Lembrando Micaela Clareza ….. minha Mãe

Micaela c chapéu de plumas

Apesar de não ser muito conhecida, Micaela Rosa Palma Clareza faz chapéus que andam na cabeça de meio mundo. »Chapéus e água benta cada um usa o que quer». O provérbio não é novo e a moda

do chapéu de senhora que se encontra de volta, também não.

Na decada de 40, o chapéu fez vista entre nós, e os modelos eram, em grande parte, confeccionados por modistas, de forma artesanal.. Agora, são importados e obedecem aos padrões da moda ditada pelo estrangeiro. Em todo o tempo houve sempre quem preferisse o que vinha de fora, apesar de não termos falta de quem produzisse o mesmo artigo. Em Loulé, fomos encontrar uma dessas modistas, Micaela Palma Clareza que fabrica chapéus há 60 anos e recebeu inúmeras encomendas de pessoas ligadas à corte e até do estrangeiro. Agora, resta-lhe contemplar os belos exemplares que ainda guarda em casa, como adulto que sonha ao recordar os seus brinquedos de criança. Um dos melhores locais para apresentar esses lindos modelos era a igreja, sobretudo em cerimónias de casamentos. Mas a permissão de entrar na casa de Deus em cabelo levou a pôr de lado o chapéu.

A nossa interlocutora falou-nos das lágrimas que derramou quando há uns trinta anos, viu um casamento de «gente fina», onde os convidados apareciam todos em cabelo. E ao relatar-nos o facto o seu «rosto de menina», emoldurado por um cabelo branco a lembrar ternuras de avó, ficou marcado pela tristeza de não deixar continuadores para a sua arte. Micaela Clareza fez os seus primeiros chapéus, de seda natural, mais concretamente a partir de vestes litúrgicas de um padre familiar que estivera nas Índias. É simples a explicação: a determinada altura, como se lhe escasseasse a matéria prima, lançou mão desses paramentos que, uma vez transformados, passaram a figurar na cabeça das senhoras.

Ela mesma nos disse que foram muitas as amigas a adverti-la de que se estava a perder naquele sítio. No entanto, o amor pelo seu torrão natal nunca a deixou ir mais longe do que o Alentejo, e mesmo assim para ensinar a sua técnica. Nunca foi a Lisboa mostrar os seus trabalhos, mas a capital desceu muitas vezes à província para lhe comprar os chapéus. E ainda hoje, «lindas cabeças» conservam a sua anónima assinatura na beleza de muitos chapéus.

 

***** In “ Diário de Notícias – Revista “ – Texto de Idálio Revez.

23 DEZ 1984

Micaela em novinha

14 comentários a “Lembrando Micaela Clareza ….. minha Mãe

  1. Era uma pessoa com uma arte para os chapeus digna de nota. Como para os casamentos era necessário cobrir a cabeça, toda a gente levava chapeu ou mantilha.

  2. Estas profissões exemplares vão-se perdendo com o tempo. E e é dificil mesmo mantê-las já que a alta maquinaria mais os chineses a copiarem tudo condenam estas profissões ao desaparecimento.

  3. E viva o CHAPÉU que tanta classe dá às mulheres de bom gosto.

  4. A minha avó sempre usou chapeu. E dava-lhe classe. Nem a todas as mulheres o chapeu fica bem. Mas dá um toque de classe sem favor nenhum.

  5. se me lembro a minha mãe foi várias vezes alugar chapéus especialmente para ir a casamentos

  6. È bom recordar quem já partiu e ajudou a tornar mais bonitos os nossos dias.

  7. Essa arte é uma maravilha mas nem todos nasceram para ela. Quedescanse em paz a D. Micaela Clareza.

  8. I visited many blogs buut tthe audio qualityy for audio songs existing at this site is genuinely fabulous.

    Feel free to surf to my site: Teamwork Development
    (Claude)

  9. It’s enormous that you are getting ideas from
    this post as well as from our dialogue made
    here.

    My blog … Target audience analysis – Alda,

  10. Todos goistamos de recordar os grandes momentos dos nossos familiares queridfos. Que esta senhora descanse em paz. SÁ

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *