “Tchitate”. Usam colares de missangas que cobrem todo o peito e sobretudo o pescoço. Fazem efeitos no cabelo com pedaços de cana que enchem de cabelo e um preparado de “gunde” (cebo de boi derretido e misturado com outros produtos), o que lhes dá um odor muito forte e desagradável para quem não está habituado. Nas pernas usam pulseiras “tchinungas” que vão até acima do tornozelo e que fazem soar durante as suas danças tradicionais. Os “Muilas” são pastores (vacas, cabras, galinhas e porcos). Também são agricultores. Cultivam milho (“mapungo”), feijão (“tchipoque”), abóboras (“matangas”) e couve (“macouve”). Para calçar, fazem sandálias com pedaços de pneu que cortam de forma singular de maneira a que do mesmo pedaço consigam fazer todas as componentes da sandália. Chamam a estas sandálias “Noncacus”. Vivem aglumerados a que chamam “sanzalas”, em casas feitas de paus, barradas com barro e cobertas de capim. O formato é redondo. Cada tribo tem um chefe, designado por “soba”.

Passados todos estes anos desnecessário será dizer que gostaria de voltar a pisar aquela terra de África, terra de grandes mistérios, belezas e sofrimentos mas….. são tão longos os caminhos….

Texto e foto : Palma \ Povos e costumes.

17 comentários a “Gente de outras paragens

  1. Muitas vezes relegados para segundo plano, os verdadeiros donos de África continuam a ser os povos tribais. São eles os portadores da cultura, da arte e do espírito africano.
    Em Angola existem dezenas de tribos e dialectos, e apesar da guerra ter originado muitas movimentações e descaracterização, existem tribos que nunca abandonaram os seus territórios. No Sul o caso é típico.
    Os Mucubais vivem no deserto do Namibe e Serra da Chela. Na Huíla habitam os Mumuilas e os Nhanheca Humbe. No Cunene podemos encontrar os Cuanhama.
    Muitos dos costumes e organização social são idênticos. O Soba é o chefe, uma espécie de patriarca, juiz e representante junto das entidades oficiais. Distinus

  2. Quem se lembra da Muxima do Duo Ouro Negro ? Embora um tanto ou quanto comerciais eles representavam bem Angola e a sua musica.
    Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
    Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima

    Se uamgambé uamga uami
    Gaungui beke muá Santana

    Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
    Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima

    Se dizes que sou feiticeiro
    Leva-me então a Santana

    Kuato dilagi mugibê
    Kuato dilagi mugibê
    Kuato dilagi mugibê
    Lagi ni lagi kazókaua

    Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
    Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima

  3. Caros amigos continuo a achar que África é uma terra única. Que pena ser um continente tão sofredor. As condições climatéricas e as más políticas de muitos não deixa que aquelas gentes tenham as condições de vida que por exemplo cá na Europa existem. O mundo deveria de olhar com outros olhos para a desgraça já que o que sobeja a uns falta a outros. Também aqui podemos citar A.A.

    O pão que sobra à nobreza
    Dividido pela razão
    Matava a fome à pobreza
    E ainda sobrava pão!

    António Aleixo

  4. Jorge : é uma foto fantástica. Aumentando-a podemos ver que se trata de uma nativa bastante idosa certamente, ou então as agruras do sol e da vida transformaram-na naquilo que se vê. Uma boa noite – Palma

  5. Um preto era sempre um rapaz, quer tivesse 10 ou 100 anos, sempre tratado por “tu” pelos brancos; o filho de um branco era sempre o menino; um branco era sempre o patrão; a mulher do branco era sempre a senhora; a mulher negra era a rapariga; a mulher mestiça clara era a senhora africana; os mestiços claros eram os cabritos; os negros escuros eram os pretos, assim, eram caracterizadas as pessoas durante o duro e brutal período da colonização portuguesa em Angola. (Patifundio)

  6. Elias diá Kimuezo é o Rei da Música Angolana. Nasceu no Bairro Marçal, com o nome de Elias José Francisco, no dia 2 de Janeiro de 1936. Aos 7 anos de idade, torna-se órfão, facto que o obriga mais tarde, aos 12 anos a ir viver em casa da avó, no Bairro Sambizanga, onde aprende a comunicar-se de forma fluente, na sua língua materna o kimbundo.

  7. E agora também gostaria de aqui deixar um poema da grande Alda Lara poetisa de Angola já falecida.

    Testamento

    À prostituta mais nova
    Do bairro mais velho e escuro,
    Deixo os meus brincos, lavrados
    Em cristal, límpido e puro…
    E àquela virgem esquecida
    Rapariga sem ternura,
    Sonhando algures uma lenda,
    Deixo o meu vestido branco,
    O meu vestido de noiva,
    Todo tecido de renda…
    Este meu rosário antigo
    Ofereço-o àquele amigo
    Que não acredita em Deus…
    E os livros, rosários meus
    Das contas de outro sofrer,
    São para os homens humildes,
    Que nunca souberam ler.
    Quanto aos meus poemas loucos,
    Esses, que são de dor
    Sincera e desordenada…
    Esses, que são de esperança,
    Desesperada mas firme,
    Deixo-os a ti, meu amor…
    Para que, na paz da hora,
    Em que a minha alma venha
    Beijar de longe os teus olhos,
    Vás por essa noite fora…
    Com passos feitos de lua,
    Oferecê-los às crianças
    Que encontrares em cada rua…

  8. Caro/ a Luanda. Acertou em cheio com essa poetisa maravilhosa de Benguela e quem Sá da Bandeira, hoje Lubango, instituiu em sua homenagem um prémio anual de poesia. Já agora fica aqui este escolhido por mim da dita Alda.

