Letra D do nosso Abecedário – Duarte Pacheco

monumento loulé

ENGENHEIRO DUARTE PACHECO

Pelas cinco horas da tarde do dia dezanove do mês de Abril do ano de mil e novecentos, nascia em Loulé Duarte José Pacheco, mais precisamente no edifício frente à Câmara Municipal e onde funcionam hoje a Assembleia Municipal e a Casa da Cultura de Loulé. Esta é a figura louletana que ilustra hoje a letra D do nosso dicionário da Louletania.

Duarte José Pacheco é conhecido a nivel nacional por ter sido, apesar de controverso,

Ministro das Obras Públicas do Estado Novo. Em 5 de Julho de 1932 tomou conta da Pasta das Obras Públicas e Comunicações, cargo que ocupou até 18 de Janeiro de 1936.

No livro “ Máscaras de Salazar” de Fernando Dacosta encontramos alguns dados que ajudarão a perceber um pouco quem foi este louletano……”Duarte Pacheo aceita tudo, atira-se a tudo com uma energia, uma determinação incriveis. Trabalha de dia e de noite, dobra centenas de quilómetros sem se deter. Solitário, foge da solidão e das inquietações. Adia sempre a hora de ir para casa, de ficar só, de deitar-se. Apenas o faz quando o corpo está exausto, o espírito dormente. O horror das paragens torna-se-lhe insuportável. »Mais depressa, mais depressa», repete para os colaboradores, para si próprio, para a vida.

Passa, passeia pelas obras como uma vedeta pelos proscénios, rápido e teatral, pomposo e petulante, entra nos gabinetes como num camarim, nos estaleiros como num estúdio. Os biógrafos

referem-lhe a média de cinco horas de descanso diário. Segundo o Arquitecto Manuel Graça Dias: «Aposto que uma hora era dedicada à sua figura, à escolha do alfinete de gravata, dos botões de punho, ao passsear do pente que atirava o cabelo para trás, ao colete posto ao sabor da vontade ou do humor». Duarte Pacheco foi um dos primeiros colaboradores de Salazar a tentar sensibilizá-lo para o Problema da Censura Prévia. Sem resultado “.

Mas o importante louletano e grande Ministro do Estado Novo morre cedo. Apenas com 43 anos e vítima de trágico acidente de viação, perto de Vendas Novas numa manhã de Novembro de 1943.

A fotografia que publicamos, trata-se de um postal da época em que foi inaugurado em Loulé, o Monumento à sua memória, nele se destacando algumas das grandes obras que deixou e outras que por si foram projectadas mas que não conseguiu concluir em vida.

9 comentários a “Letra D do nosso Abecedário – Duarte Pacheco

  1. Engraçado Palma, tenho por estes dias estado ocupado na reparação do mosaico circular que os meus alunos do ano 2000 executaram para assinalar o Centenário do Nascimento do “Derrubas”.´
    Este elemento do exterior escolar em memória do Patrono, depois de se ter desagregado do conjunto escultórico, sofreu muito dano e aguarda há dois anos pela reposição no seu devido lugar.
    Este trabalho não tem sido nada fácil de produzir, a exemplo da vida e ambição do Homem a que pretende prestar tributo, tem justamente a parte do Monumento por concluir e será esculpida (pequena réplica) em calcário trazido da Batalha que representará, em baixo-relevo, as obras que o Duarte realizou.
    Prometo que quando estiver o mosaico reparado te colocarei aqui uma fotografia dele.
    Faz bem a Louletania em trazer à memória dos vivos a figura do mais notável, embora meteórico, louletano! Engraçado que ainda há pouco o blog “seBASTIÃO” falava dele aludindo ao seu bom gosto musical…

  2. Almeida: Interessante seres tu o 1º comentador do Duarte Pacheco figura nacional mas controversa, como todos os homens que deixam obra feita. Quanto tiverem o trabalho findo terei todo o gosto de publicar aqui uma foto. Bom fim de semana.

  3. Louletania de fato novo ou como se dizia antes, fato domingueiro.
    Bonito com o azul celeste das noites árabes. Boa noite. Quem se segue na letra E de esquina ?

  4. Esse é talvez o monumento de Loulé mais conhecido em Portugal. A estatuária recente da cidade deixa muito a desejar. Algumas coisas estão muito próximo do mau. Gil

  5. Sim senhor Palma; dou-lhe os meus parabéns por ter acertado mesmo em cheio… este sim, pode-se dizer que foi um verdadeiro Engenheiro e não daqueles que tiram o curso por correspondência, ou através da Farinha Amparo,rsrs… e quem é que está a tirar proveito da sua obra, quem é, quem é?… é cá o menino… da minha janela avisto aquela que para mim, foi o seu maior projecto… o parque florestal de Monsanto, com Amendoeiras e tudo,rss. que seria desta Lisboa sem ele?… já tinha morrido com tanta poluição. Só lastimo é que os Mouros da Capital lhe tenham prestado homenagem com um minúsculo Monumento à entrada do dito… o automobilista mal se apercebe da sua presença, merecia muito melhor. Segundo consta por cá, (contam os mais velhos), os terrenos foram expropriados por tuta e meia… como era para o bem comum, “tudo bem”, e não olhes a quem,rsrs.\\\ Depois informo sobre os autores das “ciganices. Inté. L.F.

  6. Luis: Este homem foi sem dúvida nenhuma um homem que deixou obra e que trabalhou para isso embora haja quem diga cobras e lagartos dele (pessoas desse tempo). O monumento que lhe dedicaram foi muito contestado na época pois parece mais um boneco do que uma estátua de homenagem.

  7. Voltando atrás refiro-me ao monumento de que você fala e que fica à entrada do Parque do Monsanto e não ao de Loulé. Palma

  8. Segundo consta o Engº Duarte era mais torto do que as curvas da serra do Algarve. Famílias e famílias foram despejadas das suas casas sem remunerações e acho que até houve situações terríveis com muitas delas. O senhor era um obsecado por fazer e obrigar a fazer à pressa não admitindo que o contrariassem. Em Loulé, sua terra Natal onde nada fez ficou fulo por não terem feito uma estrada ( nao se sei se a Corredoura, como ele entendia)Diz-se que nunca mais cá veio. Era bom que alguém mais velho pudesse confirmar estas verdades ou inverdades. Santos

  9. Alguém falou aí do Livro do Dacosta onde a págnis, 129 se pode ler… A morte do Ministro, o fim da Guerra e da decada de 40 irão soltar o trabalho dos projectistas portugueses, esbatendo a standardização do estilo imposto – que se tornará alvo de contestações generalizadas. Um dos arquitectos que mais trabalharam para Pacheco dirá depois que ele não passava de um «enormíssimo patego». Fim de citação e um bom domingo. Rui

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