    Presença Africana

    E apesar de tudo,
    ainda sou a mesma!
    Livre e esguia,
    filha eterna de quanta rebeldia
    me sagrou.
    Mãe-África!
    Mãe forte da floresta e do deserto,
    ainda sou,
    a irmã-mulher
    de tudo o que em ti vibra
    puro e incerto!…

    – A dos coqueiros,
    de cabeleiras verdes
    e corpos arrojados
    sobre o azul…
    A do dendém
    nascendo dos abraços
    das palmeiras…
    A do sol bom,
    mordendo
    o chão das Ingombotas…
    A das acácias rubras,
    salpicando de sangue as avenidas,
    longas e floridas…

    Sim!, ainda sou a mesma.
    – A do amor transbordando
    pelos carregadores do cais
    suados e confusos,
    pelos bairros imundos e dormentes
    (Rua 11…Rua 11…)
    pelos negros meninos
    de barriga inchada
    e olhos fundos…

    Sem dores nem alegrias,
    de tronco nu e musculoso,
    a raça escreve a prumo,
    a força destes dias…

    E eu revendo ainda
    e sempre, nela,
    aquela
    longa historia inconseqüente…

    Terra!
    Minha, eternamente…
    Terra das acácias,
    dos dongos,
    dos cólios baloiçando,
    mansamente… mansamente!…
    Terra!
    Ainda sou a mesma!
    Ainda sou
    a que num canto novo,
    pura e livre,
    me levanto,
    ao aceno do teu Povo!…

  9. Bom dia Palma, uma semana passou e continua tudo em seu lugar… o bairro, o atelier, o computador, o baco, os amigos e a mãe, que se deliciou com os doces do Amendoal, até os olhitos sorriram… perguntou como estava Loulé… respondi com a “célebre canção”…
    Loulé ainda tem,
    Chaminés que bem lhe fica,
    Porque ela ainda é,
    A Terra da Ti Anica.
    É Terra de mouras encantadas
    e das amendoeiras em flor
    com todos andam de mãos dadas
    em paz, carinho e muito amor.
    Para quando a edição do CD?rsrs.
    Não é por nada, é que…
    A nossa força
    Vem lá do fundo da história
    É amanhã, ontem e hoje uma vitória
    Quem sabe até
    Se é da moirama esta força que transforma
    Esta terra de Loulé, esta terra de Loulé
    Na terra da nossa glória.
    Lembra-se?… faz precisamente este mês 12 anos… este CD inclui, Canto ao Aleixo… para quem não sabe, são originais de, e cantados por, António Clareza. Saúde e Inté. L.F.

  10. Luís Furtado: Do que você se lembrou…rs…. eu nem dava por isso. Doze anos ? É caso para dizer que o tempo não passa… « avoa » rs. E já a gora a canção de cima é de autoria do Luis para quem não saiba rs… Fico satisfeito por saber que a mãe ficou deliciada com os docinhos do filho. Loulé apesar de tudo.. continua sempre no coração dos louletanos quer estejam em Lisboa ou na Austrália. E viva a Mãe Soberana ! Um bom dia . Já falei com o Professor Almeida…Palma

  11. Tudo bem. Gostei desta recordação
    da antiga Sá da Bandeira. Só posso
    desejar que aquele povo consiga melhorar as suas condições de vida porque Angola é uma potência. Depois de tanta guerra que a Paz seja para sempre.

  12. Bom dia! … África minha … que não é … nem foi nos tempos de guerra … sofri de maneira diferente da vossa … vocês que por lá passaram … as tais memórias vivas … tristes … enfim! Muita coisa mudou, mas outras nem tanto, é o que me contam amigos nativos que andam cá e lá … e do Agostinho Neto um poema que prezo …

    Aspiração

    Ainda o meu canto dolente
    e a minha tristeza
    no Congo, na Geórgia, no Amazonas

    Ainda
    o meu sonho de batuque em noites de luar

    ainda os meus braços
    ainda os meus olhos
    ainda os meus gritos

    Ainda o dorso vergastado
    o coração abandonado
    a alma entregue à fé
    ainda a dúvida

    E sobre os meus cantos
    os meus sonhos
    os meus olhos
    os meus gritos
    sobre o meu mundo isolado
    o tempo parado

    Ainda o meu espírito
    ainda o quissange
    a marimba
    a viola
    o saxofone
    ainda os meus ritmos de ritual orgíaco

    Ainda a minha vida
    oferecida à Vida
    ainda o meu desejo

    Ainda o meu sonho
    o meu grito
    o meu braço
    a sustentar o meu Querer

    E nas sanzalas
    nas casas
    no subúrbios das cidades
    para lá das linhas
    nos recantos escuros das casas ricas
    onde os negros murmuram: ainda

    O meu desejo
    transformado em força
    inspirando as consciências desesperadas.

    … façam o favor de ser felizes … onde é que eu já ouvi isto?! abraço Palma e Luis

  13. Lila: Belo poema do Agostinho Neto, grande poeta e politico angolano. Ainda …. levará certamente muito tempo até que aquele Povo encontre um caminho de prosperidade em cada lar. Ainda…… – Abraço – Palma

  14. É uma pena o regime angolano ser tão corrupto. Aquele Povo merecia mais. Mas aos poucos vão-se fazendo algumas coisas boas para o Povo. Mas mais rapidez precisa-se.

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